TERRA EDUCAÇÃO – 27/08/2019 – SÃO PAULO, SP

Sonha em estudar nos EUA? O país quer mais alunos brasileiros

BEATRIZ BULLA

Os Estados Unidos querem receber mais estudantes brasileiros nas universidades. Essa é a mensagem que Caroline Casagrande, vice-secretária para programas acadêmicos, no escritório de Educação e Assuntos Culturais do Departamento de Estado dos EUA, tenta passar em sua visita ao Brasil, que começou no último sábado, 24. Em entrevista ao Estado um dia antes de partir de Washington rumo ao País, Caroline diz que o momento de aproximação entre os governos Donald Trump e Jair Bolsonaro mostra uma `era de relações mais profundas`.

Desde 2017, o número de novos alunos estrangeiros que chega aos Estados Unidos tem desacelerado, mas o país continua sendo o principal destino quando o tema é busca por universidades no exterior.

A vice-secretária minimiza o impacto de uma política de imigração mais restritiva durante o governo Trump nos números de estudantes que chegam ao país e diz que os americanos estão de portas abertas para colocar estrangeiros nas universidades. Segundo ela, o número de alunos brasileiros nos Estados Unidos cresceu 12% no último ano letivo.

Com o objetivo de promover oportunidades de estudo para os brasileiros em instituições americanas, a feira EducationUSA 2019 ocorre em Brasília nesta quarta-feira, 28; e, em São Paulo, no sábado, 31. As inscrições são gratuitas e ainda estão abertas pela internet. O evento já passou pelo Rio de Janeiro no último fim de semana.

Ao Estado, Caroline Casagrande fala sobre as oportunidades para brasileiros nos Estados Unidos.

Veja os principais trechos da entrevista:

Qual objetivo da sua viagem ao Brasil?

Vamos espalhar a notícia, e estamos trazendo mais de 40 faculdades e universidades, de que os Estados Unidos dão as boas-vindas aos estudantes brasileiros, de que queremos que eles estudem em nossas salas de aula e a razão pela qual eu estou indo é realmente destacar e amplificar o alcance dessa mensagem.

O número de novos estudantes estrangeiros nos Estados Unidos caiu nos últimos anos acadêmicos. O que o Departamento de Estado identifica como razão para isso?

Internacionalmente há uma queda em novos estudantes, mas no geral houve um aumento de 1,5%. E a boa notícia é que houve um aumento de 12% de estudantes brasileiros vindo aos Estados Unidos. Sabemos que é regional, sabemos que há uma variedade de fatores, e sabemos que mais brasileiros estão vindo aos Estados Unidos a cada ano, o que achamos fantástico. Quando pesquisamos, muitas vezes o custo aparece como um grande fator (para deixar de fazer a viagem).

Uma das coisas sobre a qual iremos falar é sobre a possibilidade de os estudantes encontrarem uma universidade de qualquer faixa de preço nos Estados Unidos. Achamos que temos que fazer um trabalho melhor em espalhar essa mensagem, que há diferentes escolas e faixas de preço.

Há especialistas que apontam que maiores restrições na concessão de visto para estudantes causam essa queda. Vocês planejam mudar essa política?

Isso é algo que é muito repetido, mas que não é verdadeiro. A rejeição de vistos de estudante internacional caiu. Temos que intensificar a forma de nossa mensagem chegar aos estudantes. No Brasil, temos 38 centros de assessoria educacional. Em 2018, abrimos mais três centros e, neste ano, abrimos mais um. Esses centros são gratuitos e neles o estudante passa por um processo de cinco etapas.

Uma das coisas que queremos fazer (na viagem) é fazer com que os estudantes saibam como usar um desses 38 centros. Não só nossas taxas de rejeição de visto caíram globalmente, elas caíram para o Brasil também. Nossos números no Brasil são fantásticos. E nós vamos tentar aprofundar essa relação e trazer melhores números no ano que vem.

É correto dizer que o Brasil é o foco da política acadêmica?

Absolutamente. Estamos aprofundando nossa relação com o Brasil. Acho que é óbvio que estamos em uma era de relações mais profundas – com a visita do secretário (Mike Pompeo, secretário de Estado) a Brasília em janeiro e a visita de Bolsonaro a Washington em março. O Brasil é um parceiro importante para os Estados Unidos. São as duas maiores democracias e economias no hemisfério.

Aprofundar nossa relação em ciência, em comércio – e na raiz de tudo isso está a educação – é uma prioridade. Estamos investindo aqui mais recursos, e os sinais são os três novos centros abertos ano passado e o novo neste ano, a minha viagem e o tour com 40 universidades. Estamos absolutamente dizendo: queremos os estudantes brasileiros aqui nos EUA.

A despeito do crescimento do número de brasileiros nos Estados Unidos, estamos longe do topo da lista de maior número de estudantes estrangeiros. A China tem o maior porcentual. Os americanos estão preocupados em diversificar as nacionalidades nas universidades?

Olhamos para todos os estudantes internacionais. O que pretendemos fazer no geral é aumentar o número de cada um. Globalmente, temos mais de 1 milhão de estudantes internacionais nos Estados Unidos. Temos a capacidade de receber ainda mais. Estamos tentando aumentar os números de estudantes estrangeiros porque eles enriquecem nossas salas de aula.

Todo mundo entende que quando um estudante vem recebe uma educação de nível global, faz amigos americanos e se torna um amigo da América para a vida. O que as pessoas não sabem é que o outro lado é: o que isso significa aos nossos estudantes americanos? Nós não podemos enviar todos os nossos americanos para estudar fora. Nós adoraríamos, mas não temos o dinheiro para isso. Mas podemos dar a eles um amigo do Brasil, um amigo de outros países que permita a eles terem competências globais adicionais. É um objetivo dos EUA de ter mais estudantes estrangeiros.

Há interesse crescente no Canadá, que tem regras de visto mais flexíveis aos estudantes. Vocês se preocupam com a perda de estudantes estrangeiros para o país vizinho? Pensam em tornar o sistema de visto mais amigável?

Quando pensamos em educação internacional, temos outras nações que estão colocando dólares adicionais em bolsas de estudo; quando compartilhamos valores com essas nações, como o Canadá, é uma boa coisa. Os estudantes que vêm ao Canadá aprendem sobre democracia, Estado de direito, liberdades, achamos que isso é uma coisa boa. Na verdade torcemos para que nossos amigos e aliados tenham mais estudantes estrangeiros. Não é um jogo de soma zero.

O governo Bolsonaro anunciou este ano o contingenciamento de orçamento que atinge pesquisa e educação. Os EUA se preocupam com isso? Em alguma parte da sua viagem esse assunto será abordado?

Meu foco vai ser nos estudantes e pais. Não podemos comentar sobre o que os governos fazem com seu orçamento. O que podemos dizer é que o investimento que o Brasil tem feito, particularmente no nosso programa Fulbright, é extraordinário. Eles são parceiros maravilhosos. As bolsas que temos diretamente com os Estados Unidos não foram impactadas.