TERRA EDUCAÇÃO – 19/09/2019 – SÃO PAULO, SP

École 42, que ensina a programar de graça, chega a São Paulo

MATHEUS RIGA

Uma escola de programação sem professores, sem mensalidade e sem horário fixo de entrada e saída dos alunos. Essa metodologia de ensino, desenvolvida pela instituição francesa École 42, terá sua estreia na América Latina em São Paulo (SP) dentro do campi 42 SP, no bairro da Vila Madalena, zona oeste da capital paulista. A previsão é de que uma fase prévia das aulas comecem já no dia 30 de setembro com pelo menos 352 alunos.

Para viabilizar a iniciativa, a equipe do 42 SP contou com a parceria estratégica com a Fundação Telefônica Vivo, braço da empresa de telecomunicação que atua em iniciativas no setor educacional. Em evento de lançamento do espaço nesta quarta-feira (18), dois dos idealizadores Guilherme Decourt e Karen Kanaan explicaram a metodologia difundida pela École 42 em pelo menos 21 campi ao redor do mundo, e que será utilizada na unidade da capital paulistana.

O processo de aprendizado na 42 SP, como explica Karen, funciona sem professores ou mentores. “É como em um jogo de videogame, em que você não tem instrução de tudo”, diz. “Você vai experimentando e realizando descobertas dentro da área de conhecimento desejado.” A avaliação dos alunos é realizada em um sistema de pares, em que os colegas se avaliam entre si, checando se as tarefas dentro do projeto escolhido foram cumpridas.

A metodologia, que além de não contar com professores, ainda não exige mensalidade e também não possui uma grade horária fixa, chamou a atenção de pelo menos 12 mil pessoas do Brasil inteiro, que se inscreveram no processo seletivo em julho deste ano. Após uma triagem, a equipe da 42 SP selecionou 352 alunos para participar de uma fase preparatória – chamada de “Piscina”, que se inicia no dia 30 de setembro deste ano.

Após esse momento, que é uma imersão de 28 dias, 176 alunos devem permanecer e desfrutar do programa. Uma vez selecionado e dentro da iniciativa, o estudante pode permanecer na 42 SP por até cinco anos aprendendo ao lado dos outros alunos. Embora não ofereça diploma, o projeto tem uma proposta diferente, como conta Karen. “O aluno diz o quanto tempo ele quer ficar. Ele pode sair antes dos cinco anos”, diz. “Ele não sai com um certificado, mas sai com um portfólio de projetos e experiência.”

Parceria estratégica

O CEO da Telefônica Brasil, Christian Gebara, acredita que a proposta da instituição conversa com o processo de digitalização pelo qual a empresa que dirige está passando. “A digitalização só vem por meio da inclusão, e a inclusão vem por meio da educação”, diz. “E isso faz parte da missão que temos como companhia.”

O presidente da Fundação Telefônica Vivo, Americo Mattar, acredita na mesma sinergia entre a empresa de telecomunicações e a iniciativa da 42 SP. “Nosso foco é a educação e nós queremos romper com as barreiras das salas de aula tradicionais”, diz. “Achamos que a visão da 42 SP está alinhada com esse propósito.”

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