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O Estado de São Paulo, 16 de agosto de 2010 | 10h 16



Na hora de escolher a profissão, só ajuda da escola não é suficiente



Por focarem a formação dos alunos, colégios dificilmente conseguem oferecer um
atendimento mais personalizado



Mariana Mandelli e Luciana Alvarez – O Estado de S. Paulo


Para quem tem 17 ou 18 anos, o segundo semestre é sinônimo de escolha. É nesse
período do ano que os maiores vestibulares do País abrem suas inscrições e a
lacuna em branco na ficha, onde se lê “carreira”, passa a ser a maior
preocupação dos vestibulandos. Para quem ainda está em dúvida, os especialistas
no assunto garantem: feiras de profissões, palestras e visitas a universidades,
recursos oferecidos pelos colégios, não são suficientes para ajudar na tomada de
decisão.


“As escolas são limitadas. Nem sempre conseguem explorar com muita profundidade
a personalidade de cada estudante, o que dificulta um atendimento mais
personalizado”, explica Flávia Marques, orientadora profissional da Colmeia,
organização educacional sem fins lucrativos que atende jovens. “Isso não
invalida o trabalho delas, claro, mas é preciso entender que o processo é muito
mais complexo do que isso.”


Para a especialista em orientação profissional Lílian Feingold, a escola precisa
se ocupar mais da formação do aluno do que da resolução do conflito vocacional.
A dúvida na hora de escolher, de acordo com Lílian, decorre principalmente da
dimensão da decisão a ser tomada. “Em toda a escolaridade, o aluno não escolheu
seus professores, as salas de aula e os conteúdos. De repente, com 17 anos, ele
tem de tomar uma decisão dessa proporção. É claro que assusta.”


Para Silvio Boch, diretor da Nace Orientação Vocacional, a escola não deveria
deixar a discussão para o fim do ensino médio. “Ela poderia incluir a questão
profissional de forma transversal desde o maternal. Uma ida ao zoológico deveria
servir para, além de olhar os bichos, chamar atenção para o trabalho do
veterinário e do tratador.”


Patrícia Deluca, de 17 anos, aluna do último ano do ensino médio do Colégio
Dante Alighieri, está passando por isso. “Meu maior medo é escolher e, quando
chegar lá, ser completamente diferente”, afirma ela, que avalia prestar
vestibular para Direito.



Mundo dinâmico


As dúvidas do jovem de hoje, segundo os psicólogos, são ainda maiores pelo
excesso de informação disponível, o surgimento de novas profissões e a
vulnerabilidade da economia. Mas isso pode ser usado a favor do estudante. “Por
um lado, a maior oferta de cursos confunde mais, mas o jovem de hoje tem mais
liberdade. A pressão social está muito menor”, afirma Regina Gatas, coordenadora
da orientação vocacional da PUC-SP.


Para ajudar os alunos do ensino médio, o Colégio Emilie de Villeneuve oferece
disciplinas eletivas “profissionais”. São cursos semestrais de artes,
jornalismo, ciências ambientais, direito e gastronomia. “Isso vai preparando o
aluno para se responsabilizar por sua decisão”, afirma a coordenadora pedagógica
Marly Benachio.



Valores


A pressão familiar, segundo os orientadores, é a que mais incomoda o jovem.
Flávia Landroni, de 17 anos, não sabe se quer ser advogada por vontade própria
ou pelo incentivo dos parentes. “Meu pai quer muito e tenho vários primos
estudando”, conta. “Mas acho que não é isso que eu quero. Ainda vou decidir.”


Para lidar com a pressão, os psicólogos afirmam que a melhor alternativa é o
autoconhecimento. “O jovem precisa perceber onde termina a vontade dele e onde
começa a do pai e a da escola, por exemplo”, explica Kátia Teixeira, psicóloga
Equipe de Diagnóstico e Atendimento Clínico.



COMO DECIDIR



Ajuda profissional


Existem psicólogos especializados em orientação vocacional de vestibulandos.
Algumas escolas indicam esses profissionais.



Feiras de profissões


Escolas, empresas e ONGs costumam organizar eventos em que é possível participar
de palestras e testes vocacionais. Visitas ao ambiente de trabalho desejado e às
universidades que pretende cursar também são indicadas.



Diálogo


Conversar muito com profissionais, psicólogos e a família também é um bom
caminho para se descobrir.


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