Clipping
CLIPPING
 

As matérias e artigos a respeito de escolha profissional e profissões ficam disponíveis durante o mês corrente. 

Voltar

Nova pagina 4

Portal G1, https://g1.globo.com/educacao/guia-de-carreiras/noticia/alta-das-demissoes-na-engenharia-civil-e-retrato-da-crise-e-nao-deve-assustar-candidatos-dizem-especialistas.ghtml,21/09/2017

Alta das demissões na engenharia civil é retrato da crise e não deve “assustar” candidatos, dizem especialistas

Com o desaquecimento da economia, a queda dos investimentos e a paralisação de obras, o mercado da engenharia também se retraiu, mas especialistas apostam que problema é temporário.

Por Ana Carolina Moreno, G1

Obra que facilitar o acesso entre Curitiba e o Aeroporto Afonso Pena na Copa de 2014 já consumiu R$ 45 milhões, segundo o governo estadual, mas ainda tem diversos trechos abandonados e sem data prevista para a conclusão (Foto: Reprodução/RPC)

Dados sobre aberturas e fechamentos de vagas capturam um retrato do mercado de engenharia de um Brasil em crise: desde 2014, o setor, que ganhou 7.529 novas vagas só em 2012, já viu o número de engenheiros demitidos superar em mais de 48 mil o número de engenheiros admitidos em um novo emprego.

Os números obtidos pelo G1 foram levantados pelo Dieese a pedido da Federação Nacional de Engenheiros (FNE). O levantamento foi feito com base no Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), mantido pelo Ministério do Trabalho. O Caged registra um histórico de admissões e demissões de empregados dentro do regime da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), e é uma das bases da elaboração de pesquisas sobre o mercado de trabalho.

Os dados da FNE mostram o saldo entre admissões e demissões, ou seja, o número que sobra da subtração entre a quantidade de admitidos e a quantidade de demitidos. Desde 2014, esse saldo é negativo e, até abril deste ano, a situação ainda não havia mudado (veja no gráfico):

Saldo entre engenheiros admitidos e engenheiros demitidos*

Desde 2014 o Brasil vê um saldo negativo entre as admissões e demissões na área

Diferença entre o nº de admissões e demissões7.5297.5292.8312.831-3.115-3.115-20.744-20.744-20.686-20.686-4.017-4.017201220132014201520162017*-25k-20k-15k-10k-5k05k10k

Fonte: Levantamento do Dieese com dados do Caged, a pedido da FNE (*Os dados de 2017 se referem ao período entre janeiro e abril)

"Saímos de um quadro, no início da década, no qual as empresas lamentavam a falta de engenheiros para uma situação nos últimos anos de grande demissão desses profissionais, de dispensas que continuam altas também em 2017", afirmou ao G1 Murilo Pinheiro, presidente da FNE. De acordo com a federação, o aumento de demissões acompanham a recessão dos anos de 2015 e 2016 e a que da de investimentos.

Engenheiros civis formam maior grupo

Pinheiro afirma que, como o grupo de engenheiros civis é o maior entre os engenheiros ativos no Brasil, é esse o que também acaba sendo mais afetado por crises que afetam o setor da construção civil. Mas diz que a falta de empregos também afeta outras áreas da economia.

"Passamos um tempo em que tivemos um crescimento do país, e a demanda por engenheiros foi maior. Agora a gente cai no processo que estamos enfrentando, em que temos a falta de emprego, e para os engenheiros também." - (Murilo Pinheiro, presidente da FNE)

De acordo com um levantamento feito pela FNE, com base em dados dos tribunais de contas pelo país, estima-se que 5 mil obras públicas federais estejam paradas atualmente. Pinheiro defende que o governo volte a investir na retomada de obras, para movimentar a economia.

Vestibulandos atuais

Por mais que o mercado atual esteja desfavorável para a área da engenharia civil, o presidente da FNE ressalta que isso não deve preocupar o vestibulando que atualmente flerta com uma vaga nesse curso de graduação.

"Ele precisa se preocupar como cidadão, porque para sair da crise precisa se juntar", diz ele. "Se tem uma profissão que eu gostaria de sugerir para os vestibulandos é a profissão de engenharia. Se tivesse que opinar sobre qual seria a profissão no momento, eu diria que é a engenharia."

Ele ressalta, porém, que, mesmo com o aumento do número de cursos e vagas de ensino superior na engenharia civil, o Brasil ainda forma muito poucos engenheiros e outros profissionais da área tecnológica e, por isso, o retorno do crescimento fará com que a demanda por profissionais da área cresça novamente.

Brasil ainda forma poucos engenheiros

Silvia Santos, que é professora doutora do curso de engenharia civil da Univali, de Santa Catarina, lembra que, em comparação com os demais países dos Brics (Rússia, Índia, China e África do Sul), "o Brasil é o país que menos forma engenheiros".

Além disso, segundo ela, "o desenvolvimento da Coreia do Sul se deu em progressão geométrica, e ele acompanha o número de formação de engenheiros. Isso é diretamente proporcional para todas as engenharias".

Para o presidente da Federação Nacional de Engenheiros, que representa cerca de 500 mil engenheiros no Brasil, hoje em dia não existe um apagão de engenheiros como antigamente por causa da crise, mas "ainda precisamos formar mais engenheiros, e mais qualificados, precisamos de engenheiros se especializando cada vez mais."

Silvia concorda. "Sempre vai haver espaço pra quem estiver bem preparado, porque é um mercado que seleciona."