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Portal G1, https://g1.globo.com/educacao/guia-de-carreiras/noticia/e-pesado-emocionalmente-alunas-do-inicio-e-do-fim-do-curso-de-psicologia-contam-impressoes-da-graduacao.ghtml, 03/10/2017

 “É pesado emocionalmente”: Alunas do início e do fim do curso de psicologia contam impressões da graduação

Elas falam da experiência de lidar com temas densos. Relatam também a importância de fazer estágio e de se especializar.

Por Luiza Tenente, G1

Para saber as impressões de alunos que fazem o curso de psicologia, o G1 conversou com universitárias que estão no início da graduação e com outras que se formarão em dezembro. Elas relatam as expectativas sobre a profissão e as frustrações.

Luisa Seixas, de 23 anos, está no penúltimo semestre de psicologia na Unesp de Bauru, no interior de São Paulo. Ela conta que há uma distância considerável entre o estereótipo da profissão e a realidade. “Ainda existe muito preconceito, principalmente com a psicologia clínica, sobre ser “coisa de louco” ou de quem não está bem da cabeça”, diz. Ela afirma também que a maioria dos ingressantes não sabe das múltiplas áreas da profissão. “Depois do primeiro ano, a gente aprende que são várias possibilidades de atuação. Além das disciplinas da faculdade, também é legal ir a congressos e conversar com pessoas de outras áreas.”

Maria Carolina Andrade, de 22 anos, estuda na Universidade Potiguar, instituição particular de Natal (RN), e está no primeiro semestre. Ela concorda que é preciso desmistificar as ideias pré-concebidas sobre a carreira. “É uma questão de maturidade. Percebi que precisamos entrar no curso e começar a desconstruir algumas crenças para crescer como pessoa. É necessário ter maturidade consigo mesmo para depois poder tratar dos outros”, diz.

Estágio: aprendizado

Com o decorrer do curso, as alunas contam que refletem sobre a área em que atuarão depois de formadas. Um dos modos de conhecer mais sobre cada campo é fazer os estágios obrigatórios. Luisa explica que algumas regras podem variar em cada universidade. Na Unesp de Bauru, são três estágios, feitos no último ano da faculdade e supervisionados por professores do curso. É possível indicar as áreas em que o estudante quer estagiar, por ordem de preferência – na Unesp, as opções são psicologia escolar, social, clínica e empresarial.

“Cada professor faz um processo seletivo para escolher quais alunos supervisionará. Um dos meus estágios é em psicologia escolar. Aí faço acompanhamento de crianças com deficiência na Apae e nas escolas onde elas estudam. Depois, discuto os casos com o professor, mostro as dificuldades e vejo os avanços”, conta Luisa.

Durante os estágios, os estudantes já entram em contato com um dos desafios da profissão: saber administrar as emoções e lidar com histórias tristes e assuntos densos. Giullia Longo, de 24 anos, está no último semestre da PUC-SP e conta que existe um preparo no curso para que o estudante saiba lidar com isso. “Mesmo assim, é pesado emocionalmente. Às vezes, volto do estágio esgotada e quero só banho quente e cama”, diz. “O tema de abuso sexual já apareceu no consultório. Nas Caps (centros de atenção psicossocial), é comum ver mãe que perdeu o filho por overdose de cocaína, criança abusada pelo pai, famílias desestruturadas que não sabem como lidar com um filho com deficiência”, completa.

Marina Stefanelli, aluna do primeiro semestre da Unip (SP), conta que não havia pensado na dificuldade de lidar com os problemas dos pacientes. “Mas já percebi que os professores reforçam bastante a importância de fazer terapia desde a graduação. Eu já faço e isso me ajuda a me entender. Espero que eu consiga separar a vida pessoal do que vou escutar dos pacientes”, diz.

Uma mistura de assuntos

Giullia diz que, para entrar em psicologia, o ideal é gostar da área de humanas – já que o foco da profissão é o interesse pelo ser humano. Mas os estudos na graduação vão além disso. “A gente vê bastante conteúdo de biologia, principalmente de neurologia e de genética. Então é bom ter interesse por esses assuntos”, diz. “O curso envolve também a parte de geopolítica, já que na psicologia sócio-histórica a gente pensa em grupos de seres humanos. E até exatas aparecem: tem dois períodos de estatística. Essa parte é um caos para quem não gosta de matemática, mas nada que vá te reprovar”, conta.

Marina, no começo do curso, está descobrindo a mistura de disciplinas que constituem a graduação. “Nesse início, já estou aprendendo sobre desenvolvimento humano, e isso envolve genética e anatomia, por exemplo, além da parte social”, diz.

As quatro meninas entrevistadas reforçam: é preciso estudar em casa, mesmo que o curso seja integral. Não basta prestar atenção nas aulas.

Especialização: uma necessidade

Giullia, mesmo antes de conquistar o diploma na faculdade, já pensa em qual especialização cursará. “É comum já ter essa preocupação, pelo que vejo dos meus colegas. Muitos deles querem emendar com o mestrado, principalmente aqueles que vão para a área clínica”, diz.

Marina complementa: “São cinco anos de muito conteúdo, mas é necessário fazer uma pós-graduação. Ainda mais na área de saúde, para se manter sempre atualizado”, diz.