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Portal G1, https://g1.globo.com/educacao/noticia/professores-explicam-a-diferenca-entre-o-enem-e-a-fuvest.ghtml, 28/11/2017

Professores explicam a diferença entre o Enem e a Fuvest

Com o passar dos anos, os dois principais vestibulares do Brasil foram ganhando semelhanças, mas ainda são muito diferentes; entenda as principais características de cada um.

Por Ana Carolina Moreno, G1

Um é o maior. O outro, o mais difícil. Apesar de serem os dois principais vestibulares do Brasil atual, o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e a Fuvest são bastante diferentes. Professores ouvidos pelo G1 afirmaram que, neste ano, eles apresentaram algumas semelhanças, mas continuam mantendo suas características principais.

Seleção para mais vagas x seleção mais concorrida

O Enem ganhou o formato atual, de vestibular, em 2009. No mesmo ano, ele passou a ser usado pelo Sistema de Seleção Unificada (Sisu) para vagas em universidades federais e estaduais. Na edição de janeiro de 2017, 131 instituições usaram o Sisu para selecionar candidatos para 238 mil vagas de graduação.

Já a Fuvest existe desde a década de 1970 para selecionar todos os anos os calouros da Universidade de São Paulo (USP). Até três anos atrás, era a única forma de entrar na instituição. Atualmente, parte das vagas são selecionadas pelo Sisu. Considerada a melhor universidade do país segundo diversos rankings internacionais, a USP mantém algumas das notas de corte e concorrências mais altas entre todos os vestibulares. Neste ano, cada vaga de medicina oferecidas na Capital pela Fuvest é disputada por mais de 135 candidatos.

Conteúdo x contexto

Apesar de ter ficado com cara de vestibular em 2009, o Enem manteve algumas de suas características originais: a principal delas é a contextualização das questões. Com enunciados inspirados na atualidade e no cotidiano social, as provas fugiam da "decoreba" de exames tradicionais. Além disso, a divisão das provas por áreas do conhecimento, e a mescla de conteúdos interdisciplinares também fizeram o exame se destacar dos demais.

Em 2010, a Fuvest passou a adotar também a interdisciplinaridade na segunda fase, que passou a ter três dias de prova, em vez de dois, e questões que misturam matérias de mais de uma disciplina.

Para os professores, o nível de exigência é a principal diferença que impacta a preparação dos candidatos para as duas provas.

"Comparando com o Enem, [a Fuvest 2018] foi uma prova bem diferente, assim como sempre foi", explicou Vinicius de Carvalho Haidar, coordenador do Curso Poliedro. "O Enem ficou mais conteudista, mas ainda está muito distante da prova da Fuvest. A Fuvest teve questões com texto, com contextualização como faz o Enem, mas foram algumas questões", disse ele.

"Nesse ano o Enem tinha muitas questões que exigiam o conceito, mas outras que daria para responder só vendo o contexto. Já na Fuvest não. Se não sabe, não resolve, na grande maioria das questões." - Vinicius de Carvalho Haidar (Poliedro)

"As questões de física e química, mais contextualizadas que em anos anteriores, apresentaram uma proximidade maior com relação ao Enem", explicou Celio Tasinafo, coordenador pedagógico da Oficina do Estudante. "Por outro lado, não observamos a mesma contextualização do Enem nas questões de matemática e biologia."

Para o professor Edmilson Motta, coordenador do Curso Etapa, a Fuvest ainda se mantém "amarrada" ao modelo conteudista. Ele deu como exemplo a questão de matemática que falou sobre polinômios na primeira fase da Fuvest, que aconteceu no último domingo (26). "Essa questão é como as estrelas, você olha para ela e vê o passado. Isso não existia mais em vestibular, só em vestibular de escola militar, ITA, e caiu na Fuvest. Você vai passar vergonha de falar que nunca cairia uma questão assim."

Metodologia inovadora

Outra novidade introduzida pelo Enem em 2009 foi a Teoria de Resposta ao Item, conhecida como TRI. Ao contrário da prova clássica, da qual a Fuvest é a mais tradicional representante, a TRI é usada em provas de grande escala, como a Prova Brasil, mas o Enem é o primeiro exame seletivo que a implementou. A principal diferença é que, pela TRI, o número de questões certas não corresponde a uma nota direta.

Enquanto na Fuvest, que segue o modelo clássico, a prova tem 90 questões e quem acertar 80 delas fica com 80 pontos, no Enem, duas pessoas podem acertar 40 de 45 questões em uma das provas, mas ficar com notas diferentes.

Isso porque a TRI usa três critérios diferentes para definir a pontuação de cada candidato em cada questão: a discriminação (ou seja, o poder de distinguir quem sabe e quem não sabe a matéria), o grau de dificuldade da questão (definido pelo Inep durante os pré-testes das questões) e a possibilidade de acerto ao acaso (o "chute"). Clique aqui para entender mais sobre a TRI