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REVISTA GESTÃO UNIVERSITÁRIA – 04/12/2017 – BELO HORIZONTE, MG

A Necessidade do Professor de Educação Física Na Educação Infantil

PALOMA FRANCO DE BRITO -

ELAINE THAISE RODRIGUES FERNANDES RA: 61383;JÉSSICA TATIANE RODRIGUES DE ALMEIDA RA: 61208; PALOMA FRANCO DE BRITO RA: 61865;VALÉRIA CARDOSO VASCONCELOS RA: 60787;ORIENTADOR(A): PROFESSOR EDUARDO OKUHARA; CENTRO UNIVERSITÁRIO ÍTALO BRASILEIRO

APRESENTAÇÃO

Considerando a importância da Educação Infantil e das necessidades de aprendizagem motora que ela requer, percebemos que a disciplina Educação Física aplicada por seu respectivo professor são componentes essenciais no desenvolvimento das crianças desta faixa etária, não só no aspecto motor, mas também no cognitivo, afetivo e social. Desta forma, propomos neste projeto a aplicação de aulas ministradas por professores de Educação Física na Educação Infantil.

A Educação Física é um componente curricular obrigatório da Educação básica Infantil, porém, quem foi designado a ministrar as atividades relacionadas a este componente curricular nas escolas públicas foi o professor generalista (pedagogo). Apesar de ter a formação adequada e direcionada ao ensino de crianças, o professor pedagogo não possui em sua formação disciplinas específicas e abrangentes relacionadas ao “movimento”, e quando possuem é de forma muito superficial e limitada ao campo pedagógico. O professor de Educação Física possui em sua formação conteúdos relacionados ao “movimento” em todos os aspectos: fisiológico, psicológico, cultural, social, biológico, educacional, desenvolvimentista, dentre outros, ou seja, de forma mais específica e aprofundada.

Nesta proposta o professor formado em Educação Física deve utilizar os conhecimentos específicos de sua área para proporcionar aos alunos, através de conteúdos aplicados de forma lúdica e recreativa, o desenvolvimento das capacidades físicas, intelectuais e sócio afetivas dos alunos, com uma gama maior de possibilidades de atividades ligadas ao “movimento”. E deste modo, compreender e expor o papel e a importância da disciplina Educação Física e do seu profissional na Educação Infantil, fornecendo assim subsídios para maior valorização deste componente curricular dentro deste contexto escolar.

DIAGNÓSTICO

A ESCOLA

Neste projeto realizaremos registros de aulas de Educação Física aplicadas em uma escola particular especializada em Educação Infantil, a escola trabalha com as duas etapas da Educação Infantil – creche e pré-escola, atendendo assim crianças de 0 a 5 anos de idade, e também com o Ensino Fundamental I, crianças de 6 a 10 anos de idade.

Nossos registros serão das aulas dadas às crianças de 4 e 5 anos de idade que fazem parte da segunda etapa do Ensino Infantil, etapa esta em que eles estão começando a ter melhor absorção de conhecimentos relacionados ao seu próprio corpo e melhor desenvolvimento dos movimentos fundamentais andar, correr, saltar, etc., movimentos que vão se constituir na base de toda aquisição motora futura.

O colégio possui brinquedoteca, parques e pátios com pisos antiderrapantes, proporcionando assim ambiente adequado para as aulas de Educação Física que são ministradas por professores especialistas da respectiva disciplina, aplicando assim aos seus alunos o aprendizado e desenvolvimento motor de forma mais específica e aprofundada, com uma gama maior de possibilidades de atividades ligadas ao “movimento”, propiciando assim o desenvolvimento das capacidades não só físicas, mas também, intelectuais e sócio afetivas dos alunos.

Assim como este colégio, outros que também são de cunho particular, seguem de forma adequada a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional no que diz respeito ao artigo 26, inciso 3°, que diz “A educação física, integrada à proposta pedagógica da escola, é componente curricular obrigatório da educação básica”. Estes colégios além de ter a Educação Física dentro de seu plano de ensino, aplicam este conteúdo com o professor devidamente formado nele, como deveria ser também nas escolas de cunho público, que aplicam sim este componente, porém, com um professor de outra formação, o pedagogo.

A EDUCAÇÃO INFANTIL

De acordo com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional - LDB (BRASIL, 1996), a educação até os seis anos de idade ficou definida como Educação Infantil. Em 2005 houve uma alteração que reduziu a educação infantil para até os 5 anos de idade. De acordo com o artigo 30 da LDB, a educação infantil é oferecida em creches, ou entidades equivalentes, para crianças de até três anos de idade e pré-escolas, para crianças de quatro a cinco anos de idade.

Em 1998 foi desenvolvido o Referencial Curricular Nacional para Educação Infantil - RCNEI (BRASIL, 1998), para servir como guia de conteúdos, objetivos e orientações didáticas escolares, visando mais qualidade do ensino ao contribuir com a qualificação de seus educadores. Dentre os objetivos gerais que o RCNEI estabelece, não há uma referência clara à Educação Física, mas sim no que se refere ao “corpo” e ao “movimento”, como por exemplo:

Descobrir e conhecer progressivamente seu próprio corpo, suas potencialidades e seus limites, desenvolvendo e valorizando hábitos de cuidado com a própria saúde e bem-estar; Brincar, expressando emoções, sentimento, pensamentos, desejos e necessidades; Utilizar as diferentes linguagens (corporal, musical, plástica, oral e escrita) ajustadas às deferentes intenções e situações de comunicação, de forma a compreender e ser compreendido, expressar suas idéias, sentimentos, necessidades e desejos e avançar no seu processo de construção de significados enriquecendo cada vez mais sua capacidade expressiva. (BRASIL, 1998, p. 63).

O DESENVOLVIMENTO MOTOR NA EDUCAÇÃO INFANTIL - NECESSIDADES E CONTEÚDOS

A Educação infantil é uma fase em que as crianças aprendem através de observações e repetições de movimentos. Nesta fase o desenvolvimento do potencial motor é imprescindível para o desenvolvimento dos potenciais cognitivos, afetivos e sociais. De acordo com o RCNEI (BRASIL, 1998) o movimento é uma importante dimensão do desenvolvimento e da cultura humana. Através da experimentação dos movimentos é que a criança aprende e incorpora hábitos, associa contextos e se relaciona com o ambiente ao seu redor.

As crianças se movimentam desde que nascem, adquirindo cada vez maior controle sobre seu próprio corpo e se apropriando cada vez mais das possibilidades de interação com o mundo. Engatinham, caminham, manuseiam objetos, correm, saltam, brincam sozinhas ou em grupo, com objetos ou brinquedos, experimentando sempre novas maneiras de utilizar seu corpo e seu movimento. Ao movimentar-se, as crianças expressam sentimentos, emoções e pensamentos, ampliando as possibilidades do uso significativo de gestos e posturas corporais. O movimento humano, portanto, é mais do que simples deslocamento do corpo no espaço: constitui-se em uma linguagem que permite às crianças agirem sobre o meio físico e atuarem sobre o ambiente humano, mobilizando as pessoas por meio de seu teor expressivo. (BRASIL, 1998, p16)

Segundo o RCNEI (BRASIL, 1998) a simples forma de andar, por exemplo, é resultado da observação e interação social da criança com o meio em que ela vive, este e outros movimentos foram construídos em função de diferentes necessidades, interesses e possibilidades corporais humanas presente nas diferentes culturas em diversas épocas da história.

A criança tem determinadas características de desenvolvimento dos movimentos de acordo com sua faixa etária, são elas, para crianças de 4 a 5 anos: Ampliação do repertório de gestos instrumentais; Nos gestos como recortar, colar, encaixar peças, etc.; Capacidade de planejar e antecipar ações; Desenvolvimento crescente de recursos de contenção motora. (BRASIL, 1998, p. 24)

Ao brincar, jogar, imitar e criar ritmos e movimentos, as crianças também se apropriam do repertório da CCM na qual estão inseridas. O trabalho com movimento contempla a multiplicidade de funções e manifestações do ato motor, propiciando um amplo desenvolvimento de aspectos específicos da motricidade das crianças, abrangendo uma reflexão acerca das posturas corporais implicadas nas atividades cotidianas, bem como atividades voltadas para a ampliação da cultura corporal de cada criança (BRASIL, 1998).

Desta forma é dever das instituições de educação infantil proporcionar um ambiente que possibilite a ampliação destes conhecimentos acerca de si mesma, dos outros e do meio em que vivem. De acordo com o RCNEI (BRASIL, 1998) a prática da educação infantil deve se organizar de modo que as crianças desenvolvam as seguintes capacidades com eixo no movimento, para crianças de 4 a 5 anos:

Ampliar as possibilidades expressivas do próprio movimento, utilizando gestos diversos e o ritmo corporal nas suas brincadeiras, danças, jogos e demais situações de interação; Explorar diferentes qualidades e dinâmicas do movimento, como força, velocidade, resistência e flexibilidade, conhecendo gradativamente os limites e as potencialidades de seu corpo; Controlar gradualmente o próprio movimento, aperfeiçoando seus recursos de deslocamento e ajustando suas habilidades motoras para utilização em jogos, brincadeiras, danças e demais situações; Utilizar os movimentos de preensão, encaixe, lançamento etc., para ampliar suas possibilidades de manuseio dos diferentes materiais e objetos; Apropriar-se progressivamente da imagem global de seu corpo, conhecendo e identificando seus segmentos e elementos e desenvolvendo cada vez mais uma atitude de interesse e cuidado com o próprio corpo. (BRASIL, 1998, p. 27)

O RCNEI (BRASIL, 1998) explica ainda que, para atingir os objetivos citados, os conteúdos utilizados devem respeitar as diferentes capacidades das crianças de acordo com sua faixa etária e sua cultura corporal. Devem ser organizados de forma que possam ser realizados pela criança sozinha ou em interação com outras.

Os diferentes espaços e materiais, os diversos repertórios de cultura corporal expressos em brincadeiras, jogos, danças, atividades esportivas e outras práticas sociais são algumas das condições necessárias para que esse processo ocorra. De acordo com o RCNEI (BRASIL, 1998) os conteúdos estão organizados em dois blocos, o primeiro refere-se às possibilidades expressivas do movimento e o segundo ao seu caráter instrumental:

Expressividade - Crianças de 4 a 5 anos: Utilização expressiva intencional do movimento nas situações cotidianas e em suas brincadeiras; Percepção de estruturas rítmicas para expressar-se corporalmente por meio da dança, brincadeiras e de outros movimentos; Valorização e ampliação das possibilidades estéticas do movimento pelo conhecimento e utilização de diferentes modalidades de dança; Percepção das sensações, limites, potencialidades, sinais vitais e integridade do próprio corpo. Equilíbrio e Coordenação - Crianças de 4 a 5 anos: Participação em brincadeiras e jogos que envolvam correr, subir, descer, escorregar, pendurar-se, movimentar-se, dançar etc., para ampliar gradualmente o conhecimento e controle sobre o corpo e o movimento; Utilização dos recursos de deslocamento e das habilidades de força, velocidade, resistência e flexibilidade nos jogos e brincadeiras dos quais participa; Valorização de suas conquistas corporais. Manipulação de materiais, objetos e brinquedos diversos para aperfeiçoamento de suas habilidades manuais. (BRASIL, 1998, p. 36)

A IMPORTÂNCIA DA EDUCAÇÃO FÍSICA E SEU RESPECTIVO PROFESSOR NA EDUCAÇÃO INFANTIL

Conforme registros de Kunz (2004), o conteúdo principal da Educação Física é o “se – movimentar” humano e, apesar dos inúmeros estudos até hoje realizados, é ainda uma tarefa de difícil constatação, sendo ainda pouco entendido que a disciplina enquanto área pedagógica contribui efetivamente na formação da cidadania. Para o autor, a Educação Física apresenta conteúdos que visam mais que a aprendizagem motora, que estão voltados também para o desenvolvimento social do aluno contribuindo para o desenvolvimento de competências cognitivas, afetivas e sociais.

No caso do Ensino Infantil o professor deve sempre dar ênfase aos três elementos: Espaço, Corpo e Tempo, que apenas se separam didaticamente para que possam ser estudados, mas na prática eles andam juntos.

CORPO - Consciência corporal – segmentos, postura, mobilidade, musculatura, lateralidade. Habilidades motoras – manipulação (quicar, arremessar...), locomoção (andar, corre, pular...) e estabilização (equilibrar-se). Capacidades físicas básicas – velocidade, resistência, força e flexibilidade. ESPAÇO – Compreende propostas de Direções (frente, trás...), planos (alto, baixo, dentro, fora...). TEMPO - Adequação do tempo em relação a execução da ação. Envolve ritmo, métrica. (aspectos qualitativos – o que vem primeiro, segundo, último) Noções de antes, durante, agora, depois, amanhã, ontem. Noções de pausa e sua duração, rápido/lento, forte/fraco, leve/pesado. (KUNZ, 2004, P. 26)

O professor deve ministrar as aulas buscando atender todos os objetivos da Educação Física, visando todos os aspectos motores, sociais, cognitivos e afetivos. As aulas devem possuir atividades que ativem o sistema fisiológico, cardíaco, vascular, respiratório e nervoso. No caso da Educação Física Infantil as destrezas podem e devem ser desenvolvidas, porém não deve haver a cobrança de resultados com relação à execução perfeita dos movimentos, além disso, a ludicidade deve estar sempre presente nas aulas, pois a criança aprende brincando.

A Educação Física pode ser considerada um dos principais elementos da Educação Infantil, pois, por intermédio de conteúdos aplicados de forma lúdica e recreativa, possibilita à criança a construção do conhecimento. Segundo Gava, França e Rosa (2010) a escola infantil é um lugar de descobertas e de ampliação das experiências, é um espaço onde se integra o desenvolvimento da criança. A Educação Física Infantil:

[...] tem um papel fundamental na Educação Infantil, pela possibilidade de proporcionar às crianças uma diversidade de experiências através de situações nas quais elas possam criar, inventar, descobrir movimentos novos, reelaborar conceitos e idéias sobre o movimento e suas ações. Além disso, é um espaço para que, através de situações de experiências – com o corpo, com materiais e de interação social – as crianças descubram os próprios limites, enfrentem desafios, conheçam e valorizem o próprio corpo, relacionem-se com outras pessoas, percebam a origem do movimento, expressem sentimentos, utilizando a linguagem corporal, localizem-se no espaço, entre outras situações voltadas ao desenvolvimento de suas capacidades intelectuais e afetivas, numa atuação consciente e crítica. (BASEI, 2008 apud GAVA, FRANÇA, ROSA, 2010, p. 1)

De acordo com Le Boulch (1988 apud GAVA, FRANÇA, ROSA, 2010), a Educação Física é tão importante quanto as demais áreas educativas, pois procura desabrochar no indivíduo suas aptidões e aquisições de habilidades e capacidades. Esta sempre recebeu um papel secundário dentro da Educação, mas as pesquisas científicas apontam que é impossível educar integralmente sem levar em conta o ato motor.

Gallahue (2005), citado por Gava, França e Rosa (2010), enfatiza a relevância do desenvolvimento integral do indivíduo, compreendendo os aspectos motor, cognitivo e afetivo-social, havendo uma interdependência entre esses aspectos. Salienta também, ser entre dois e sete anos, a fase de aquisição dos movimentos fundamentais (andar, correr, saltar, arremessar, receber, chutar, quicar), que vão se constituir na base de toda aquisição motora posterior. Sem a aprendizagem efetiva desses movimentos, é difícil e impróprio aprender um esporte, uma dança, ginástica ou luta (modalidades compostas de movimentos especializados). A experiência motora adequada reflete-se também na alfabetização e raciocínio lógico matemático segundo Freire (1997), citado por Gava, França e Rosa (2010).

Segundo Ayoub (2001) podemos considerar que sua inserção na Educação Infantil significa um avanço para o ensino da Educação Física, porém uma educação democrática e de qualidade não depende só de leis, mas também de políticas de ações governamentais que garantam condições para sua concretização. Desta forma há o que se refletir ainda a respeito do espaço que a Educação Física tem dentro do Ensino Infantil.

De acordo com Melo (2006), citado por Correia et. al. (2010), é função dos professores de Educação Física direcionar com clareza seus conteúdos de ensino e sua organização nos diferentes ciclos de escolarização, diferentemente da padronização de conteúdos que se repete de forma hegemônica em todos os contextos e níveis de escolarização, bem como desmistificar a ideia de que a Educação Física é uma extensão curricular, caracterizada por organização de atividades complementares, e não por sua função pedagógica de trabalhar de forma contextualizada a Cultura Corporal de Movimento que deve levar os alunos a ressignificarem seu convívio social, apropriando- se dele.

Ao analisar o Currículo e Plano Pedagógico dos cursos de Pedagogia e Educação Física da Universidade Estadual de Maringá as autoras Cavalaro e Muller (2009) constatam que os cursos apresentam objetivos e conhecimentos distintos para a formação dos profissionais que ingressam nesta instituição e que atuarão na educação básica.

De acordo com as autoras Cavalaro e Muller (2009) os dois cursos têm o intuito de formar professores aptos ao que se destina cada licenciatura, porém os objetivos do curso de Educação Física são mais abrangentes no que diz respeito aos tópicos: “Possibilitar aplicação de conhecimento nas diversas áreas relativas à educação física” e “Oportunizar uma maior integração curricular entre as disciplinas oferecidas pelos departamentos de diferentes centros”, querendo desta forma ampliar seus conhecimentos no intuito de integrar-se às demais áreas, articulando saberes e práticas que não devem ficar reduzidos a uma única disciplina ou área de conhecimento.

Já os futuros profissionais de pedagogia não têm disciplinas que contemplem a educação física na sua grade curricular, não consta um estudo específico sobre Linguagem Corporal ou Cultura de Movimento ou ainda Ludicidade, conteúdos que necessitam como base o “Movimento”, que inclusive está explícito no Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil e que pelo visto não é tratado no curso de Pedagogia da Universidade Estadual de Maringá (CAVALARO, MULLER, 2009).

Através da pesquisa realizada pelas autoras Cavalaro e Muller (2009) está claro que a educação física estuda o “movimento” em todos os aspectos: fisiológico, psicológico, cultural, social, biológico, educacional, desenvolvimentista, dentre outros. Com estes fatores tão importantes para a formação e desenvolvimento da criança devemos questionar que os mesmos sejam trabalhados de forma generalizada. A intenção não é comparar quantitativa ou qualitativamente os dois cursos, mas sim investigar se o conhecimento do pedagogo(a) formado(a) para atuar na educação infantil, acerca do “movimento”, é equivalente ao do professor de educação física.

Portanto é de suma importância a reflexão sobre a Educação Física na Educação Infantil, a relação do professor especialista atuando junto ao professor pedagogo, para juntos obterem melhor desenvolvimento de forma mais específica e completa.

OBJETIVOS

OBJETIVO GERAL

Compreender o papel e a importância do professor de Educação Física no desenvolvimento motor, cognitivo, afetivo e social de crianças de 4 e 5 anos da Educação Infantil.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS

• Estimular o desenvolvimento de uma consciência corporal;

• Obter amplitude de movimentos e gestos corporais;

• Desenvolver a competência psicomotora com atividades de orientação espacial, temporal, direcional, lateralidade, equilíbrio e coordenação;

• Possibilitar formas de expressão e comunicação para uma interação com o meio em que vivem;

• Enfatizar a importância da cooperação e respeito aos colegas e as regras nas atividades das aulas e em situações vividas no geral, dentro e fora da escola.

METAS

Almejamos que através deste registro e relato, as aulas de Educação Física executadas neste Colégio sejam aplicadas mais do que só uma vez na semana, e que aumente o volume de alunos participantes, atualmente atingimos cerca de 20 a 25 alunos, estimamos que este número possa aumentar para pelo menos 30 a 35 alunos, visto a importância deste conteúdo para esta faixa etária. E que a Educação Física seja implantada em mais escolas de Ensino Infantil, levando a proposta também para as escolas públicas, onde não há este tipo de trabalho.

METODOLOGIA

As aulas serão realizadas através de atividades lúdicas e recreativas estimulando possibilidades de diversos movimentos e gestos corporais, expressão, comunicação e interação com o meio em que vivem. Serão aplicadas pela professora de Educação da instituição, com a participação das integrantes deste projeto durante a aplicação das atividades e registro das vivências e evoluções das crianças durante as aulas, durante o período de dois meses.

As aulas são realizadas inicialmente uma vez por semana, às terças feiras, com duração de 45 minutos cada, turmas mistas com cerca de 20 a 25 alunos.

RESUMO DAS ATIVIDADES REALIZADAS

Nome: “Pato ou Ganso” (adaptação do jogo “Corre Cotia”)

Materiais: nenhum

Formação: em círculo, sentados no chão

Desenvolvimento: um aluno deve andar ao redor do circulo, e tocar na cabeça de cada um dos colegas pelo qual ele passar, chamando cada colega de “pato”, este o aluno escolherá um dos colegas que ele tocar e o chamará e ganso, este colega deve correr e tentar pegar este aluno, que, se for pego deverá sentar-se no meio da roda, mas se conseguir se sentar no local que o colega deixou vago, este mesmo colega deverá repetir a brincadeira da mesma forma.

Objetivos: desenvolver a atenção, agilidade e velocidade.

Nome: Circuito

Materiais: banco, cordas, cones

Formação: em fileira, em pé.

Desenvolvimento: várias atividades em sequência - na primeira atividade os alunos tentam atravessar para o outro lado deslizando o corpo em cima do banco, puxando ou empurrando o corpo sobre o banco até chegar à outra ponta – na segunda atividade os alunos deveriam pular sobre uma corda no chão que simulava uma cobra se mexendo, com a ajuda da professora que mexia a corda. – terceira atividade atravessar em zingue zague uma fileira de cones, além disso ao passar pelos cones os alunos podem imitar animais.

Objetivos: desenvolver o domínio corporal, noção de espaço, força com o peso do próprio corpo, equilíbrio, lateralidade e agilidade.

Nome: “Pega-pega de Jogos Eletrônicos” (adaptação do jogo “Queimada”)

Materiais: coletes e bola

Formação: espalhados pelo local, em pé

Desenvolvimento: um aluno é escolhido pra pegar os demais, este aluno pode escolher um personagem de desenho animado que ele será e deverá utilizar a bola como um poder do personagem e arremessá-la em um colega para marcar ponto, o colega atingido deve se proteger da bola com as mãos.

Objetivos: desenvolver a percepção de associação de conteúdos do dia a dia com a atividade, criatividade, noção de espaço e tempo, agilidade, velocidade e manejo de bola.

Nome: Circuito

Materiais: pneus e arcos (bambolês)

Formação: em fileira, em pé

Desenvolvimento: várias atividades em sequência - na primeira atividade os alunos tentam atravessar para o outro lado passando por cima de pneus que estavam posicionados em fileira no chão – na segunda atividade os alunos deveriam pular com os pés dentro do bambolê, simulando os pulos de uma amarelinha.

Objetivos: desenvolver domínio corporal, noção de espaço, força com o peso do próprio corpo, equilíbrio, atenção e coordenação.

RECURSOS INSTITUCIONAIS

• Mini parque e Pátio com pisos antiderrapantes

RECURSOS MATERIAIS

Os materiais a serem mencionados já constam no Colégio, não sendo necessária a aquisição de novos.

• Mini Cones

• Cordas

• Bancos

• Arcos (Bambolês)

• Bola

• Coletes

• Pneus

SISTEMA DE AVALIAÇÃO

O acompanhamento das atividades será realizado pelo coordenador, que registrará por meio de relatório, e as observações e avaliações de cada atividade e desempenho alcançado, serão registradas em relatórios e fotos pelas professoras idealizadoras deste projeto.

Relato de experiência - Elaine Thaise Rodrigues Fernandes

As crianças são muito criativas, o que ajuda muito na elaboração de atividades que englobe o “mundo” delas. Elas tem dificuldade de socialização, no que diz respeito a deixar o colega ser o “responsável” pelo andamento do jogo, como por exemplo: o aluno “pegador” do pega-pega, pois todos queriam ser. Eles ainda estão em desenvolvimento da maturidade, das habilidades motoras, coordenação, lateralidade, espaço, equilíbrio, força. Porém não importa a dificuldade que eles tenham, eles sempre estão dispostos a participar das atividades. Diante das dificuldades e necessidades que os alunos apresentam, e da gama de possibilidades de aprendizados que a Educação Física oferece, ficou claro para nós a importância que o professor de Educação Física tem no Ensino Infantil no que se refere ao desenvolvimento não só motor, mas também cognitivo, afetivo e social das crianças.

REFERÊNCIAS

AYOUB, ELIANA. Reflexões sobre a educação física na educação infantil. Revista Paulista de Educação Física, São Paulo, supl. 4, p. 53-60, 2001. Disponível em: < https://www.revistas.usp.br/rpef/article/download/139594/134898> Acesso em: 05 out. 2017.

BRASIL. Ministério da Educação e do Desporto. Secretaria de Educação Fundamental. Referencial curricular nacional para a educação infantil. Ministério da Educação e do Desporto, Secretaria de Educação Fundamental. Brasília: MEC/SEF,1998. Disponível em: Acesso em: 05 out. 2017.

CAVALARO, A. G.; MULLER, V.R. Educação Física na Educação Infantil: uma realidade almejada. Educar, Curitiba, n. 34, p. 241-250, UFPR, 2009. Disponível em: Acesso em: 05 out. 2017.

CORREIA, M. S.; NEVES, E. S.; MIRANDA, M. L. J.; VELARDI, M. O papel da educação física escolar diante do fenômeno da violência na escola. Integração, São Paulo, ano XVI, n. 61, p. 149-154, abr. / mai. / jun. 2010. Disponível em: Acesso em: 05 out. 2015.

GAVA, D.; FRANÇA, E. S.; ROSA, R. Educação Física na Educação Infantil: considerações sobre sua importância. Efdeportes Revista Digital, Buenos Aires, ano 15, n. 144, maio de 2010. Disponível em: Acesso em: 05 out. 2015.

KUNZ, E. Transformação didática-pedagogica do esporte. Ijuí: UNIJUI, 2004.