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Portal G1, https://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2018/10/02/como-os-filmes-adolescentes-estao-mudando-para-agradar-a-nova-geracao.ghtml, 02/10/2018

Como os filmes adolescentes estão mudando para agradar a nova geração?

Representatividade e saúde mental são alguns dos aspectos que guiam produções recentes como Para todos os garotos que já amei , Quase 18 e Sierra Burgess is a loser .

Por Thaís Matos, G1

Protagonistas de "Com amor, Simon", "Para todos os garotos que já amei", "Lady Bird", "Quase 18" e "Sierra Burgess is a loser" — Foto: Divulgação

Nove entre dez pessoas se derreteram com "Para todos os garotos que já amei" desde o lançamento na Netflix em agosto, segundo avaliação do público no site Rotten Tomatoes. Mais que o charme do novo galã teen Noah Centineo, ou a graça da novata Lana Condor, o filme chamou atenção pela sutileza com que retrata o romance na juventude.

Lara Jean, de Para todos os garotos que já amei , é uma protagonista não convencional, porque:

·         Não é sexualizada

·         Não passa por uma mudança de visual que revelará sua beleza escondida

·         Não foi feita para promover a redenção do menino amado e problemático (a famosa manic pixie dream girl).

·         É uma adolescente absolutamente normal. Poderia ser você, sua irmã, uma amiga da escola.

Noah Centineo e Lana Condor, protagonistas do filme "Para todos os garotos que já amei"

Outros filmes adolescentes lançados recentemente também romperam com a fórmula de "high school" americano de clássicos do estilo como “Meninas Malvadas”, “A Nova Cinderela” e “Ela é o cara”. Cada filme representa uma das principais divas adolescentes nos anos 2000: Lindsay Lohan, Hilary Duff e Amanda Bynes.

A impressão geral é que há algo diferente nas novas produções. “Lady Bird”, primeiro longa solo da diretora Greta Gerwig, foi o mais vitorioso desse novo momento do gênero. Ao ser indicado a 5 Oscars em 2018, ele mostrou que as produções de "coming of age" (amadurecimento) podem ser mais do que brigas de tribos no ensino médio.

Em maio deste ano, o cinema abordou a descoberta da sexualidade (e todos os dilemas que a seguem) de um adolescente gay em “Com amor, Simon”. A luta interna e externa são retratadas sem estereótiposs no longa de Greg Berlanti.

Cena de Com Amor, Simon — Foto: Reprodução

Logo depois, veio “Para todos os garotos que já amei”. Esperando repetir o sucesso, a Netflix apostou em outro filme com temáticas complicadas.

Em setembro, saiu “Sierra Burgess is a Loser”, sobre uma adolescente que sofre gordofobia. Apesar de falar de bullying e aceitação, o filme recebeu críticas por não ter elementos tão bem explorados em seus antecessores: sutileza e negação dos clichês.

As produções mais recentes vêm se transformando para incorporar valores em alta, sobretudo entre os jovens, como:

·         Preocupação com saúde mental

·         Aumento da diversidade

·         Respeito à orientação sexual

·         Mais empatia entre os personagens

·         Empoderamento feminino

·         Aceitação do corpo

Saoirse Ronan e Beanie Feldstein em cena de Lady Bird — Foto: Divulgação

Mas a fórmula para conquistar uma legião de fãs não é tão simples quanto levantar todas as bandeiras do politicamente correto.

"Às vezes, os filmes apresentam diálogos que parecem sermões ou aulas e isso incomoda porque as pessoas não conversam desse jeito. Se o filme utiliza esse recurso para defender uma causa, é um tiro no pé", avalia o psicólogo Antônio Carlos Amador, professor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.

“É importante tocar em temas sensíveis, mas sem se tornar uma escolinha”.

Além disso, os filmes aprenderam a tratar o adolescente com respeito, segundo a professora Tatiana Travisani, coordenadora do Curso de Cinema da Universidade Anhembi Morumbi.

“Mudou a abordagem. Antes, eles tratavam o adolescente de modo um pouco pejorativo, como pessoas perdidas e caricatas. Agora, os filmes os levam a sério e mostram que seus problemas não são ridículos’".

Quais os elementos do sucesso?

Gênero consagrado

John Hughes se tornou o herói das comédias adolescentes após dirigir “Curtindo a vida adoidado”, “Clube dos Cinco”, “Gatinhas e Gatões” e “Garota Rosa Shocking”.

Com status de cult hoje, eles são retratos bem-humorados desta fase complicada. O gênero é consagrado e queridinho dos jovens porque cria um elo entre o que vivem e o que veem nas telas, usando seu cotidiano para criar ficção.

Personagens comuns

Identificação e representatividade são valores reivindicados pelos movimentos de igualdade. Personagens com dilemas, com rostos, corpos e famílias reais têm ganhado o coração dos espectadores.

Para Travisani, a identificação sempre foi uma temática importante e acabou criando o “modo espelho”, em que as pessoas anseiam se reconhecer no que veem. “Isso mudou inclusive o modo de atuação, uma vez que o ator traz elementos de sua personalidade para deixar os personagens mais verossímeis”.

Thaís Moreira, estudante de 23 anos, tem acompanhado a nova leva de filmes: “Pela primeira vez, eu assisto a um filme adolescente e sinto que aquela situação poderia acontecer comigo ou qualquer uma das minhas amigas”.

Saúde mental

Ansiedade, estresse e depressão têm ganhado cada vez mais visibilidade no Brasil e no mundo. Com o crescimento do debate, o assunto também ganhou filmes.

“Não faz sentido fazer um tratado sobre transtornos mentais em um filme”, defende Amador. “Mas ele também não pode ser raso. É preciso ter uma boa consultoria para não desencadear justamente o que se busca combater”.

Geração combativa

Movimentos como o “Me too”, que tomou hollywood por igualdade de gênero com pautas contra o assédio e igualdade salarial, ajudam a incorporar na indústria essa preocupação com uma sociedade igualitária.

Parece não existir mais espaço para produções que sejam “politicamente incorretas” ou que reproduzam estereótipos e papéis que as minorias não aturam mais representar.

LGBT

Um romance adolescente protagonizado por homossexuais, sejam homens ou mulheres, não costumava ser comum.

“Com amor, Simon” e “Me chame pelo seu nome” mostraram o que o cinema estava perdendo ao não explorar a beleza das relações homossexuais nesta época de amadurecimento e deu aos jovens gays e lésbicas retratos cinematográficos dos amores que vivem e viveram fora das telas.

Para assistir

"Para todos os garotos que já amei"

Sinopse: E se todos os paixões que você já teve descobrissem como você se sentiu sobre eles tudo de uma vez? A vida amorosa de Lara Jean Song Covey vai do imaginário ao fora de controle quando as cartas de amor para todos os meninos que ela amou - cinco no total - são enviadas misteriosamente.

Ano: 2018

Pontuação no Rotten Tomatoes: 96% (7,2)

"Lady Bird"

Sinopse: Christine McPherson, que cria para si mesma o nome Lady Bird, vive em uma família sem dinheiro e tem que lutar para conseguir sair da cidade pequena em que vive e se mudar para Nova York.

Ano: 2017

Pontuação no Rotten Tomatoes: 99% (8,7)

"Com amor, Simon"

Romance adolescente “Com amor, Simon” aborda homossexualidade

Sinopse: Todos merecem uma grande história de amor. Mas para o jovem de dezessete anos, Simon Spier, é um pouco mais complicado: ele ainda não disse à sua família ou amigos que é gay e ele não conhece a identidade do colega anônimo por quem ele está caído on-line. Resolver os dois problemas se mostra hilário, aterrorizante e transformador de vida. Dirigido por Greg Berlanti (Riverdale, O Flash, Supergirl), escrito por Isaac Aptaker e Elizabeth Berger (This is Us), e baseado no aclamado romance de Becky Albertalli, LOVE, SIMON é uma história divertida e sincera sobre a idade. passeio emocionante de se encontrar e se apaixonar.

Ano: 2018

Pontuação no Rotten Tomatoes: 92% (7,4)

"Sierra Burgess is a Loser"

Sinopse: Uma narrativa moderna da história de Cyrano de Bergerac no ensino médio. A história é centrada em Sierra (Shannon Purser), uma adolescente inteligente que não se enquadra na definição superficial do ensino médio, mas, em um caso de identidade equivocada que resulta em romance inesperado, deve se juntar à garota popular (Kristine Froseth). Para ganhar sua paixão.

Ano: 2018

Pontuação no Rotten Tomatoes: 65% (5,6)

"Quase 18"

Sinopse: Todo mundo sabe que crescer é difícil, e a vida não é mais fácil para a estudante de ensino médio Nadine (Hailee Steinfeld), que já está no topo quando seu irmão mais velho Darian (Blake Jenner) começa a namorar sua melhor amiga Krista (Haley Lu Richardson). De repente, Nadine se sente mais sozinha do que nunca, até que a amizade inesperada de um garoto pensativo (Hayden Szeto) lhe dá um vislumbre de esperança de que as coisas podem não ser tão terríveis, afinal.