Folha
de São Paulo, SÁBADO, 13 DE JULHO DE 2013

CLÁUDIA
COLLUCCI

Exame
único de medicina

SÃO PAULO – É bem-vinda a
iniciativa do governo
federal de estender o exame hoje aplicado a médicos
diplomados no exterior que
queiram atuar no país, o Revalida, também aos
estudantes brasileiros que
estejam concluindo o curso.

Ainda que o teste seja
voluntário e aplicado a apenas uma amostra de alunos, esta
é uma boa hora para
pôr fim a uma antiga suspeita: a de que o exame é
tão exigente que aprovaria
poucos médicos brasileiros.

Hoje, menos de 10% dos
médicos conseguem passar no teste e ter revalidado o seu
diploma para poder
atuar no país. Das duas, uma: ou o exame é mesmo
muito difícil, ou a vasta
maioria dos que vêm tentar a sorte no Brasil é
muito ruim.

O Cremesp (Conselho
Regional de Medicina de São Paulo) considera
básica a prova, afirmando que ela
só mede conhecimentos que todo médico precisa
ter, como reconhecer uma
pneumonia ou tratar uma diarreia.

A maior parte dos inscritos
no Revalida se formou em faculdades da América Latina, em
especial na Bolívia,
onde escolas médicas dispensam o vestibular e cobram
mensalidades que não
chegam a R$ 500 –no Brasil, o valor médio é de
R$ 4.000.

Em 2012, uma médica
argentina reprovada no Revalida disse que teve dificuldades nas
áreas de
epidemiologia e saúde pública, muito centradas na
realidade brasileira.

A questão
é saber o que o
governo vai fazer com os resultados desse balão de ensaio
caso os brasileiros
se deem mal na prova: baixar o nível de exigência
do exame? Exigir mais
qualidade das escolas médicas brasileiras? A ver.

Para o paciente não
interessa onde o médico se formou. Ele quer resolver seus
problemas de saúde.
Então, por que o país não adota um
exame único para o exercício da medicina?

É uma forma de as
entidades
médicas demonstrarem que não estão
preocupadas só com a reserva de mercado. E
de o governo federal deixar claro que suas
intenções para a saúde vão
além das
eleições de 2014.


Categorias: Medicina

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