IG ÚLTIMO
SEGUNDO – 15/07/2013 – SÃO PAULO, SP

Como é o ensino de medicina pelo
mundo

NATÁLIA PEIXOTO 

Modelo que exige trabalho
no SUS para formação médica
é
parecido com o da Inglaterra. Conheça outros.

A partir de 2015, quem
ingressar em um curso de medicina
no Brasil precisará passar oito anos na
graduação, sendo os últimos dois
dedicados ao Sistema Único de Saúde (SUS) . A
mudança, que divide opiniões de
especialistas, faz parte do pacote de soluções
proposto pelo governo federal
para melhorar a formação, distribuir melhor os
profissionais pelo País e sanar
o déficit de médicos.

O modelo parece com o aplicado
na formação na Inglaterra,
onde os médicos precisam passar por um trainee de dois anos
antes de seguirem
para residência. Mas, ao contrário dos
médicos ingleses, os brasileiros ainda
não precisarão passar por um teste de
averiguação de competências, nos moldes
do exame da OAB para advogados, para aturarem no mercado.

Entre os profissionais que
criticaram a decisão, pesou a
obrigatoriedade de trabalhar em hospitais sem estrutura,
além do atendimento da
população por alunos ainda não
graduados. Já entre os que gostaram da mudança,
os argumentos mais ouvidos são a
formação mais completa do profissional antes
de obter o diploma e a
“retribuição” ao governo, no
caso de estudantes de
instituições públicas. A
mudança, entretanto, servirá para todas as
universidades,
privadas ou públicas.

Na semana passada, ao anunciar
a mudança, o ministro da
Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que para o Brasil se
equiparar à Inglaterra,
que tem 2,8 médicos para cada mil habitantes, o
País precisaria de mais 170 mil
médicos. Segundo dados da Organização
Mundial da Saúde (OMS), o índice
brasileiro é de 1,8 médico para cada mil
habitantes, o mesmo desde 2008.

Veja como é
formação em medicina na Inglaterra, Estados
Unidos, Cuba, Espanha, Suíça e Argentina:

Inglaterra (2,8
médicos/mil hab)

Os estudantes ingleses de
medicina, após passar pela
faculdade por cinco anos, precisam ser aprovados em um programa de
trainee
remunerado com dois anos de duração, o Foundation
Programme. No primeiro ano,
que tem no mínimo três meses de prática
de clínica geral, os estudantes atendem
ao público do sistema de saúde público
inglês, supervisionados por
médicos-professores. A partir do segundo ano, com uma
licença profissional
provisória, eles já passam a atender os pacientes
sozinhos. Durante o segundo
ano, um exame do equivalente ao Conselho Federal de Medicina (o General
Medical
Council) avalia se o estudante pode receber o seu CCT (Certificado de
Conclusão
do Trainee, em tradução livre) e então
serem reconhecidos como clínicos gerais.
O exame também pode ser realizado até um ano
após o treinamento. Depois, os
estudantes podem seguir para especializações, que
podem durar de 3 a 8 anos.

EUA (2,8 médicos/mil
hab)

Antes de entrar numa escola de
medicina nos Estados
Unidos (EUA), o estudante precisa se graduar bacharel em alguma
área que
abranja os ciclos básicos de biologia, física,
química e matemática da
universidade norte americana. Essa formação dura
quatro anos. Trabalhos
extracurriculares na área de saúde
também são diferenciais na hora da
avaliação
para ser aceito em curso de medicina. No teste de admissão
para a faculdade, o
MCAT (sigla em inglês), são avaliados
conhecimentos de biologia, química e
física. O curso de medicina dura mais quatro anos, divididos
em atividades em
salas de aula, e, no final, em trabalhos em hospitais, em diversas
especialidades, com a supervisão de médicos. Para
fazer a residência e se
especializar, os estudantes precisam passar por outro exame na
faculdade
escolhida, e o curso pode durar de três a oito anos,
dependendo da instituição
e da área. Antes de serem reconhecidos como
médicos, os estudantes precisam
obter a licença passando em um exame, o U.S. Medical
Licensing Examination
(Exame de licenciamento médico, em
tradução livre, ou USMLE, sigla em
inglês).

Cuba (6,7
médicos/mil hab, dado de 2010)

O estudante de medicina em Cuba
precisa realizar um exame
admissional para entrar no curso, que dura seis anos. Os cinco
primeiros anos
de estudos são divididos entre sala de aula e acompanhamento
de consultas e
plantões em hospitais. O sexto funciona como um trainee,
onde o estudante
trabalha em um hospital supervisionado pelos professores e
médicos da
universidade, e no qual pode ser reprovado. Para exercer medicina no
País, é
preciso passar por um exame estatal, o Examen Estatal Externo Nacional,
composto por um exame prático e outro teórico, e
ser aprovado no trainee. As
faculdades de medicina cubanas são gratuitas, e a Escuela
Latinoamericana de
Medicina (ELAM) oferece bolsas para os estudantes latino-americanos.

Espanha (4
médicos/mil hab, dado de 2010)

Para entrar nas faculdades
espanholas, os estudantes
precisam primeiro passar por uma seleção no
modelo do Enem brasileiro, na
Prueba de Acceso a la Universidad (PAU – ou prova de acesso a
universidade, em
português). O estudante pode se inscrever nos cursos e
universidades de acordo
com a nota obtida no teste. Após completar os seis anos da
faculdade de
medicina, o estudante precisa prestar o exame para se tornar um
Médico Interno
Residente (MIR). De acordo com a nota obtida no MIR o estudante
poderá escolher
em qual área da medicina e na
instituição em que fará sua
especialização, que
pode durar de três a cinco anos. Durante o período
como interno até se tornar
especialista, os estudantes de medicina trabalham nos hospitais
vinculados às
universidades em que estudam.

Suíça
(4,1médicos/mil hab, dado de 2010)

O curso de medicina
é o único que exige um exame seletivo
para os estudantes suíços, por conta do
número limitado de vagas oferecidas
anualmente. A duração média da
formação de um médico
suíço é de 10 anos, dos
quais seis anos são em sala de aula e, nos outros quatro de
sua formação, o
profissional trabalha como médico assistente. Não
existe residência nos moldes
como é no Brasil. Os sistemas de saúde e de
formação médica na
Suíça são
complexos, e o atendimento é estruturado em
médicos da família que fazem o
primeiro contato com o paciente, que só depois é
encaminhado para as outras
especialidades. Não são todos os
serviços públicos de saúde que
são gratuitos.

Argentina (3,2
médicos/mil hab, dado de 2010)

O sistema de
formação de médicos na Argentina
parece com
o atual modelo brasileiro. A duração do curso de
graduação é de seis anos. Para
se especializar, o recém-formado estudante precisa passar
por uma nova
avaliação para entrar no curso de
residência escolhido. O curso varia de dois a
quatro anos de duração, dependendo da
área de estudos.

Noruega (4,2
médicos/mil hab, dado de 2010)

Para se formar
médico, o estudante norueguês precisa
primeiro da graduação de bacharel, em cursos
oferecidos em universidades
públicas e particulares, que dura em média
três anos. O aluno então poderá
seguir para a faculdade de medicina, que dura seis anos e meio e
concede o
diploma básico. Para se tornar especialista, o
recém-formado precisa se dedicar
outros seis a oito anos de estudos, divididos entre atendimento em
hospitais.

Canadá (2,1
médicos/mil hab, dado de 2010)

No mesmo modelo que os EUA, a
maioria das escolas de
medicina do Canadá exigem uma
graduação de bacharel em uma área com
matérias
avançadas de química, biologia e
física, que dura de dois a quatro anos no
País, além da aprovação no
MCAT para ingressar no curso. A faculdade de
medicina dura quatro anos e, ao seu final, o estudante precisa passar
por um
teste do Conselho Médico do Canadá para exercer a
profissão. Os cursos de
residência no País podem durar de quatro a oito
anos.

China (1,8
médicos/mil hab)

Para se formar
médico na China, o critério de
admissão é
o exame nacional em que o aluno concorre a universidade e ao curso
conforme a
nota obtida. O curso de medicina é composto de quatro anos
de estudo, sendo o
último no formato de trainee, onde o estudante trabalha no
hospital ligado a
sua universidade. Após formado, o médico pode
escolher especializações clínicas
ou cirúrgicas, em cursos que duram de dois a três
anos.


Categorias: Medicina

1 comentário

Os comentários estão fechados.

× clique aqui e fale conosco pelo whatsapp