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Folha de São Paulo, Ciência + Saúde, SEXTA-FEIRA, 20 DE SETEMBRO
DE 2013

Métodos alternativos prometem reduzir custo de fertilização

Técnica francesa usa cápsula vaginal para
facilitar encontro entre os gametas e é adotada em cidade no Rio

Procedimento proposto por belgas usa forma mais
barata de obter gás necessário para incubadora de embriões

CLÁUDIA COLLUCCIDE SÃO PAULO

Duas técnicas alternativas prometem diminuir o preço
das fertilizações in vitro em até 90% e simplificar o procedimento usado há 35
anos em casos de infertilidade.

Um dos métodos, desenvolvido na França e já utilizado
no Brasil, dispensa o uso da incubadora onde o embrião se forma, cortando o
custo pela metade.

O encontro do óvulo com o espermatozoide ocorre
dentro de cápsula colocada na vagina. Após três dias, o embrião é retirado da
cápsula e transferido para o útero.

A outra técnica, de origem belga, substitui materiais
caros usados na FIV por outros mais simples. O principal é a incubadora de gás
carbônico, que controla os níveis de acidez do ambiente.

Os pesquisadores obtiveram o gás de forma mais
barata, misturando ácido cítrico e bicarbonato de sódio.

Doze crianças já nasceram por meio da técnica,
segundo estudo apresentado em conferência de fertilidade em Londres. Segundo os
autores, do Genk Institute for Fertility Technology, a eficácia é de 30%,
semelhante à da FIV tradicional, e os custos caíram de 85% a 90% em relação aos
preços de mercado.

No Brasil, cada ciclo de FIV custa entre R$ 6.000 e
R$ 15 mil, sem contar a medicação. O acesso ao tratamento pelo SUS é restrito a
poucos centros de referência.

O ginecologista Eduardo Motta, professor da Unifesp,
pondera que a pesquisa não cita os custos dos remédios que estimulam a ovulação
e nem do material usado para aspirar os óvulos.

"Hoje, só de material, gastamos R$ 1.500, sem contar
o custo do médico, do técnico, do biólogo e das instalações."

Além do gás carbônico, os belgas também usaram
agulhas e cateteres de transferência mais econômicos.

BARATEAMENTO

Para Artur Dzik, presidente da Sociedade Brasileira
de Reprodução Humana, embora a técnica belga tenha potencial de baratear a FIV,
ela é limitada por ter sido usada apenas em casais mais jovens (menos de 35
anos) e sem infertilidade masculina grave.

"Para validar esse barateamento, precisamos de um
estudo multicêntrico, incluindo vários grupos de casais em diferentes países",
diz ele.

O método francês (Invo) usa uma cápsula permeável
pouco difundida no Brasil. Em Campos dos Goytacazes (RJ) a técnica já foi
incluída num programa público de fertilidade. Por ano, são feitos de 35 ciclos,
com taxas de gravidez de 29%.

Segundo o ginecologista Francisco Colucci, do
Hospital Escola Alvaro Alvim, que oferece a técnica, a taxas de gravidez são
semelhantes às da FIV tradicional (o que é contestado por outros especialistas
em reprodução, que apontam eficácia de até 60% da técnica convencional), e o
preço é de R$ 8.000, incluindo a medicação.

Na Invo, a vagina desempenha o papel da incubadora,
mantendo a temperatura ideal e fornecendo o ambiente necessário para o
desenvolvimento do embrião.

Após três dias, a cápsula é removida da vagina e os
embriões são levados ao laboratório. Os de melhor qualidade são transferidos
para o útero. "É mais natural. Na vagina a taxa de oxigenação é de 3% a 5%. Na
incubadora, de 18% 20%", diz Colucci.

A técnica não serve para casos de infertilidade
masculina, quando é indicado o procedimento chamado ICSI, em que um único
espermatozoide é injetado no óvulo.

Para o médico, a principal vantagem do método é o
menor custo do tratamento, o que facilita a adoção pelo serviço público de
saúde.

Na literatura médica sobre a Invo, é apontado o risco
de contaminação dos embriões por germes da vagina, como a Candida albicans.
Colucci contesta. "A cápsula filtra a entrada de bactérias."

Categorias: Medicina

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