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O Estado de São Paulo, 22 Junho 2014 | 02h 04

1/4 da Medicina da USP fez Fuvest 4 vezes

BÁRBARA FERREIRA SANTOS , VICTOR VIEIRA – O ESTADO DE S.PAULO

No curso com uma das
maiores notas de corte, 84% dos aprovados prestam mais de uma vez a prova;
índice geral é de 61% na instituição

Se a preparação para o
vestibular significa ansiedade e noites mal dormidas, o sacrifício é ainda maior
para quem tenta entrar em Medicina na Universidade de São Paulo (USP). No
processo seletivo deste ano, 84% dos futuros médicos não passaram na primeira
tentativa – bem acima da média geral da USP, de 61%. Dos calouros de Medicina de
2014, no câmpus da capital, quase 26% fizeram o vestibular quatro ou mais vezes
antes da sonhada aprovação.

Mariângela Alves conhece
a prova da Fuvest, exame para ingresso na USP, quase tão bem quanto muitos
professores de pré-vestibular. Hoje aluna de Medicina da universidade, ela teve
de enfrentar a prova cinco vezes. "A pior parte era ver os amigos passarem
enquanto eu ficava para trás", conta ela, de 25 anos. "Mas as dificuldades até
se apagam agora. Valeu a pena", reconhece a jovem, que destaca o apoio dos pais
e do namorado como principais estímulos para persistir no objetivo.

Como vários outros
candidatos de Medicina, Mariângela chegou a trocar a opção de curso para
encurtar o caminho até a faculdade. No segundo vestibular, optou por Enfermagem
e começou o curso na USP. "Voltei ao pré-vestibular no ano seguinte porque
percebi que deveria correr atrás da minha vocação. Meu desempenho sempre esteve
bem perto da nota de corte", diz. Segundo ela, a experiência na faculdade também
a ajudou para que tivesse mais foco nos estudos.

Jessica Costa, de 20
anos, espera ter a mesma sorte de Mariângela. Embora a USP seja sua prioridade,
a candidata também vai arriscar vestibulares de outras instituições públicas e
privadas neste ano. "A pressão e a ansiedade, às vezes, pesam mais do que as
dificuldades em algumas matérias", avalia a estudante, que tenta a Fuvest pela
quarta vez. "No segundo semestre, já começa a bater desespero em relação à prova
e dá vontade de desistir", afirma.

A aluna, que até
terminou um namoro para se dedicar aos livros, recorre a todos os artifícios na
preparação: cantarola trechos das apostilas e escreve fórmulas na porta do
guarda-roupa, para memorizar. Jessica sabe, porém, que não existe fórmula mágica
para conquistar a vaga. "A experiência nos cursinhos me mostrou que compensa
diminuir a quantidade de estudo, mas aumentar a qualidade", diz ela, que sempre
reserva algumas horas do fim de semana para relaxar.

Sem sufoco. Enquanto
muitos tentam várias vezes, outros conseguem de primeira. Caio Zampronha, de 23
anos, não teve problemas para passar em dois dos cursos mais disputados da USP:
Medicina e Audiovisual.

A primeira vez que
passou no vestibular foi em 2009, assim que saiu do ensino médio. Foi aprovado
em Audiovisual, conciliando a escola com um semestre de cursinho. O foco das
aulas extras foi na prova específica, obrigatória para a carreira. "O cursinho
me ajudou a ficar mais confiante e a conseguir alguns truques. Mas é possível
saber dessas dicas com quem já passou", afirma.

Três anos depois, ainda
na graduação, ele desistiu de Audiovisual e quis prestar a Fuvest novamente,
desta vez para Medicina. "Não me via trabalhando com Audiovisual durante toda a
vida." Passou, então, mais seis meses no cursinho e ingressou novamente de
primeira.

"Das duas vezes, passei
perto da nota de corte. Acho que o que me motivou a ir bem na segunda fase é que
não gostava do ambiente do cursinho e não queria mais fazer aquilo de novo",
lembra. A dica foi priorizar nos estudos as disciplinas em que tinha menos
habilidade, como Química, Física e Matemática. "No final, fui melhor nessas do
que naquelas em que ia melhor antes, como Português."

Categorias: Medicina

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