Nova pagina 5

O ESTADO DE SÃO PAULO – 04/08/2014 – SÃO PAULO, SP

Medicina da USP reduz aulas e foca na internacionalização

VICTOR VIEIRA

Com foco em internacionalização e carga horária
reduzida em 30%, o tradicional curso de Medicina da Universidade de São Paulo
(USP) muda seu currículo em 2015. A proposta é aumentar convênios com escolas
estrangeiras, para receber e enviar alunos, e passar por avaliações periódicas
de especialistas americanos, além dos exames internos. Já a grade flexível
reflete a aposta no aprendizado fora da sala de aula.

O total de horas da graduação passará de quase 11 mil
para 7,2 mil, com o objetivo de dar mais tempo para que alunos tenham outras
atividades, como iniciação científica, projetos de extensão ou esportes. “O
curso estava inchado. Vamos liberar tempo para outras atividades, com avaliação
e acompanhamento”, diz Edmund Baracat, presidente da Comissão de Graduação da
Faculdade de Medicina da USP (Fmusp).

Não haverá divisão por disciplinas, mas por unidades
curriculares, para facilitar a integração entre conteúdos e departamentos.
Especialistas de escolas americanas e canadenses, que serviram de inspiração
para a nova organização de disciplinas, visitaram a Fmusp nos últimos dois anos
para ajudar na mudança. Outra novidade é um “mini-college”, período no início do
curso que servirá de transição do ensino médio para o superior. “O aluno não
deve ir para o laboratório de fisiologia logo depois que entra”, explica o
vice-diretor José Otávio Costa Auler.

Segundo ele, a tendência é que outros cursos sigam os
passos da USP. “Sempre tivemos esse perfil de pioneirismo, que influencia outras
escolas”, diz. A demanda por mais treinamento na atenção básica e saúde da
família, debate ampliado em 2013 com o programa Mais Médicos (que trouxe
estrangeiros para trabalhar no Brasil), também foi levada em consideração. “Vai
ser aprimorado, com maior integração desse conteúdo ao longo do curso. Mas já
tínhamos um trabalho importante nesse sentido.”

A avaliação permanente será outra característica do
novo currículo. Além das provas comuns, haverá exames internos semestrais e
bianuais para medir o nível dos alunos e do ensino. Os estudantes também
passarão por provas externas, aplicadas pela International Foundation of
Medicine, dos Estados Unidos, ao fim do 2.º, 4.º e 6.º ano. As avaliações
externas com a entidade já são feitas pela Fmusp desde 2012. A meta é estar, em
uma década, entre as 50 melhores escolas do mundo.

Olhar para fora. Outra das metas para a nova fase do
curso é enviar pelo menos 25% dos alunos para intercâmbios reconhecidos. A
diretoria tem aumentado o número de convênios com faculdades do exterior para
facilitar a validação das disciplinas cursadas fora. Já para a oferta de bolsas
não há mudanças: os alunos poderão concorrer nos editais do Ciência sem
Fronteiras (CsF), programa de intercâmbios do governo federal, ou tentar os
auxílios pagos pela própria USP. A crise financeira da universidade, porém, fez
a reitoria dar prioridade neste ano à oferta de bolsas para os cursos de
Humanas, área não contemplada pelo CSF.

Segundo Murilo Germano, aluno do 3.º ano e presidente
do Centro Acadêmico da Fmusp, o intercâmbio é uma oportunidade para que os
futuros médicos conheçam outros modelos de gestão de saúde. “Temos muito a
aprender com eles.Aqui ainda estamos na lógica de valorizar mais a pesquisa do
que o ensino. Isso está mudando”, afirma.

Ele destaca a participação dos estudantes. “Os alunos
foram bastante ouvidos em todo o processo de mudança curricular”, elogia.

Categorias: Medicina

1 comentário

Os comentários estão fechados.

× clique aqui e fale conosco pelo whatsapp