Nova pagina 6

UOL EDUCAÇÃO – 28/11/2014 – SÃO PAULO, SP

Fraude em vestibulares aprovou 600 alunos em medicina, diz polícia de MG

RAYDER BRAGON

O grupo acusado pela
Polícia Civil de Minas Gerais de fraudar o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio)
2014, aplicado nos dias 8 e 9 deste mês, teria conseguido aprovar em torno de
600 candidatos em vestibulares de medicina nos últimos cinco anos.

Segundo a investigação,
a quadrilha foi classificada pela polícia como `uma sofisticada organização
criminosa` que se especializou em fraudar vestibulares de medicina, com
ramificação contra o Enem. Suspeitos apontados como líderes e membros do grupo
foram presos no domingo passado (23), em Belo Horizonte, quando atuavam no
vestibular da Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais.

`Um dos líderes dessa
quadrilha atua há mais de vinte anos. O outro líder, que mora em Teófilo Otoni
(a 468 km de Belo Horizonte), atua há cinco ou seis anos. Existem informações de
que, nesse período, só ele colocou umas 600 pessoas em várias faculdades dessa
forma (fraudulenta)`, informou o delegado Antônio Júnio Dutra Prado, do Grupo de
Combate a Organizações Criminosas.

Prado afirmou que, pelo
tempo de atuação do grupo, provavelmente já existam muitos médicos atuando na
profissão que teriam conseguido suas aprovações em universidades de maneira
irregular.

`Se for comprovado que
ele (candidato) entrou (fraudando o vestibular), a informação vai ser
encaminhada e ver qual será o entendimento do Ministério Público e do Judiciário
nesse sentido`, declarou Prado.

Orientações aos
candidatos

O delegado detalhou como
o grupo `trabalhava` previamente o candidato nas cidades onde os vestibulares
seriam alvos da quadrilha. `Eles reúnem os alunos (que pagaram pelo serviço)
geralmente em centros de convenções de hotéis. Reservam o hotel para todos os
alunos. Em geral, são 30 ou 40 (candidatos), passam as instruções
detalhadamente, (e instruem) como proceder se eles fossem pegos com os
micropontos (colocados nos ouvidos para receber os gabaritos). Eles fornecem
todo o suporte aos alunos`, explicou.

Os valores cobrados de
cada um dos interessados nos serviços da quadrilha girava em torno de R$ 70 mil
(vestibulares de instituições particulares) e R$ 200 mil (Enem).

O promotor de Justiça
André Luís Garcia de Pinho disse que a quadrilha cobrava de entrada dez por
cento do valor. O restante do pagamento era quitado após a admissão do aluno nos
cursos de medicina das universidades. Pinho revelou que o grupo se empenhava até
o `cliente` conseguir a vaga.

`Havia pessoas tão
incapacitadas intelectualmente que zeravam a redação e eram desclassificadas`,
disse o promotor, afirmando que, nesses casos, a quadrilha `insistia` com o
cliente até ele passar no vestibular.

`Pelo que as
investigações indicam, nos concursos vestibulares que a quadrilha atuava, do
total de vagas disponíveis, via de regra, de 20% a 40% das vagas seriam ocupadas
pelos clientes da organização criminosa`, afirmou o promotor.

Pinho também informou
que as investigações não apontaram até o momento a conivência de funcionários
das instituições de ensino nas fraudes.

Categorias: Medicina

1 comentário

Os comentários estão fechados.

× clique aqui e fale conosco pelo whatsapp