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Como é o ensino de medicina pelo mundo

Por Natália
Peixoto



Modelo que exige trabalho no SUS para formação médica é parecido com o da
Inglaterra. Conheça outros


A partir de 2015, quem
ingressar em um curso de medicina no Brasil precisará passar
 oito
anos na graduação, sendo os últimos dois dedicados ao Sistema Único de Saúde
(SUS)
. A
mudança, que divide opiniões de especialistas, faz parte do pacote de soluções
proposto pelo governo federal para melhorar a formação, distribuir melhor os
profissionais pelo País e sanar o déficit de médicos.



Mudança no curso:
 Aluno
de Medicina terá de passar 2 anos no SUS

O modelo parece com o
aplicado na formação na Inglaterra, onde os médicos precisam passar por um
trainee de dois anos antes de seguirem para residência. Mas, ao contrário dos
médicos ingleses, os brasileiros ainda não precisarão passar por um teste de
averiguação de competências, nos moldes do exame da OAB para advogados, para
aturarem no mercado.

Médicos protestam contra medidas anunciadas pelo
governo em São Paulo

Entre os profissionais
que criticaram a decisão, pesou a obrigatoriedade de trabalhar em hospitais sem
estrutura, além do atendimento da população por alunos ainda não graduados. Já
entre os que gostaram da mudança, os argumentos mais ouvidos são a formação mais
completa do profissional antes de obter o diploma e a “retribuição” ao governo,
no caso de estudantes de instituições públicas. A mudança, entretanto, servirá
para todas as universidades, privadas ou públicas.


Na semana passada, ao
anunciar a mudança, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que para o
Brasil se equiparar à Inglaterra, que tem 2,8 médicos para cada mil habitantes,
o País precisaria de mais 170 mil médicos. Segundo dados da Organização Mundial
da Saúde (OMS), o índice brasileiro é de 1,8 médico para cada mil habitantes, o
mesmo desde 2008.


Veja como é formação em
medicina na Inglaterra, Estados Unidos, Cuba, Espanha, Suíça e Argentina:



Inglaterra (2,8 médicos/mil hab)


Os estudantes ingleses
de medicina, após passar pela faculdade por cinco anos, precisam ser aprovados
em um programa de trainee remunerado com dois anos de duração, o Foundation
Programme. No primeiro ano, que tem no mínimo três meses de prática de clínica
geral, os estudantes atendem ao público do sistema de saúde público inglês,
supervisionados por médicos-professores. A partir do segundo ano, com uma
licença profissional provisória, eles já passam a atender os pacientes sozinhos.
Durante o segundo ano, um exame do equivalente ao Conselho Federal de Medicina
(o General Medical Council) avalia se o estudante pode receber o seu CCT
(Certificado de Conclusão do Trainee, em tradução livre) e então serem
reconhecidos como clínicos gerais. O exame também pode ser realizado até um ano
após o treinamento. Depois, os estudantes podem seguir para especializações, que
podem durar de 3 a 8 anos.



EUA (2,8 médicos/mil hab)


Antes de entrar numa
escola de medicina nos Estados Unidos (EUA), o estudante precisa se graduar
bacharel em alguma área que abranja os ciclos básicos de biologia, física,
química e matemática da universidade norte americana. Essa formação dura quatro
anos. Trabalhos extracurriculares na área de saúde também são diferenciais na
hora da avaliação para ser aceito em curso de medicina. No teste de admissão
para a faculdade, o MCAT (sigla em inglês), são avaliados conhecimentos de
biologia, química e física. O curso de medicina dura mais quatro anos, divididos
em atividades em salas de aula, e, no final, em trabalhos em hospitais, em
diversas especialidades, com a supervisão de médicos. Para fazer a residência e
se especializar, os estudantes precisam passar por outro exame na faculdade
escolhida, e o curso pode durar de três a oito anos, dependendo da instituição e
da área. Antes de serem reconhecidos como médicos, os estudantes precisam obter
a licença passando em um exame, o U.S. Medical Licensing Examination (Exame de
licenciamento médico, em tradução livre, ou USMLE, sigla em inglês).



Cuba (6,7 médicos/mil hab, dado de 2010)


O estudante de medicina
em Cuba precisa realizar um exame admissional para entrar no curso, que dura
seis anos. Os cinco primeiros anos de estudos são divididos entre sala de aula e
acompanhamento de consultas e plantões em hospitais. O sexto funciona como um
trainee, onde o estudante trabalha em um hospital supervisionado pelos
professores e médicos da universidade, e no qual pode ser reprovado. Para
exercer medicina no País, é preciso passar por um exame estatal, o Examen
Estatal Externo Nacional, composto por um exame prático e outro teórico, e ser
aprovado no trainee. As faculdades de medicina cubanas são gratuitas, e a
Escuela Latinoamericana de Medicina (ELAM) oferece bolsas para os estudantes
latino-americanos.



Espanha (4 médicos/mil hab, dado de 2010)


Para entrar nas
faculdades espanholas, os estudantes precisam primeiro passar por uma seleção no
modelo do Enem brasileiro, na Prueba de Acceso a la Universidad (PAU – ou prova
de acesso a universidade, em português). O estudante pode se inscrever nos
cursos e universidades de acordo com a nota obtida no teste. Após completar os
seis anos da faculdade de medicina, o estudante precisa prestar o exame para se
tornar um Médico Interno Residente (MIR). De acordo com a nota obtida no MIR o
estudante poderá escolher em qual área da medicina e na instituição em que fará
sua especialização, que pode durar de três a cinco anos. Durante o período como
interno até se tornar especialista, os estudantes de medicina trabalham nos
hospitais vinculados às universidades em que estudam.



Suíça (4,1médicos/mil hab, dado de 2010)


O curso de medicina é o
único que exige um exame seletivo para os estudantes suíços, por conta do número
limitado de vagas oferecidas anualmente. A duração média da formação de um
médico suíço é de 10 anos, dos quais seis anos são em sala de aula e, nos outros
quatro de sua formação, o profissional trabalha como médico assistente. Não
existe residência nos moldes como é no Brasil. Os sistemas de saúde e de
formação médica na Suíça são complexos, e o atendimento é estruturado em médicos
da família que fazem o primeiro contato com o paciente, que só depois é
encaminhado para as outras especialidades. Não são todos os serviços públicos de
saúde que são gratuitos.



Argentina (3,2 médicos/mil hab, dado de 2010)


O sistema de formação de
médicos na Argentina parece com o atual modelo brasileiro. A duração do curso de
graduação é de seis anos. Para se especializar, o recém-formado estudante
precisa passar por uma nova avaliação para entrar no curso de residência
escolhido. O curso varia de dois a quatro anos de duração, dependendo da área de
estudos.



Noruega (4,2 médicos/mil hab, dado de 2010)


Para se formar médico, o
estudante norueguês precisa primeiro da graduação de bacharel, em cursos
oferecidos em universidades públicas e particulares, que dura em média três
anos. O aluno então poderá seguir para a faculdade de medicina, que dura seis
anos e meio e concede o diploma básico. Para se tornar especialista, o
recém-formado precisa se dedicar outros seis a oito anos de estudos, divididos
entre atendimento em hospitais.



Canadá (2,1 médicos/mil hab, dado de 2010)


No mesmo modelo que os
EUA, a maioria das escolas de medicina do Canadá exigem uma graduação de
bacharel em uma área com matérias avançadas de química, biologia e física, que
dura de dois a quatro anos no País, além da aprovação no MCAT para ingressar no
curso. A faculdade de medicina dura quatro anos e, ao seu final, o estudante
precisa passar por um teste do Conselho Médico do Canadá para exercer a
profissão. Os cursos de residência no País podem durar de quatro a oito anos.



China (1,8 médicos/mil hab)


Para se formar médico na
China, o critério de admissão é o exame nacional em que o aluno concorre a
universidade e ao curso conforme a nota obtida. O curso de medicina é composto
de quatro anos de estudo, sendo o último no formato de trainee, onde o estudante
trabalha no hospital ligado a sua universidade. Após formado, o médico pode
escolher especializações clínicas ou cirúrgicas, em cursos que duram de dois a
três anos.

Categorias: Medicina

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