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14/07/2013 17h04 

Veja como é e quanto dura o curso de medicina em 15 países e no Brasil



Nova proposta para o Brasil pode ampliar curso de seis para oito anos.



Levantamento do G1 mostra que só dois países têm formação tão longa.

Ana Carolina MorenoDo G1,
em São Paulo



A proposta do governo federal de ampliar a duração dos cursos de medicina no
Brasil pode fazer com que o país passe a exigir no mínimo oito anos de estudo e
prática dos estudantes para que eles consigam o diploma e o registro
profissional de médico. O novo currículo aproxima o Brasil de países como
Estados Unidos e África do Sul como os que exigem o maior período até que um
médico seja permitido a exercer a profissão, segundo levantamento feito pelo G1 das
regras de formação na área em 15 países.



Em todos eles, o curso de medicina é um dos mais compridos, exigentes e
concorridos –em nenhum dos casos é possível se formar com menos de seis anos de
estudos, como é a realidade brasileira atual. Além disso, todos preveem que,
antes de receber o diploma e o registro profissional, o médico em formação tenha
algum tipo de prática e contato com pacientes, sob o acompanhamento de
professores e médicos já formados.



Essa parte do curso é conhecida como “clínica” e em geral acontece dentro do
hospital, onde os alunos, orientados pelas universidades, são confrontados com
diversos casos médicos e demonstram seu conhecimento sobre como diagnosticá-los
e tratá-los. Antes da obtenção do diploma, parte dos países exige algum tipo de
estágio nos moldes do divulgado pelo governo neste mês. Em alguns deles, esse
trabalho é feito no formato de serviço social comunitário  (veja
a tabela ao lado)
.



O levantamento considera apenas as fases obrigatórias para que o estudante
receba o registro de médico. Em todos os casos, após essa etapa, os
profissionais ainda seguem estudando em programas de residência (ou internato,
termo usado em Portugal) e outros cursos de especialização e pós-graduação.



Modelos semelhantes



Os dois casos citados pelo ministro da Educação, Aloizio Mercadante, como
inspiração para o novo modelo brasileiro são o Reino Unido e a Suécia, que
exigem no mínimo sete anos de preparação para a profissão médica.



Nas escolas britânicas, o curso é dividido em dois ciclos: no primeiro os
estudantes têm aulas teóricas e práticas. No segundo, chamado Programa de
Fundação, eles são alocados em clínicas e hospitais e, durante dois anos, sempre
sob supervisão, demonstram terem aprendido os fundamentos ensinados na escola.
Ao fim do primeiro ano, os supervisores do aluno decidem se ele está apto a
receber o registro definitivo. Essa fase é administrada pelo Serviço Nacional de
Saúde do país.



Na Suécia, os cinco anos e meio de faculdade são divididos em dois anos e meio
de ciclo préclínico e três anos do ciclo clínico. Antes de se formarem, porém,
os estudantes fazem um estágio com duração de 18 meses.



Outros países onde o estudante leva pelo menos sete anos para conseguir se
tornar médico são Chile, Grécia e Rússia.



Graduação mais curta no Brasil



Em entrevista ao G1,
o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que a inspiração tirada dos
demais países foi “a ideia de implantar dois anos de concentração na atenção
básica em saúde e na urgência e emergência, e que esses dois anos aconteçam no
final da formação”.



Segundo ele, o fato de o Brasil passar a ter uma das formações mais longas entre
alguns dos principais países do mundo não significa que o currículo não possa
ser alterado no futuro. “No modelo inglês, primeiro eles implantaram os dois
anos de serviço e depois começaram a reduzir o primeiro ciclo”, disse.



Ainda de acordo com o ministro, as regras do estágio ainda deverão ser detalhas
pelo Conselho Nacional de Educação (CNE) nos próximos meses. Existe a
possibilidade, por exemplo, de que os dois anos de formação possam contar como
um ano de residência ou pós-graduação. Segundo ele, os anos extras na graduação
poderão, assim, ser descontados no futuro.



Serviço social



Na Grécia, sete anos é a duração da formação em alguns casos, já que a fase de
trabalho antes do diploma só é compulsório para os estudantes que desejam atuar
em hospitais e serviços públicos. Nesse caso, eles precisam passar por um
período de estágio em áreas rurais do país. Quem pretende atuar apenas em
clínicas privadas não precisam passar por isso.



Além da Grécia, o Egito também exige que todo estudante de medicina atue na área
durante um ano antes de conseguir o registro. No caso egípcio, o trabalho é
feito em hospitais mantidos pelo governo.



Na Alemanha, o governo tem incentivado propostas de inovação e flexibilização no
currículo. Por isso, o estágio obrigatório dos estudantes na área de enfermaria,
que dura cerca de três meses, não precisa ser a última etapa antes da formatura.



No último ano dos cursos de medicina da África do Sul, os estudantes de
medicina, assim como os que estão matriculados em qualquer curso na área da
sáude, precisam cumprir o Serviço Comunitário Compulsório (CCS, na sigla em
inglês). Esse programa foi instituído no fim da década de 1990 para suprir a
falta de profissionais da área em várias partes do país e é mantido pelo
Departamento de Saúde do governo do país. No total, os aspirantes sul-africanos
a médicos levam oito anos para começar a exercer a profissão.

No modelo inglês, primeiro eles implantaram os dois anos de serviço e depois
começaram a reduzir o primeiro ciclo”

Alexandre Padilha, ministro da Saúde



Medicina como pós-graduação



Nos EUA, o curso de medicina só é oferecido no nível de pós-graduação –é um dos
poucos países onde isso acontece. Por isso, um estudante interessado em se
tornar médico no país precisa, primeiro, fazer um curso de graduação (conhecido
por lá como “undergraduate”) que contemple os requisitos para o acesso a uma
escola de medicina, como aulas de ciência.



Além disso, as universidades selecionam seus alunos com base em outros quesitos,
como atividades extracurriculares. A duração da etapa que precede a formação
médica de fato, na grande maioria dos casos, é de quatro anos.



Depois, os estudantes passam dois anos em salas de aulas e laboratórios e outros
dois conhecendo a profissão de perto, em hospitais, antes de seguirem para a
residência. No total, oito anos são necessários.

Categorias: Medicina

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