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O Estado de São Paulo, 25 Outubro 2015 | 03h 00

Órgãos em 3D revolucionam curso de Medicina

PAULA FELIX



Parceria da USP levou peças para a Universidade do Estado do Amazonas e é
alternativa ao ensino com cadáver; método permite recorte e ampliações


A rotina de estudos do
aluno de Medicina André Gomes, de 26 anos, sobre o funcionamento de órgãos
passou por uma revolução. Se antes ele precisava de cadáveres ou das imagens em
livros, agora, o estudante da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) conta com
peças em 3D que estão ao seu alcance graças a uma parceria com a Faculdade de
Medicina da Universidade de São Paulo (USP).


Com a estrutura
tecnológica da USP e uma impressora 3D, cerca de 2 mil alunos dos cursos de
Medicina, Odontologia e Enfermagem da universidade amazonense estão aprofundando
os estudos e tendo acesso a modelos de órgãos com doenças e com um detalhamento
que não seria possível apenas com o uso de corpos. O projeto vai completar um
ano no próximo mês e a UEA foi a primeira entidade a receber a iniciativa.


“É uma alternativa ao
ensino com o cadáver, porque nem sempre o estudante precisa estar em
laboratório. O órgão em 3D permite um contato manual e é uma grande contribuição
para o estudo da anatomia”, diz o estudante.



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Para construir os
órgãos, a USP faz uma ressonância magnética neles – usando a máquina 7 tesla,
que é a mais potente da América Latina – e o resultado é impresso no equipamento
3D. A reprodução pode ser feita em qualquer lugar com uma impressora compatível.
De acordo com a USP, o projeto foi feito por meio de um convênio e a UEA
investiu cerca de R$ 1,5 milhão. Também foi feito um investimento na formação
dos docentes.


“O órgão em 3D não vem
para substituir (o órgão real), mas para complementar. Para o aluno, é
fantástico. Ele tem contato com uma estrutura realística, didática e que
facilita a compreensão”, explica Chao Wen, chefe da seção de Telemedicina do
Departamento de Patologia da Faculdade de Medicina da USP. 


Além de mostrar todas as
estruturas dos órgãos, o método consegue fazer recortes e ampliações. “O aumento
do tamanho pode ser de 150 a 200 vezes. É a materialização do mundo digital para
o físico.” O estudante André Gomes concorda. “Quando há um estímulo para
estudar, nasce uma curiosidade que contribui para que o desempenho aumente.”



Detalhes.
 A
capacidade de produzir com exatidão e com riqueza de detalhes os órgãos é uma
característica destacada pelo reitor da UEA, Cleinaldo de Almeida Costa.


“A impressora reproduz a
peça anatômica. Pode ser uma parte do corpo, órgão com lesão, olho com vários
recortes, o feto, aparelhos reprodutores, qualquer parte do corpo. O aluno entra
em um cenário de um novo eixo de aprendizado, sai do papel para uma peça real
que pode ser usada ao longo do ano, torna-se um acervo material.”


Costa diz que o
equipamento trouxe benefícios até para pessoas que não fazem parte do ambiente
acadêmico. “Há duas semanas, foi realizada a 7.ª Semana de Anatomia com uma
feira que é apresentada à comunidade e um dos carros-chefes foram os órgãos em
3D.” Os estudantes já têm contato com a tecnologia no primeiro semestre. “Essa é
uma tecnologia que veio para ficar. Existe uma dificuldade para a manutenção dos
cadáveres e as peças em 3D podem ser usadas à exaustão.”


A próxima unidade a
receber o projeto será a União das Faculdades dos Grandes Lagos (Unilago), em
São José do Rio Preto, interior paulista, no mês que vem.

Categorias: Medicina

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