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UOL EDUCAÇÃO – 10/02/2016 – SÃO PAULO, SP

Pai passa em medicina ao fazer Enem para apoiar filho na Bahia

ALINY GAMA

O fisioterapeuta Ulisses
Monteiro da Costa Neto, 42, foi aprovado em medicina na Uesb (Universidade
Estadual do Sudoeste da Bahia), campus Jequié (BA), depois de uma maratona de
estudos para apoiar o filho Alirio Caribé Ribeiro Neto, 19, no Enem (Exame
Nacional do Ensino Médio), que tentava ingressar no mesmo curso em universidade
pública. O jovem foi aprovado em uma faculdade particular em Salvador e promete,
mesmo estudando em instituições diferentes, trocar conhecimento com o pai
durante a vida acadêmica.

Há três anos, pai e
filho começaram a estudar juntos. Mas, o que a família não imaginava era que
Ulisses tivesse potencial para ser aprovado e voltar a fazer universidade quase
duas décadas depois de se formar em fisioterapia. A lista dos aprovados do Sisu
(Sistema de Seleção Unificada) foi divulgada no dia 18 de janeiro, mas Ulisses
conta que até agora a `ficha não caiu`.

`Comemoramos o resultado
de Alírio com uma festinha para amigos e familiares, mas a minha não fizemos.
Até agora estou sem acreditar que passei em medicina. Reforço que o resultado
não foi sorte, foi estudo mesmo. Estudei não só o conteúdo, mas também fiz uma
estratégica com análise dos assuntos que caíram nas últimas provas e cronometrei
as questões e a redação. Deu certo e agora vou tentar fazer meu filho ser
aprovado no Enem deste ano para cursar medicina em universidade pública`, afirma
Ulisses.

Ele não fez cursinho,
estudou em casa, nos horários vagos que tinha como fisioterapeuta e aluno do
curso de bacharelado interdisciplinar em Saúde, na UFRB (Universidade Federal do
Recôncavo da Bahia), que ingressou em 2015. `Aproveitei a greve e comecei a
estudar. Meu foco era sempre em linguagens e ciências da natureza, que não
dominava, além da redação. Apesar de Alírio estar em Salvador, porque ele foi
fazer cursinho lá, a gente se comunica o tempo todo por Skype e outras mídias
trocando conteúdo. Um ajudava o outro`, afirma.

Ulisses Monteiro obteve
a média 785 e vai cursar medicina apenas em outubro, quando inicia o primeiro
semestre do curso da Uesb. O calendário acadêmico está desregulado devido à
greve que iniciou em 13 de maio de 2015 e durou 86 dias. Já Alírio Ribeiro
deverá começar o curso na FTC (Faculdade de Tecnologia e Ciências), em Salvador,
este mês, mas continuará estudando para o Enem para tentar vaga em universidade
pública em 2017.

O fisioterapeuta tem uma
clínica na cidade de Gandu, sudoeste da Bahia, já está planejando como vai ser a
nova rotina para conciliar estudos com a profissão. `Vamos ter uma queda na
renda porque vou atuar menos na clínica, mas vou ver uma forma de ficar nos fins
de semana. Minha mulher é fisioterapeuta e vai ajudar muito nesse período que
estarei na universidade. Espero que Alírio consiga ser aprovado ano que vem em
uma universidade pública porque a mensalidade é pesada. Mas, se não for vamos
nos ajustar e ele poderá até terminar o curso primeiro do que eu, porque na
faculdade particular não tem o atrapalho das greves`, disse.

Ulisses conta que quando
era adolescente sonhava em ser médico, porém ao ser aprovado no curso de
fisioterapia se encontrou na profissão e não tentou mais uma nova carreira. `Sou
professor de física e química. Planejei ser professor do meu filho para ele ir
aprendendo junto comigo essas disciplinas. Resolvi fazer o Enem há três anos
para incentivá-lo e fiquei surpreso com a nota que obtive. Daí nos anos
seguintes, foquei nos estudos para ser aprovado junto com ele. Não passamos na
mesma universidade, como desejávamos, mas vamos ser parceiros acadêmicos porque
vamos trocar conhecimento`, diz Ulisses.


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