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UOL EDUCAÇÃO – 11/04/2016 – SÃO PAULO, SP

Calouro de 16 anos de medicina tira 9,3 na primeira prova na Unicamp

THIAGO VARELLA

Há pouco mais de um mês,
o UOL contou a história de Vitor Costa, um adolescente de 16 anos, que sempre
estudou em escola pública e que havia passado no vestibular da Unicamp para
cursar medicina. Pois, o jovem já começou as aulas e já fez até prova. Na nota,
mostrou que continua estudando bastante: tirou 9,3.

Costa agora passa o dia
inteiro na Unicamp. Ele continua morando na casa dos tios, a cerca de 6 km da
universidade. O estudante levanta cedo, toma café, pega um ônibus – ou dois,
dependendo de onde vai ser a aula – e chega na sala de aula pouco antes das 8h.
De segunda à sexta, ele fica por lá até as 18h. Quer dizer, isso quando não faz
atividades extas.

Sua rotina tem sido
assim desde o último dia 29 de fevereiro, quando as aulas tiveram início. E
Costa está adorando a nova vida.

`Eu estou gostando
muito. Medicina é realmente o que eu queria. Minha sala é muito legal. São 120
pessoas do Brasil inteiro. Todo mundo é muito gente boa`, contou.

Como ainda está no
começo do curso, ele assiste a maioria das aulas no Instituto de Biologia da
Unicamp, já que ainda tem poucas disciplinas médicas propriamente ditas.

`Por enquanto, tenho
aulas mais de biologia. Não tenho ainda muito contato com pessoas e casos
clínicos. Mas, às vezes, durante a noite, tem as ligas, que são aulas
extracurriculares. A gente aprende bastante coisa de uma área específica. Já
aprendi sobre o zika e a má formação congênita. São temas bem atuais`, contou.

O ambiente universitário
da Unicamp surpreendeu Costa positivamente. O jovem ouvia algumas histórias
sobre como a universidade pública é desorganizada e estava preocupado. Mas, até
agora, não notou nenhum problema.

`O que me surpreendeu
foi a organização da Unicamp. Achei que seria mais bagunçado. A Unicamp em si.
Até agora nenhum professor faltou. Eles são muito solícitos. Respondem as
dúvidas e querem realmente transmitir o conhecimento`, disse.

Estudante de colégio
público

Costa, que pulou a 1ª
série do ensino fundamental, é um dos 97 estudantes oriundos de escolas públicas
aprovados no curso de medicina da Unicamp neste ano. O jovem cursou todo o
ensino médio na Escola Estadual Professor Adalberto Prado e Silva, na vila Costa
e Silva, em Campinas, e agora é um calouro em um dos melhores cursos de medicina
do país.

Neste ano, mais da
metade (51,9%) dos estudantes aprovados no vestibular da Unicamp cursaram o
ensino médio em escolas públicas. A universidade criou uma bonificação, até
então inédita, para as provas da primeira fase: concedeu 60 pontos para
estudantes do sistema público e mais 20 pontos para estudantes do sistema
público autodeclarados pretos, pardos ou indígenas (PPI). Já na segunda fase, as
bonificações passaram a ser de 90 pontos para egressos do ensino médio público e
de 30 pontos para egressos de escolas públicas e autodeclarados PPIs.

Por influência de um
professor, entre o 2º e o 3º ano do ensino médio, o estudante foi fazer um curso
de férias na Unicamp e conheceu o cotidiano do curso de engenharia civil. Ali,
andando pelo campus da Unicamp, decidiu que, por mais que tivesse facilidade em
matemática, que iria cursar algo na área de saúde.

Por isso, em 2015, todo
o foco de Vitor estava voltado para a Unicamp. A universidade era perfeita. Além
de ter um excelente curso de medicina, era gratuita e ficava a pouco mais de 5
minutos de distância de ônibus da sua casa.

Depois das férias de
julho, Vitor conseguiu bolsa integral em um cursinho da cidade (Objetivo). Ele
frequentou três meses de aula regular e mais dois de revisão.

Criado pelos tios

Não faz muito tempo que
Vitor se mudou para Campinas. Ele, seus tios e três primos vieram da Bahia em
2013, em busca de mais oportunidades. Desde pequeno, o estudante mora com a tia
e o tio, já que a mãe sofre de depressão e não pode criá-lo.

Nascido na pequena
Ribeira do Pombal, Vitor também morou em Camaçari antes de se mudar para
Campinas. E foi na casa dos tios que começou a tomar gosto por estudar. Sua tia
é professora por formação e o alfabetizou ainda criança. Por causa disso, acabou
fazendo uma prova quando tinha seis anos e pulou a 1ª série do ensino
fundamental.

Categorias: Medicina

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