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REVISTA GESTÃO UNIVERSITÁRIA – 17/06/2016 – BELO HORIZONTE, MG

Ritalina Neles

POR WOLMER RICARDO TAVARES – MESTRE EM EDUCAÇÃO E SOCIEDADE – WWW.WOLMER.PRO.BR


Pesquisas mostram que o Brasil é o segundo maior consumidor da droga Ritalina,
conhecido como a droga da obediência, e infelizmente, o uso desta droga é
induzido pelos próprios pais ou pior, sugerido por professores como algo normal
para uma criança que foi diagnosticada com um certo déficit de atenção.

Até
onde temos crianças agitadas ou crianças sem educação, aquela educação que
deveria receber de casa como respeito, limites, etc mas que a criança ao entrar
na escola `esquece` todos os valores ensinados e age como anarquista.

Temos
que perceber que escola é uma extensão da casa, ou seja, se o aluno não se
comporta de forma sociável na escola, em casa muito menos, isto implica em dizer
que o problema não é hiperatividade, e sim, falta de limites impostos pelos
pais, que resumindo, não deixa de ser uma grande falta de educação e respeito.


Aliás, a palavra educação está tão batida em nosso dia a dia que muitos pais já
começaram a cobrar das escolas esta tal educação que seria de incumbência deles.

A
Ritalina é uma droga que causa uma quietude na criança, elas ficam menos
agitadas e mais servis, e com isso, enriquece a indústria farmacêutica.

É um
absurdo ver o percentual de crescimento dessa droga no país. o Brasil teve um
aumento de mais de 1500% em seu consumo. Fazendo um comparativo entre os anos,
temos que no ano de 2000 o Brasil consumia 71 mil caixas, no ano de 2008 o
Brasil passou a consumir 1,15 milhão de caixas e no ano de 2013 o país passou a
consumir 2,6 milhões de caixas.

Será
que qualquer criança que tem a sua agitação normal de criança, é vista como
hiperativa? É proibido correr, brincar, falar em tom alto e outras coisas de
criança? Já se imaginou como criança em uma escola pública, com tempo integral,
sem infraestrutura para tal e com um ensino sem qualidade?

Tente
se imaginar agora uma criança e/ou adolescente que esteja em situação similar
citada acima, mas com um agravante, você sabe que aconteça o que acontecer, você
irá para série seguinte, isto é, o motivo pelo qual o aluno prestava atenção
para assimilar o mínimo desejável e “passar” para série adiante, não existe
mais. Fazendo ou não bagunça, fazendo ou não atividade, indo com freqüência ou
não as aulas, você passará de ano da mesma forma que aquele que se dedicou o ano
todo passou. Haveria motivos para você ficar totalmente quietinho como uma
vaquinha de presépio?

Nesta
mesma pesquisa comentada anteriormente, constatou-se que 7,7% das crianças
diagnosticadas com deficit de atenção (TDAH), apenas 23,7% preenchem os
critérios internacionais, e segundo os pesquisadores, este distúrbio
psiquiátrico caracterizado por constante desatenção e/ou hiperatividade atinge
apenas 5% das crianças no mundo. Já percebeu que no Brasil, as suas escolas
públicas fogem a esta estatística?

Cabe
aos pais zelarem pela saúde e bem estar de seus filhos, mas estes estão tão
omissos nesta atividade que estão inserindo neles um vício de obediência, cujo
preço a ser pago pelo filho ao longo de sua vida lhe será caro.


Estamos usando essa droga de forma banalizada, mutilando e até mesmo destruindo
a criatividade e também a criticidade de nossos alunos. Estamos na contramão da
verdadeira educação de qualidade.


Estamos criando um aluno submisso que será sempre dominado, e a escola está
contribuindo para esta postura nada educativa. Estamos reforçando cada vez mais
alienação e idiotização de nossos alunos.

Ao
invés de sugerirmos Ritalina a nossos alunos, porque não sugerirmos novas
práticas educativas ao sistema? Porque não cobrarmos a presença dos pais quanto
o ato de educar seus filhos, ensinando respeito pelos professores e impondo
limites aos seus comportamentos?


que muitos fazem diagnósticos, eu posso perceber que temos muitos filhos
hiperativos e muitos mais pais hiperpassivos.


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