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Revista
Veja,



http://veja.abril.com.br/saude/pacientes-de-medicos-mais-velhos-morrem-mais-do-que-os-de-novos/
,
28 maio 2017,

Pacientes de médicos mais velhos morrem mais do que os de novos



Pesquisa de Harvard argumenta que médicos experientes atuam com conhecimento
adquirido na época em que estudaram; o que pode ter se tornado ultrapassado

Por da
Redação


O senso comum
nos ensina que um profissional é mais confiável conforme mais cabelos brancos
tiver na cabeça. Afinal, o tempo é senhor da razão, correto? No entanto, uma
pesquisa da Universidade de Harvard quebra esse preceito. Os cientistas notaram
que pacientes de médicos mais velhos morrem mais do que os pacientes de doutores
novinhos.

Conforme o
estudo, publicado no prestigiado British
Medical Journal, 
a exceção se dá apenas para médicos mais velhos
bastante ativos, que continuam a atender muitas pessoas no hospital – estes
tinham uma mortalidade entre seus pacientes abaixo da média.


Os
pesquisadores de Harvard argumentam que médicos mais experientes atuam com base
no conhecimento adquirido na época em que estudaram, que pode ter se tornado
ultrapassado. Caso o médico não frequente congressos e grupos de discussão ou
use softwares específicos voltados para o diagnóstico, há o risco de aplicar
técnicas datadas.


“Achamos que
médicos velhos estão tentando bastante aprender tratamentos inovadores e
implementá-los na sua prática. No entanto, visto que o conhecimento médico e as
novas tecnologias mudam frequentemente, eles podem ficar sobrecarregados para se
atualizar”, explica o médico pHD Yusuke Tsugawa, líder do estudo, em entrevista
à publicação.


Já os doutores
jovens, ainda que mais crus, saem da faculdade a par do que há de mais recente
na medicina. É como se saíssem já treinados para usar tratamentos e tecnologias
de ponta.


A diferença é
pequena, mas ainda assim chamou a atenção dos pesquisadores de Harvard. Para
chegar aos resultados, foram analisados, do banco de dados relativo ao país
inteiro, 736.537 pacientes, entre 65 e 75 anos, tratados por 18.854 médicos
entre 2011 e 2014. As comparações eram sempre feitas entre pacientes do mesmo
hospital, para não haver discrepância.



Manutenção


Apesar dos
dados encontrados, os pesquisadores ressaltam que é preciso manter médicos mais
experientes nas equipes – afinal, a experiência e mentoria deles é fundamental
para ensinar os mais novos.


No estudo, foi
visto que médicos mais velhos com alto número de pacientes (pelo menos 200 por
ano) perdiam 10,9% dos seus pacientes – portanto, abaixo da média geral de
mortalidade para todos, de 11,1%.


Aliás, em todas
as idades, o fator que mais definia a queda no número de mortes não era o pouco
ou muito tempo de carreira, mas sim a quantidade de pacientes atendidos. Há,
portanto, uma relação direta: quanto mais um médico trabalha, mais pacientes ele
salva.


“Aqueles que
continuam a ver um grande número de pacientes se atualizam sobre as últimas
tecnologias e o conhecimento médico mais recente. Portanto, eles mantêm um
cuidado de alta qualidade ao longo da carreira”, explicou Tsugawa.


A data de
nascimento, portanto, não pode ser levada somente em conta na escolha do
profissional. Vale pedir a boa e velha indicação. “Julgar apenas a idade como um
fator não é o jeito certo de avaliar a performance de médicos”, disse Tsugawa,
da Universidade de Harvard.



Veja alguns dados da pesquisa:


– Média geral
de mortalidade para médicos de todas as idades: 11,1% * **


– Médicos com
menos de 40 anos: mortalidade de 10,8% entre os pacientes* **


– Médicos entre
40 e 49 anos: mortalidade de 11,1%* **


– Médicos entre
50 e 59 anos: mortalidade 11,3%* **


– Médicos acima
de 60 anos: mortalidade de 12,1%* **


* Morte em até
30 dias após a internação


** Doenças mais
comuns analisadas: infecção por bactéria, pneumonia, insuficiência cardíaca e
obstrução pulmonária crônica



Com Estadão Conteúdo

Categorias: Medicina

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