Nova pagina 11

Portal G1,


http://g1.globo.com/educacao/guia-de-carreiras/noticia/apos-a-residencia-novo-desafio-dos-medicos-e-montar-rede-de-contatos-e-garantir-o-ganha-pao.ghtml
,
22/07/2017

Após a residência, novo desafio dos médicos é montar rede de contatos e
garantir o “ganha-pão”


Depois de seis anos de graduação, dois de residência geral e dois de residência
específica, cirurgião fala sobre os próximos passos da carreira.

Por Ana Carolina Moreno e Tatiana Regadas, G1



No mês que vem, Miller Barreto completa dez anos dedicados ao estudo da
medicina. Ele lembra a data exata em que começou o curso de graduação: 6 de
agosto de 2006, na Universidade Federal do Ceará (UFC), em Fortaleza. Aos 28
anos e em seu último semestre da segunda residência médica (uma especialização
dentro da carreira), ele já é chamado de “doutor”, já caminha vestindo seu
jaleco pelo complexo hospitalar das Clínicas, na Zona Oeste de São Paulo, já
mantém um cronograma frenético de trabalho, com cirurgias agendadas e plantões
onde pode ser acionado para operar um paciente de urgência. Mas ele resume seu
futuro imediato em uma só frase: “2018 é o ano em que vou estar desempregado”. (saiba
mais sobre a rotina dele no vídeo acima)



Embora a afirmação tenha um tom de brincadeira, Barreto, que faz residência em
cirurgia do aparelho digestivo, explica que, após concluírem a residência, os
médicos começam uma fase completamente nova na carreira.



“Quando acaba tudo, você começa realmente a pensar: “não, não sou mais
residente, sou um cirurgião formado, trabalhando para me sustentar”. O primeiro
caminho natural é que todo mundo entre em um convênio. Os convênios são muito
fortes no Brasil, se não entrar em um convênio, você acaba perdendo cliente. E o
repasse dos convênios para os médicos é indigno, é muito pouco. Não condiz com a
formação que o cara teve”, afirmou ele, em entrevista ao G1.



Por isso, Miller explica que existe uma “evolução natural” na carreira médica.
“À medida que você vai angariando pacientes, que as pessoas vão criando
confiança em você, a tendência é sair do convênio e começar a atender no
particular.”



Enquanto isso não acontece, os médicos precisam se dedicar a conseguir
pacientes, montar consultórios ou conseguir empregos em hospitais públicos e
privados, ou em empresas. Miller afirmou que é comum os ex-residentes
continuarem frequentando os hospitais, acompanhando cirurgias e tentando formar
uma rede de contatos para seguir avançando na profissão.



Bolsa de especialização



No caso de Barreto, isso deve acontecer no ano que vem. Fazendo um retrospecto
da carreira, ele afirma que passou a última década dentro de um percurso que
envolveu uma série de estágios e rodízios em áreas diferentes, mas com uma certa
estabilidade que, após o fim da residência, chega ao fim.



Uma opção possível, também, segundo ele, é buscar uma bolsa de “fellow”, como
são conhecidas as outras especializações que os médicos fazem após a residência.
“É como se fosse o ápice da residência: acabou a residência e o “fellow” é um
ano para você realmente se especializar no que quer.”



Em geral, porém, o cirurgião explica que a tendência é que os médicos mantenham
vínculos informais à universidade, em grupos das áreas nas quais pretendem focar
sua carreira. “Aqui na USP, quando você acaba a residência, escolhe uma área de
mais afinidade e se junta àquele grupo. Não com vínculo direto, você fica
acompanhando, aprofundando mais naquela área ali, sempre estudando e tudo mais.
Não é uma residência propriamente dita, mas concomitantemente a isso você vai
levando a vida de cirurgião.”



Tecnologia



No caso de um especialista em cirurgia do aparelho digestivo, Barreto afirma que
é possível se aprofundar em técnicas específicas da área, mas o “ganha-pão” da
vida do profissional são as cirurgias de vesícula e hérnia, “cirurgias mais
simples e com frequência maior”. Outras áreas possíveis dentro dessa residência
são cirurgias de obesidade, no fígado, pâncreas e cólon, entre outros. Ele
lembra ainda que o câncer do intestino grosso é o segundo mais comum na
população, atualmente.



Os cirurgiões do aparelho digestivo também se beneficiam da tecnologia, que tem
facilitado cada vez mais a vida dos médicos com o desenvolvimento de técnicas
cada vez menos invasivas.



“Não é só mais um exame diagnóstico, é cada vez mais um exame terapêutico”,
explica ele sobre técnicas como a endoscopia e a colonoscopia. “Você acaba
conseguindo fazer procedimentos em que antigamente era necessário fazer
cirurgia. Você consegue fazer vários exames durante o dia. Chega, faz e vai
embora.”



Vida tranquila x altos ganhos



Para Barreto, que está prestes a entrar de vez neste mercado, atualmente há uma
tendência nos médicos a optarem por especialidades que permitem uma qualidade de
vida maior, principalmente em termos de tempo livre. Ele diz que o mercado de
trabalho acaba influenciando a escolha da residência.



“O pessoal está priorizando muito a questão da qualidade de vida. O cirurgião
tem aqueles horários malucos, às vezes tem que operar o paciente de madrugada.
Então é uma especialidade difícil de conciliar com a vida pessoal, realmente é
uma rotina meio massacrante”, diz ele.



“Atualmente a gente está percebendo que as pessoas estão tentando especialidades
que são mais tranquilas. Claro, se puder conciliar com um ganho financeiro
grande, é ideal. Tem muita gente buscando áreas como dermatologia, psiquiatria,
coisas relativamente tranquilas. Cirurgia plástica continua sendo bastante
procurada, porque são cirurgias relativamente rápidas, pequenas, que dão poucas
complicações, e o retorno financeiro é bem bom, porque geralmente são pacientes
com alto status financeiro e dispostos a pagar por aquilo. A urologia também é
muito procurada, porque tem uma demanda grande e cirurgias rápidas.”



A estratégia de buscar mercados de trabalho com alta demanda e poucas
complicações, porém, não garante 100% de sucesso profissional, e sempre vai
demandar esforço para consolidar um nome de confiança na área deseja. “Garantia
a gente nunca tem”, afirma o cirurgião, “mas não conheço nenhum cirurgião que
tenha pelo menos uns cinco seis anos de formado e que esteja mal de vida.”

Categorias: Medicina

1 comentário

Os comentários estão fechados.

× clique aqui e fale conosco pelo whatsapp