Nova pagina 3

<b>ESTADÃO CONTEÚDO – UOL EDUCAÇÃO – 10/10/2017 – SÃO PAULO, SP

Cursos ensinam médicos a lidar com a dor dos pacientes

JÚLIA MARQUES

A dor dos pacientes é
uma questão a ser resolvida pelos profissionais de saúde. Beatriz Leal, de 33
anos, sempre soube disso. Mas, apesar do conhecimento, se sentia impotente
diante do sofrimento de quem atendia. `O que a gente percebe ao longo dos anos
de vivência da Medicina é que, apesar de o controle da dor e alívio do
sofrimento ser responsabilidade nossa, na verdade a gente não sabe tratar`, diz
a anestesiologista.

O impasse levou a médica
a buscar uma formação para compreender as dores e aprender sobre intervenções
para melhorar o bem-estar dos pacientes. `O que a gente viu é que cerca de 35%
da população e 70% dos pacientes com câncer terminal têm dor. No curso, você
começa a ver que tem de tratar o paciente. É conforto e alívio do sofrimento`,
diz a médica que fez a pós-graduação em Cuidados ao Paciente com Dor, do
Hospital Sírio-Libanês.

Cursos sobre dor e
cuidados paliativos – assistência a familiares e a doentes com enfermidades
graves – se inserem em uma lógica de formar profissionais atentos não só à
precisão dos tratamentos, mas em proporcionar bem-estar e qualidade de vida aos
pacientes. Nas turmas, é importante que estejam presentes, além de médicos,
profissionais como enfermeiros e fisioterapeutas, já que isso demanda
conhecimentos integrados. `Aprendemos a trabalhar de modo colaborativo`, diz
Beatriz.

Para discutir o tema, os
alunos têm contato com experiências reais. `Temos discussões de casos clínicos
verdadeiros. São pacientes que autorizaram que seus casos sejam discutidos com
alunos`, explica o coordenador da pós no Sírio-Libanês, João Valverde.

A análise de casos
também é uma das metodologias de dois cursos de pós: um em Medicina Paliativa e
outro em Cuidados Paliativos, oferecidos pelo Instituto Paliar no Centro
Universitário São Camilo. O primeiro é destinado a médicos. Já o segundo,
voltado a profissionais de Enfermagem, Serviço Social, Fisioterapia, entre
outros. As turmas se mesclam em alguns momentos. `Justamente para um aprender a
`desestranha` o outro`, diz Maria Goretti Maciel, diretora do Paliar. `Uma das
coisas mais importantes na área é o trabalho em equipe`.

Com o objetivo de
capacitar profissionais para atuar nos cuidados paliativos, as duas pós do
instituto tratam de temas como os aspectos culturais e religiosos e a
comunicação com os pacientes. `O cuidado paliativo é centrado na pessoa, muito
mais do que na doença`, diz Maria Goretti.

Renovação

Para o médico Tomaz
Aquino, de 35 anos, especializado em Geriatria, os cuidados paliativos não são
exatamente novidade, mas estudar o assunto foi um modo de sistematizar e
aprofundar os conhecimentos. `Foi bom ouvir e captar experiências de quem já
está na área há mais tempo`, diz o geriatra, que cursa o primeiro ano da
pós-graduação em Medicina Paliativa no São Camilo.

O contato com
profissionais de outras especialidades na turma, diz ele, é positivo. `Tivemos
aula com uma fisioterapeuta sobre como mobilizar (trocar de lugar) um idoso.
Sempre fiz isso na minha vida, mas ninguém me parou para dizer (como)`, comenta.

Além da integração com
outros profissionais, as discussões sobre bioética, comunicação e dor chamaram a
atenção do médico. `A dor física pode espelhar um componente psicossocial,
espiritual, que não vai demandar só remédio ou tratamento médico, mas uma
abordagem psicológica.`

Para ele, que lida
diariamente com idosos em fase avançada de demência, a formação tem aplicações
no trabalho. `Já percebi a importância de envolver a equipe e a família nas
discussões a respeito de decisões de fim de vida. Estudo e, na mesma semana,
vejo que devo melhorar algo na minha prática.`

Finitude

As questões ligadas à
morte também viraram assunto do curso de Cuidados Paliativos e Tanatologia das
Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU), que deve receber a primeira turma no ano
que vem. Entre outros aspectos, a formação direciona o olhar para a atenção ao
próprio cuidador.

Submetidos a situações
estressantes, em que a vida do paciente está, muitas vezes, em suas mãos,
profissionais de saúde precisam de ferramentas para o autocontrole e aceitação
das próprias falhas. `O foco é ajudar o profissional a lidar com o luto e a
morte`, explica a idealizadora da especialização, Carolina Klomfahs.

As informações são do
jornal O Estado de S. Paulo.

Categorias: Medicina

1 comentário

Os comentários estão fechados.

× clique aqui e fale conosco pelo whatsapp