BBC
Brasil,
https://www.bbc.com/portuguese/internacional-46600196,
20/12/2018

As
profissões ameaçadas pelos avanços
tecnológicos

DA
REDAÇÃO – BBC

`Qualquer
trabalho que seja rotineiro ou previsível, será
feito por um algoritmo
matemático dentro de cinco ou dez anos.`

Essa
é
a previsão do americano John Pugliano, o polêmico
autor de The Robots are
Coming: A Human`s Survival Guide to Profiting in the Age of Automation
(`Os
robôs estão vindo: Um guia de
sobrevivência humana para lucrar na era da
automatização`), ao menos nos países
desenvolvidos.

Em
conversa com a BBC Mundo, o serviço em espanhol da BBC,
Pugliano diz que, assim
como nas últimas décadas trabalhos realizados por
operários em fábricas foram
substituídos pelo avanço tecnológico,
profissões altamente qualificadas, que
até então não pareciam tão
ameaçadas, também correm o risco de desaparecer.

A
tese
é polêmica, porque contempla carreiras que seguem
sendo consideradas
imprescindíveis na maior parte do mundo e que normalmente
não estão listadas
entre as ameaçadas.

`Os
médicos e os advogados não vão
desaparecer. Mas uma parte de seu campo laboral
será reduzida`, opina Pugliano, que é fundador da
consultoria de investimentos
americana Investable Wealth.

Ainda
que pareça ser catastrofista, o americano diz acreditar que
haverá novas
oportunidades para as pessoas que sejam capazes de resolver problemas
inesperados, antecipar-se ao que pode ocorrer, assumir riscos e dar
respostas
criativas. Tudo aquilo que, em teoria, um algoritmo não
possa solucionar.

Mas
onde estarão as oportunidades de
trabalho?

`Os
especialistas em segurança virtual serão os
profissionais mais requisitados nos
próximos anos`, diz Pugliano. `Aqueles que podem se
antecipar a possíveis
ataques cibernéticos.`

Mas
não
será o único setor. `Há
áreas que têm a ver com o contato humano que
são
insubstituíveis por algoritmos`, acrescenta, citando
psicólogos, psiquiatras ou
diversos tipos de trabalhadores sociais.

Eis
uma
lista com sete profissões ameaçadas pelo
avanço tecnológico nos países
desenvolvidos, segundo o autor do livro.

1.
Médicos

Embora
possa soar absurdo – pois os médicos são sempre
requisitados e mais ainda com a
atual tendência de envelhecimento da
população -, Pugliano afirma que os
médicos generalistas perderão terreno nos
países ricos porque os diagnósticos
de doenças comuns serão automatizados.

No
entanto, continuará havendo demanda por médicos
que trabalhem em salas de
emergência ou outros tipos de especialistas, como
cirurgiões plásticos, segundo
o autor.

2.
Advogados

Ele
acredita que as tarefas executadas por advogados com menor
nível de
especialização e experiência
serão efetuadas por computadores.

O
advogado que trabalha em escritórios, lidando com documentos
e tarefas
rotineiras, terá uma diminuição no seu
campo profissional.

3.
Arquitetos

Pugliano
diz que, com o avanço tecnológico, os arquitetos
serão cada vez menos
necessários para projetar construções
simples.

Os
que
seguirão requisitados serão aqueles com
habilidades artísticas, cuja capacidade
criativa não possa ser substituída por uma
máquina.

4.
Contadores

Sobreviverão
os contadores especializados em assuntos tributários mais
complexos. Mas
aqueles que tratam de temas mais comuns e previsíveis
serão afetados pela falta
de demanda.

5.
Pilotos de guerra

Estão
em risco, porque basicamente têm sido – e
continuarão sendo – substituídos por
aviões não tripulados.

6.
Policiais

As
funções rotineiras de vigilância hoje
desempenhada por policiais com baixo
nível de especialização
estão sendo substituídas em países
desenvolvidos por
sofisticados sistemas tecnológicos.

Nunca
desaparecerão, mas terão a demanda reduzida,
opina Pugliano.

7.
Corretores de imóveis

O
tradicional corretor de imóveis está perdendo
espaço frente aos sites que
conectam quem oferece e quem demanda serviços
imobiliários, como o aluguel e a
compra de casas e escritórios.

Além
dessa lista de profissões, de forma geral, `os que
vão desaparecer são os intermediários
das empresas`, diz Pugliano.

Mas,
à
medida em que algumas profissões perdem terreno, criam-se
oportunidades para
outras.

Afinal,
alguém terá que criar os sistemas de
inteligência artificial, programar as
máquinas, melhorar os algoritmos e consertar os sistemas
quando falharem.

E na
vida cotidiana, encanadores, eletricistas e todos aqueles que consertam
avarias
seguirão sendo altamente requisitados, ao menos por um bom
tempo, segundo o
autor.


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