Estado de São Paulo, https://www.pressreader.com/brazil/o-estado-de-s-paulo/20211024/282157884452663, 24/10/2021
Com mão de obra restrita, mercado disputa profissionais
Como as faculdades não dão conta da demanda, empresas têm ‘adotado’ funcionários para atuar em novas áreas
RENÉE PEREIRA
Enquanto algumas profissões estão desaparecendo, as carreiras do futuro são disputadas por empresas nacionais e internacionais. A escassez de mão de obra ligada à tecnologia é um problema que aflige não só o Brasil como todo o mundo. Exemplo disso é que tem sido uma tendência as multinacionais buscarem profissionais de tecnologia no Brasil. Tudo isso ajuda a elevar o salário desses trabalhadores.
Nas profissões mais recentes, a oferta de mão de obra é ainda mais restrita e, em alguns casos, o nível de qualificação abaixo dos requisitos das empresas, diz Leonardo Berto, gerente da operação da Robert Half. “A agenda de decisões baseada em dados, no nível de hoje, é relativamente nova no País”, completa ele, explicando a escassez de mão de obra.
Além disso, as faculdades não estão preparadas para formar esses profissionais do futuro. Muitas vezes o conhecimento é adquirido em cursos de curto e médio prazos ou quando as empresas praticamente “adotam” o profissional para formá-lo. “Cada vez mais, há uma desconexão com a graduação tradicional. Currículo e formação não vão vir mais em primeiro lugar numa contratação”, afirma Diogo Forghieri, diretor da empresa de recursos humanos Randstad do Brasil.
Essa tendência tem incentivado os profissionais a se reposicionar, como foi o caso de Thabata Dornelas. Ela fez Direito, influenciada pela família, mas durante o curso já entendeu que não era exatamente naquilo que gostaria de trabalhar. Apesar disso, concluiu a faculdade e entregou o diploma para a mãe.
Foi numa startup que descobriu o gosto pela tecnologia. Durante algum tempo, transitou por várias áreas até começar a notar o trabalho de um colega desenvolvedor. “Fiquei muito interessada no trabalho dele e resolvi fazer um curso de um ano, bem puxado. Com oito meses, consegui um emprego na área”, diz ela, que mora em Belo Horizonte e trabalha em home office.
Para Wagner Delbaje, a mudança representou a recolocação no mercado de trabalho. Piloto comercial e instrutor de voos, ele ficou praticamente sem emprego durante a pandemia. Mas a notícia de que a agência reguladora havia autorizado testes para delivery por drones o fez se movimentar. Procurou uma empresa de drones, apresentou-se e conseguiu um emprego. “Trouxe a experiência da aviação tripulada para a aviação não tripulada”, disse ele, que se mudou de Piracicaba para Franca para seguir essa nova profissão. •