Outras Palavras, https://outraspalavras.net/outrasaude/a-exaustao-dos-medicos-em-sao-paulo/, 20/10/2022
A exaustão dos médicos em São Paulo
Por Gabriel Brito
A pesquisa A Saúde do Médico, feita por telefone pelo ministério da Saúde através de seu sistema de monitoramento Vigitel, mostrou dados preocupantes entre os médicos paulistas: excesso de trabalho, sedentarismo, estresse, depressão, insônia, entre outros problemas, em fatias expressivas da categoria. O levantamento também concretiza algumas queixas sobre a sobrecarga de trabalho ao longo da pandemia: metade dos 778 entrevistados relataram trabalhar de 50 a 60 horas semanais, como noticia a Agência Brasil. Vale destacar que nos últimos 10 anos só a capital paulista perdeu cerca de mil médicos – que estiveram à beira de fazer uma greve em janeiro, impedida pela Justiça. O governo do estado prometeu contratações, mas nada mudou. Segundo o Sindicato dos Médicos de SP, há déficit de pelo menos dois médicos por unidade básica de saúde, para ficar somente na atenção primária da capital paulista.
Inteligência Artificial está superestimada na medicina
Artigo da Scientific American jogou água no chope dos entusiastas da Inteligência Artificial na prevenção de doenças por meio do simples cruzamento de dados. O texto mostra que as bases de dados que configuram os modelos são arbitrariamente limitadas a certos tipos de informação, ao passo que outros dados em saúde das pessoas ficam colocadas num grupo secundário. No entanto, as pesquisadoras passaram a fazer levantamentos com uma maior quantidade de informações e aferiram que a precisão algorítmica de previsões e diagnósticos diminuiu. “Infelizmente, não temos bala de prata para validar de forma confiável os modelos de IA. Para chegar a um nível satisfatório, profissionais e pacientes devem participar da produção de informações desde o início, sob supervisão de órgãos oficiais”.
Fuga de médicos na Espanha
Uma reportagem do El País mostra um drama que está em andamento na saúde pública espanhola: em 10 anos, mais de 24 mil médicos pediram certificados de habilitação para trabalhar fora do país, sendo que 18 mil migraram de forma permanente. O país é um dos símbolos do avanço do neoliberalismo no Ocidente, com políticas de desregulação econômica e trabalhista que conduziram a juventude à precarização e ao desemprego estruturais, que alcança ao menos 40% dos jovens. E nem essa prestigiada profissão escapa à lógica. A matéria retrata a equação: uma formação cara, seguida de salários insatisfatórios e jornadas exaustivas. Pior: cerca de 80 mil médicos devem se aposentar num país onde o envelhecimento da população é um fato. Governo fala em investir 50 bilhões de euros na formação de profissionais, mas especialistas dizem que isso por si só não será suficiente.