Denúncias de assédio sexual no trabalho triplicam em 5 anos no Brasil
Colaboração para Universa, UOL*
Mulheres representam 81,3% das vítimas que denunciaram assédio sexual no trabalho em 2024
Resumo da notícia
- Denúncias de assédio sexual no trabalho no Brasil aumentaram 387,6% em cinco anos, revela pesquisa da Aliant.
- Em 2024, denúncias de assédio sexual somaram 2,8% do total; 81,3% das vítimas eram mulheres.
- Demissão sem justa causa foi a medida mais frequente contra agressores em casos de assédio sexual.
Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação do PORTAL UOL
O número de denúncias de assédio sexual no trabalho aumentou 3,8 vezes nos últimos cinco anos no Brasil.
A conclusão é da 10ª edição da Pesquisa Nacional de Canais de Denúncias, divulgada nesta quarta (19) pela Aliant, consultoria que presta serviços em questões de compliance e ética a outras empresas.
O que aconteceu
48,8% das 235.677 denúncias feitas em 2024 eram relativas a problemas interpessoais. Destas, a questão mais citada foi desvio de comportamento (21,7%), seguida de práticas abusivas como assédio moral e agressão (21,1%).
Além disso, 2,8% das denúncias foram referentes a assédio sexual. Discriminação foi responsável por 2,3% das queixas, enquanto relacionamentos íntimos entre colegas ou chefes e subordinados representaram 0,9% das reclamações.
Apesar de o número de relatos de assédios sexuais ser pequeno em relação a outras queixas, as denúncias deste tipo de caso vêm crescendo. O aumento foi de 387,6% em cinco anos, o que pode indicar que quem sofre este tipo de violência se sente mais capaz de relatá-la atualmente.
Outros problemas frequentes no trabalho foram descumprimento de normas internas (8,2%) e favorecimento (7,6%). 68% das denúncias feitas no país foram consideradas qualificadas para investigação, que demorou em média 44 dias.
Quando as denúncias eram referentes a assédio sexual, 86% foram consideradas pertinentes para investigação.
65,2% das queixas foram feitas por colaboradores das empresas, sendo a maioria mulheres. Elas representam 53,2% dos denunciantes em geral, mas 81,3% das vítimas em casos de assédio sexual.
63,7% das denúncias feitas eram anônimas. Mas este número foi maior em caso de assédio sexual: 65,1%.
Os chefes são, majoritariamente, seus algozes: 59,8% das denúncias se referem ao gestor, enquanto 16,4% estão ligadas a clientes. Apenas 11% foram feitas contra um colega da mesma área e 9,6% contra colegas de outras áreas. 3,2% ainda relatam problemas com fornecedores ou prestadores de serviço.
Agressores foram punidos?
42,7% dos funcionários denunciados no trabalho receberam orientação preventiva de suas empresas. Já 16,7% foram demitidos sem justa causa. A 12%, outras medidas de comunicação foram aplicadas. 9,2% receberam advertência verbal e 5,3% a escrita.
Em 2024, 43,1% das denúncias foram classificadas como de impacto baixo. Outras 47,2% foram consideradas de médio impacto, 7,6% a desvio de comportamento e 6,9% a fraudes.
Em caso de assédio sexual, a medida tomada mais frequentemente foi a demissão sem justa causa (48,5%) do assediador. 12,8% receberam demissão com justa causa e 11,3% dos assediadores receberam feedback ou orientação preventiva. Outros 9% levaram advertências por escrito.
No geral, 28% das denúncias realizadas em 2024 foram consideradas procedentes, ou seja, a queixa foi confirmada pela empresa. Outras 23,5% foram tidas como improcedentes, 16,1% não foram conclusivas e 32,4% tidas como “fora de escopo” ou com dados insuficientes para iniciar uma investigação.
72% das denúncias do ano foram coletadas por plataforma digital, como um site disponibilizado pela empresa. Outras 20% foram realizadas por telefone, 5% por email e outros 3% por outros canais, como chatbots.
*Portal UOL, https://www.uol.com.br/universa/noticias/redacao/2025/02/20/denuncias-de-assedio-sexual-no-trabalho-triplicaram-em-cinco-anos-no-brasil.htm, 02/02/2025