Estado de São Paulo, https://www.estadao.com.br/infograficos/saude,habla-jovem-como-a-epidemia-mudou-a-sua-vida,1102903, 05/07/2020
HABLA, JOVEM: COMO A PANDEMIA MUDOU A SUA VIDA?
Ouvimos 30 jovens latino-americanos, no Brasil, em mais 12 países e em Porto Rico, território americano. Em línguas e sotaques diferentes – por isso, foi inevitável misturar os idiomas no título acima -, eles nos contam como estão vivendo e quais impactos o coronavírus provocou em seus planos
Reportagem: Ana Carolina Sacoman, Bianca Gomes, Carla Miranda, Iolanda Paz, Marina Cardoso e Roberta Picinin
Habla, joven: ¿Cómo la pandemia ha cambiado tu vida?
Em tempos ditos “normais” já não é muito fácil ser jovem. Terminar os estudos, tentar uma vaga no mercado de trabalho mesmo sem experiência, lidar com todas as transformações que marcam a passagem da adolescência para a vida adulta. E quando no meio desse período de transição vem uma pandemia, que derrete economias e mantém países inteiros trancados em casa? E se, ainda por cima, entre todas as regiões do mundo, aquela em que você vive se transforma no epicentro da doença? Perguntamos a 30 jovens de 20 a 32 anos, no Brasil, em outros 12 países da América Latina e em Porto Rico, território americano, como estão enfrentando este momento e, mais importante, o que esperam do futuro. As respostas, enviadas por vídeo, foram emocionantes e também trouxeram boas doses de otimismo.
“Não podemos voltar à normalidade porque é uma crise que nos afetou de maneira mais universal. A covid-19 nos obriga a ser mais humanos, a valorizar mais o ser humano e o meio ambiente”, diz a estudante paraguaia Jesica Coronel, de 24 anos. “Não sei se vai ser assim (no futuro), mas realmente espero que tenhamos mais consciência ambiental, em nível pessoal, empresarial e estatal”, diz a estudante argentina Camila Godoy, de 24 anos.
Essas são também as principais mudanças que eles querem ver mantidas no futuro, detectadas pela pesquisa Juventudes e a Pandemia do coronavírus, que ouviu 33,7 mil pessoas entre 15 e 29 anos no Brasil entre abril e junho. A maior parte dos entrevistados diz ter perspectivas positivas em relação à maneira como a sociedade vai se organizar após a crise e 91% concordam total ou parcialmente que as relações humanas e a solidariedade serão mais valorizadas a partir de agora.
“Essa geração representa o potencial de virar o jogo e de diminuir as desigualdades”, afirma Marcus Barão, vice-presidente do Conselho Nacional da Juventude (Conjuve), que tocou a pesquisa em parceria com a Fundação Roberto Marinho, a Rede Conhecimento Social e a Unesco. Para Gabriela Mora, oficial de programas na área de adolescentes do Unicef, é importante agora, mais do que nunca, “olhar esses jovens como buscadores de soluções que afetam a sociedade como um todo”.
O estudo mostra que os jovens também temem as mudanças econômicas e as perspectivas de estudo e trabalho, mas apenas pouco mais de um terço (34%) se diz pessimista em relação ao futuro. “O otimismo e a resiliência dependem da história de vida de cada um. Mas os jovens estão naquele momento de definir a sua identidade, de explorar o mundo, e eles têm muito potencial criativo nessa descoberta das possibilidades. Então, têm também muita capacidade de reverter e transformar as situações, o que com certeza é uma habilidade necessária para este momento”, afirma a psicóloga Luana Meira de Oliveira, que faz especialização em Orientação Profissional e de Carreiras.
Planos
A capacidade de adaptação está sendo uma virtude fundamental nesses dias estranhos. Quase todos os jovens com os quais a reportagem conversou apontam mudanças nos planos com a chegada do novo coronavírus e o consequente isolamento social. Alguns tiveram de adiar viagens ou a formatura, enquanto outros pensavam que estariam efetivados no emprego e, ao contrário, estão parados em casa. Há até quem precisou mudar os planos de casamento.
“Meus planos de futuro se modificaram muito. Eu planejava casar. Minha noiva mora na Venezuela e eu precisava ir até lá acertar alguns papéis. Muitos aeroportos fecharam e provocaram a mudança dos planos que eu tinha”, afirma Isaias Figuera, comunicador audiovisual e fotógrafo de 24 anos, morador da República Dominicana. Apesar disso, ele tenta manter o otimismo. “Agora, é esperar o ano que vem, esperar que isso passe. Não se dar por vencido. Ter em mente que é preciso continuar. A vida segue, não dá para ficar parado. É preciso buscar uma maneira de concretizar o que queremos. O futuro não tão a longo prazo é tão incerto que não sabemos o que pode acontecer. Não podemos fazer mais nada, a não ser viver o presente.”
Mercado de trabalho
Em março, quando o novo coronavírus ainda fazia as primeiras vítimas na América Latina, estudo da Organização Internacional do Trabalho (OIT) já mostrava como essa parcela da população tem dificuldade para se encaixar no mercado. Altas taxas de desemprego, informalidade e desocupação afetavam quase 110 milhões de jovens na América Latina e no Caribe – destes, pelo menos 23 milhões não estudavam nem trabalhavam, e 30 milhões estavam no mercado informal, números que devem aumentar agora.
Os jovens estão em uma etapa em que podem mais facilmente adquirir conhecimentos novos, e esta pode ser uma oportunidade de se especializar”
Andrea Repetto, professora da Escola de Governo da Universidade Adolfo Ibáñez
“Os jovens da América Latina e do Caribe têm muitas habilidades socioemocionais, que espero que possam ser úteis para seguir adiante, apesar das dificuldades”, afirma a PhD em Economia Andrea Repetto, professora da Escola de Governo da Universidade Adolfo Ibáñez, no Chile. “Eles mostram perseverança e determinação, além de capacidade para se organizar para cumprir as metas a que se propõem. Ao mesmo tempo, possivelmente a economia pós-pandemia será diferente, e os jovens estão em uma etapa em que podem mais facilmente adquirir conhecimentos novos, e esta pode ser uma oportunidade de se especializar”, diz.
A engenheira comercial chilena María Teresa Fernandez, de 26 anos, aposta na flexibilidade como uma das vantagens que essa faixa etária vai ter para passar pelos problemas. “Nossa geração é uma das que mais vão conseguir fazer as mudanças necessárias, sobretudo na questão da transformação digital. Nós nascemos em um mundo que já era muito mais digital do que o de nossos pais. Nesse sentido, somos muito mais adaptáveis que eles em questões de trabalho, de espaço”, afirma.
Para o economista e professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV-SP) Rogério Mori, o fato de essa geração ser nativa digital representa uma oportunidade, especialmente em um momento em que tanto o mercado de trabalho quanto a educação avançaram na direção da tecnologia. “A pandemia antecipou em cinco ou até dez anos essas transformações”, afirma Mori. De acordo com o economista, o Brasil deveria aproveitar o período para desenvolver métodos pedagógicos para incluir mais a tecnologia na educação. “A única forma de a América Latina conseguir reduzir a desigualdade é por meio da educação. Sem estratégia definida, as desigualdades econômicas se aprofundam.”
A única forma de a América Latina conseguir reduzir a desigualdade é por meio da educação”
Rogério Mori, economista
Para a estudante boliviana Daniela Arando, de 23 anos, o caminho pode ser o empreendedorismo. “Estou vendo em meu país muitos novos empreendedores. Acredito que seja algo bom que muitos jovens estejam começando a empreender, levando em conta que muito possivelmente, por um grande período de tempo, o mercado de trabalho tradicional poderá não servir para nós.”
E entre a esperança e a incerteza, qual palavra melhor define 2020? Dos esperados “caos” e “inacreditável”, ouvimos também “oportunidade”, “aprendizado”, “força” e “resiliência”. “Desde o começo do ano até agora, já vivi dias bons e dias ruins. Dias difíceis, em que não é fácil estar com um sorriso de orelha a orelha”, afirma a estudante peruana María de Fátima Silva-Santisteban, de 22 anos. “Sempre parece difícil no começo. Mas conforme caminhamos com valentia, com vontade e, principalmente, com esforço, conseguimos lidar com as situações.”
BRASIL
‘JUNTAMOS FORÇAS, PORQUE SOMOS ESQUECIDOS PELO GOVERNO’
FLAVIA CAMPOS RODRIGUES,
ESTUDANTE DE MARKETING E EDUCADORA SOCIAL, 22 ANOS
“Neste cenário atual, vejo que o mundo está mais comovido, e falo especialmente pela minha comunidade, Paraisópolis (na zona sul de São Paulo). As pessoas juntaram forças para combater o coronavírus, porque aqui na comunidade somos esquecidos pelos governos. Mas juntamos forças para fazer a diferença.”
Duas palavras resumem meu 2020: oportunidade e aprendizado. Aprendizado porque a gente nunca imaginou passar por uma pandemia, e oportunidade de enxergar um mundo melhor”
Flavia Campos Rodrigues, 22 anos
‘AGORA QUE PRECISAMOS DO COLETIVO, VEMOS PESSOAS SE COLOCANDO NA FRENTE DOS OUTROS’
EDUARDO DINIZ,
ESTUDANTE, 21 ANOS
“Eu queria muito poder dizer que no Brasil pós-pandemia as pessoas vão sair melhores, igual vejo muitos falando, mas acredito que vai ser meio que o contrário. Neste momento em que a gente precisa muito do coletivo, a gente vê que muitas pessoas se colocam na frente dos outros. Esse individualismo se torna ainda mais perceptível. As pessoas saindo para a praia, para correr no parque. Acaba que as pessoas que precisam sair para trabalhar ficam ainda mais prejudicadas. Mas eu acredito que, no futuro do mundo, as pessoas vão começar a se acostumar um pouco mais a fazerem coisas em casa, a ter menos aglomerações, a receber mais os amigos. A gente conseguiu muito rápido se adaptar ao home office, o que levaria muito mais tempo em situações normais. Eu acredito também que as pessoas vão valorizar mais o contato próximo e não necessariamente uma viagem incrível, uma festa incrível.”
A palavra que define 2020 é ruptura”
Eduardo Diniz, 21 anos
‘SEREMOS FORÇADOS A LIDAR COM AS FERIDAS DA DESIGUALDADE SOCIAL’
RAISSA DE ARAÚJO RAMOS,
ESTUDANTE DE ENGENHARIA AGRONÔMICA, 23 ANOS
“Não tenho uma visão otimista do Brasil pós-pandemia. Não estamos passando apenas por uma crise de saúde pública com a covid-19, mas enfrentamos também uma séria crise política. Seremos forçados a lidar com feridas deixadas pela desigualdade social, que nos persegue, pelo alto índice de desemprego, pela falta de política pública e pela violência.”
Resumir 2020 em uma palavra? Incerteza, 2020 é totalmente incerteza”
Raissa de Araújo Ramos, 23 anos
‘VIVO REALIDADE TOTALMENTE DIFERENTE DOS PLANOS FEITOS HÁ UM ANO’
ISAAC RAIDE,
ESTUDANTE DE ECONOMIA E ESTAGIÁRIO EM BANCO, 22 ANOS
“O que estou vivendo agora é totalmente diferente do que esperava viver um ano atrás. Há um ano, imaginava que na metade de 2020 eu estivesse efetivado ou caminhando para a efetivação, e o que está acontecendo é totalmente o contrário. Estou em stand-by no banco, continuo recebendo, só não estou trabalhando, mas sei que essa não é a realidade de muitas pessoas, infelizmente.”
Se eu fosse resumir 2020 em apenas uma palavra, sem dúvida, seria incerteza”
Isaac Raide, 22 anos
‘A GENTE SABIA O QUE ACONTECERIA QUANDO VÍRUS CHEGASSE. E POUCO FIZEMOS’
AMANDA DIAS,
ESTUDANTE DE ADMINISTRAÇÃO E ATENDENTE DE COBRANÇA, 20 ANOS
“O Brasil entrou extremamente atrasado (no combate ao coronavírus), em comparação com outros países do mundo. A gente sabia o que ia acontecer, com as notícias de outras partes do mundo. Então, quando chegou aqui, já tínhamos noção da proporção da doença e, mesmo assim, fizemos muito menos do que deveria ser feito ou o pouco que fizemos foi mal feito, fazendo com que o Brasil disparasse em número de casos e mortes.”
Resumir 2020? Tenso, 2020 é tenso. Já pode ser cancelado e pular para o próximo ano”
Amanda Dias, 20 anos
ARGENTINA
‘ESPERO MAIS CONSCIÊNCIA AMBIENTAL A PARTIR DE AGORA’
CAMILA GODOY,
ESTUDANTE DE COMUNICAÇÃO E FOTÓGRAFA, 24 ANOS
“Não sei se vai ser assim (no futuro), mas realmente espero que tenhamos mais consciência ambiental, em nível pessoal, empresarial e estatal. Que possam planejar, por exemplo, políticas públicas que levem em conta os desenhos urbanos, os espaços verdes, que são muito escassos, a superlotação e tantas outras coisas que estamos vendo nesse contexto e que nos estão afetando bastante.”
Acho que a palavra para definir esse ano é incerteza”
Camila Godoy, 24 anos
‘EFEITOS NA MINHA GERAÇÃO DEPENDEM DE DECISÕES TOMADAS AGORA’
FEDERICO ENGEL,
ENGENHEIRO INDUSTRIAL, 28 ANOS
“Todos os países foram economicamente afetados. A pandemia derrubou muitas economias. Creio que levantar tudo isso vai depender muito das decisões que cada país tomar e de irmos também, aos poucos, nos ajudando para seguir adiante. Como isso afeta a minha geração? Depende de como for a adaptação, com a economia avançando pouco a pouco, reduzindo ao máximo a pobreza, que aumentou muito por causa da pandemia. Vai depender muito das medidas e das decisões que tomemos daqui para o futuro, quando possamos nos livrar do vírus. Vai depender muito disso, de todas as medidas e de como formos avançando passo a passo.”
Adaptação. É um ano que está nos colocando muitas barreiras. Precisamos lidar da forma que pudermos para conseguir voltar à normalidade”
Federico Engel, 28 anos
‘ESTAR EM CASA ME FEZ PENSAR EM QUEM NÃO TEM UMA’
JULIETA GRECO,
PSICÓLOGA, 28 ANOS
“Estar em casa me fez pensar em muita gente que não tem casa, com as condições dignas e básicas, de higiene, de nada. Coisas básicas a que deveriam ter direito. Há muitas pessoas assim e mesmo muitas crianças. Estamos na Argentina – mas é igual no Brasil, no Chile, na América Latina – com altas taxas de pobreza e muitas pessoas que vivem em condições vulneráveis. E muitas são crianças.”
Difícil pensar 2020 em uma palavra. Mas escolho ‘reinventar-nos’, pois nos obriga à reinvenção constante”
Julieta Greco, 28 anos
‘JÁ VIVI UMA QUARENTENA ANTES, QUANDO COMECEI A PERDER A VISÃO’
ZEZÉ FASMOR,
FOTÓGRAFO E POETA, 32 ANOS
“Já vivi a quarentena antes, nos primeiros anos que comecei a perder a visão, entre os 23 e os 25 anos. Agora, é como voltar um pouco a esse momento. Vou ter a paciência que tive no começo da minha perda de visão. Sobre ser solidário, acredito que é muito importante, também, escutar as pessoas que não costumam enfrentar as coisas da mesma forma que a gente. Muita gente está se estressando. É muito complicado para elas, para os que estão muito acostumados a sair. O confinamento é muito claustrofóbico para alguns.”
Para mim, a palavra que resume o ano é meditar, meditação. É importante separar um tempo para pensar sozinho. Senão, você fica louco”
Zezé Fasmor, 32 anos
‘MUITOS SE ORGANIZARAM VOLUNTARIAMENTE PARA AJUDAR’
MAGALI CABANA,
ASSISTENTE SOCIAL, 29 ANOS
“Muitas pessoas, de forma voluntária, se organizaram para poder arrecadar alimentos, produtos de higiene, roupas e calçados para serem distribuídos para famílias com poucos recursos, para famílias vulneráveis, que estão em situação de emergência.”
Vai ser difícil encontrar uma vaga de trabalho diante da situação atual”
Magali Cabana, 29 anos
BOLÍVIA
‘VAMOS SER OS PRIMEIROS A FAZER UMA MUDANÇA ESTRUTURAL DE CONDUTA’
DIANA STOHMANN,
RESIDENTE DE MEDICINA, 29 ANOS
“Eu acho que com certeza vamos ser os primeiros a fazer uma mudança estrutural na nossa conduta, assim como as pessoas mais novas, porque somos a geração que teve essa exposição tão grande à tecnologia e à globalização desde a infância. Então, eu acho que não tem como a gente ignorar a quantidade de informação que a gente tem recebido nesse tempo, ainda mais a respeito de como os outros vivem no restante do mundo e o efeito que o ser humano tem no meio ambiente. Vejo muito isso nas pessoas da minha idade ou ainda mais novas. Todo mundo tem uma tendência a ter uma consciência muito mais elevada.”
Uma palavra para descrever o meu 2020 é totalmente imprevisível. Tinha o meu ano esquematizado e agora está tudo diferente”
Diana Stohmann, 29 anos
‘MINHA GERAÇÃO SERÁ A MAIS AFETADA, CHEGANDO AGORA NO MERCADO DE TRABALHO’
DANIELA ARANDO,
ESTUDANTE, 23 ANOS
“Acredito que a minha geração vai, sim, ser a mais afetada por esta pandemia, porque estamos falando de jovens que estavam começando no mercado de trabalho ou buscando emprego, em vagas que talvez não existem mais ou foram suspensas por causa da pandemia. Mas tenho visto muitos empreendedores. E talvez esse seja o futuro para os jovens.”
Uma palavra que para mim pode resumir 2020 é caos”
Daniela Arando, 23 anos
CHILE
‘SOMOS MUITO MAIS ADAPTÁVEIS DO QUE NOSSOS PAIS’
MARÍA TERESA FERNÁNDEZ,
ENGENHEIRA COMERCIAL, 26 ANOS
“Trabalho em um banco da área de transformação digital e com a quarentena fomos superafetados emocionalmente, porque não podemos estar com os colegas no escritório. Mas todas as áreas de transformação digital estão em super em voga. É uma das que estão mais mobilizadas na quarentena. Em nível mundial, ninguém poderia pensar que a digitalização na vida dos clientes iria começar por causa de uma pandemia. Neste sentido, todas as áreas de transformação, no mundo, estão sendo um paraíso para o trabalho. Não acredito que nossa geração será a mais afetada. Nossa geração é uma das que mais vão conseguir se adaptar às mudanças que isso traz, sobretudo na questão da transformação digital. Nós nascemos em um mundo que já era muito mais digital do que o de nossos pais. Nesse sentido, somos muito mais adaptáveis que eles em questões de trabalho, de espaço.”
Caos é a palavra para 2020. Nunca pensamos que íamos terminar ou começar assim. Tomara que melhore”
María Teresa Fernández, 26 anos
‘QUE POSSAMOS TIRAR CONCLUSÕES DESSE MOMENTO. E SERMOS DIFERENTES’
ALEX DANIEL GARCÍA ROJAS,
FORMADO EM COMUNICAÇÃO E ESTUDANTE DE PUBLICIDADE, 27 ANOS
“Nos vemos enfrentando uma situação que não imaginamos viver, tão complexa que uma grande quantidade de países teve de fazer quarentena, se isolar. Espero que ao fim desta quarentena, desse isolamento, dessa pandemia, possamos tirar algumas conclusões: como enfrentamos, o que mudar, o que aprendemos com tudo isso? Que seja diferente. Que sejamos diferentes.”
Acredito que minha palavra (para 2020) é mudanças. Mas que sejam mudanças para o bem, próprio ou para o bem comum a todos”
Alex Daniel García Rojas, 27 anos
‘SINTO QUE MERECÍAMOS O QUE ESTÁ ACONTECENDO’
CYNDI CABALLERO GUZMÁN,
ENFERMEIRA, 29 ANOS
“Sinto que como humanos merecíamos isso. Pelo menos aqui no Chile, há rios que voltaram à sua normalidade, Santiago já não está tão contaminada como antes, o céu está claro. Os animais estão voltando a seu hábitat natural. Isso não está acontecendo só aqui, mas no mundo todo. Está acontecendo porque nós estamos aprisionados, porque há menos gente nas ruas e tudo está voltando a ser como antes. Então, eu acho que, às vezes, merecemos as coisas que acontecem, mas o importante é aprender com isso.”
Uma palavra que resume este ano é valorizar. As pessoas estão sempre se queixando dos mínimos problemas”
Cyndi Caballero Guzmán, 29 anos
COLÔMBIA
‘SINTO QUE O QUE ESTÁ OCORRENDO É UM EMPURRÃO, UM IMPULSO PARA A MINHA GERAÇÃO’
MARÍA JOSÉ BOHÓRQUEZ,
PROFISSIONAL DE NEGÓCIOS INTERNACIONAIS, 23 ANOS
“Nossa geração não será a mais afetada porque nós somos muito adaptáveis, muito moldáveis. Isso tudo afeta mais as gerações anteriores, que têm sentido mais dificuldade de se adaptar a essa situação. Mas, sinceramente, nós, não. Sinto que nós vamos sair bem dessa fase, vamos encontrar uma forma de recuperar tudo, nos lados social e econômico. E até melhorar. Sinto que o que está ocorrendo é um empurrão, um impulso, uma motivação para que minha geração consiga bons resultados.”
Aprendizagem, em todos os sentidos. Estar em casa comigo me ensinou a me conhecer, aprender quem sou, como sou. No trabalho, tive de aprender muito, como trabalhar de forma remota. Com a minha família, aprender a conviver”
María José Bohórquez, 23 anos
EQUADOR
‘MINHAS PERSPECTIVAS SOBRE O QUE É TER SUCESSO E SOBRE O QUE É IMPORTANTE NA VIDA MUDARAM MUITO’
ALEJANDRA GABRIELA CHALÉN CUESTA,
ESTUDANTE, 24 ANOS
“Socialmente, espero que mude para o bem. Espero que as pessoas se deem conta do que realmente importa, porque eu sei que, seja na França, num quarto de hotel ou aqui em casa, eu me dei conta de que tudo o que necessitamos está dentro da gente. Não importa a quantidade de coisas. Eu creio que minhas perspectivas sobre o que é ter sucesso e sobre o que é importante na vida mudaram muito. A família e a família que você escolhe, que são os amigos, isso é o mais importante do mundo. Eu espero que não nos esqueçamos disso. Tem sido um tempo doloroso, com muitas perdas. Gente que perdeu a vida, gente que perdeu a casa, gente que perdeu tudo. Mas, no fim das contas, a família é tudo o que temos e, se estamos juntos, podemos suportar. Porque temos de suportar e ser mais austeros, poupadores. Espero que não nos esqueçamos disso.”
O resumo de 2020 é mudança. Porque eu mudei minha forma de pensar, porque mudou a forma de vivermos e a forma de nos comunicarmos”
Alejandra Gabriela Chalén Cuesta, 24 anos
HONDURAS
‘NÃO FOMOS PROATIVOS, MAS SIM REATIVOS, O QUE É UMA ABORDAGEM CATASTRÓFICA’
JORGE BARRIGH,
PUBLICITÁRIO, 24 ANOS
“Honduras não tem os suprimentos necessários para se defender de um inimigo microscópico, que é a covid-19. Então, não temos suprimentos médicos e o orçamento que o governo aprovou para combater a pandemia não se reflete em nenhum lugar. Atualmente, são mais de 14.000, se aproximando dos 15.000 casos relatados. No entanto, não estamos fazendo os testes necessários, não testamos nem mesmo 1% da população, que seria 90.000 pessoas. Não fizemos isso, ou seja, não sabemos como o vírus se espalhará, não podemos prever ou projetar qual vai ser a quantidade de casos no período de pico. Não fomos proativos, mas sim reativos, que é uma abordagem catastrófica, pois estamos enfrentando um problema diante da pandemia.”
Creio que tenho duas palavras para o ano de 2020: errático e imprevisível”
Jorge Barrigh, 24 anos
MÉXICO
‘PRECISO CUIDAR DO MEU BEBÊ E CONTINUAR A TRABALHAR DE CASA’
ANDREA VENEGAS,
PEDAGOGA, 25 ANOS
“No momento, por razões óbvias, estou trabalhando de casa, elaborando programas para as crianças, desenvolvendo novas aulas. Houve corte de pessoal no meu emprego. Muitos foram demitidos. Outros, como no meu caso, tiveram o salário reduzido. Tem sido difícil e complicado trabalhar em casa. Preciso cuidar do meu bebê de 2 anos e ver como fazer para que me deixe planejar as aulas. Também mudou muito a situação econômica. Precisei reduzir muitas coisas. Mudou bastante o fato de que não posso ver a minha família. Só falo com meus pais pelo telefone, por videochamada. Mudou o fato de não eu poder mais ver os meus amigos. Mas o bom é que estamos mais perto das pessoas de que gostamos, estamos mais dependentes deles. Então, essa mudança é positiva.”
Minha palavra é ensinamento, porque aprendi a valorizar cada uma das coisas que antes dávamos como certas, como acordar com saúde, ter trabalho, ver meu filho, conviver com seu marido e estar com a família”
Andrea Venegas, 25 anos
‘DA MESMA FORMA QUE O PAÍS E O MUNDO SERÃO DIFERENTES, PESSOALMENTE, EU TAMBÉM SEREI’
SEBASTIÁN GONZÁLEZ,
ESTUDANTE DE DIREITO, 22 ANOS
“Da mesma forma que o país e o mundo serão diferentes, pessoalmente, eu também serei. Neste período, desde que suspenderam o meu trabalho e as aulas começaram a ser virtuais, comecei a ter mais tempo para me concentrar em mim mesmo, nos meus sentimentos, nas minhas prioridades, nos meus ideais. Pensamentos ou sentimentos que eu já tinha foram aflorados de alguma forma. Ter me dedicado a esse trabalho interno me ajudou bastante. Me mudou muito para melhor. Como é um desenvolvimento pessoal, ele acontece em todos os sentidos, que possam estar relacionados com a minha família e com o meu trabalho. Quanto ao meu trabalho, se passei por dificuldades, agora vou me dedicar a novas situações. Estou um pouco mais consciente em relação a tudo o que me rodeia.”
Desenvolvimento. Pelo menos até agora, eu fico com essa palavra. Muitas coisas aconteceram em 2020, para melhor ou para pior”
Sebastián González, 22 anos
‘SEGUIMOS COM OS MESMOS PLANOS E O MESMO OTIMISMO’
ALEJANDRO ESPINOZA,
ESTUDANTE DE ENGENHARIA BIOMÉDICA, 20 ANOS
“Acredito que meus planos a curto prazo mudaram. Os últimos seis meses têm sido muito caóticos, fizemos muitas mudanças em casa, em nossa forma de vida. Mas, se falarmos de longo prazo, acredito que seguem bastante iguais, apesar de essa pandemia ser um golpe duro para muitas famílias e para a economia do mundo. Mas seguimos com os mesmos planos e o mesmo otimismo”
Se tivesse de escolher uma palavra para resumir 2020, qual seria? Seria caótico”
Alejandro Espinoza, 20 anos
PARAGUAI
‘A PANDEMIA NOS OBRIGA A SER MAIS HUMANOS’
JESICA CORONEL,
ESTUDANTE DE INSTRUMENTAÇÃO E ÁREA CIRÚRGICA, 24 ANOS
“Não podemos voltar à normalidade porque é uma crise que nos afetou de maneira mais universal. A covid-19 nos obriga a ser mais humanos, a valorizar mais o ser humano e o meio ambiente. O bom dessa pandemia é que estamos mais próximos da família, que era algo difícil por causa da falta de tempo e por outras razões. Também nos dedicamos mais a nós mesmos agora.”
A palavra que escolho para esse 2020 seria força, porque estamos passando por uma crise em nível mundial, que nos mostra que temos de ter força para não renunciar ao que amamos”
Jesica Coronel, 24 anos
PERU
‘EU ANSIAVA PELA MINHA FESTA DE GRADUAÇÃO, COLOCAR A MINHA BECA, JOGAR O MEU CAPELO’
MARÍA DE FÁTIMA SILVA-SANTISTEBAN,
ESTUDANTE DE COMUNICAÇÃO, 22 ANOS
“Este é o meu último semestre na universidade e vou ter de ficar com as memórias do penúltimo semestre porque não pude ir para a universidade pela última vez. Agora, vou lembrar que todas as minhas aulas do último período foram virtuais, assim como todas as reuniões de grupo. Tive de fazer de maneira virtual todos os trabalhos e tarefas. Meus planos futuros mudaram muito. Antes desse último período, eu ansiava pela minha festa de graduação, colocar a minha beca, jogar o meu capelo. Eu tinha muitos desejos, mas minha universidade, como muitas aqui no Peru, suspendeu qualquer atividade que envolva aglomeração de pessoas. De fato, não há razão para voltar neste ano, até que pelo menos a situação melhore no país.”
Fico com a palavra resiliência. Sempre parece difícil no começo. Mas conforme caminhamos com valentia, conseguimos lidar com as situações”
María de Fátima Silva-Santisteban, 22 anos
‘NO ANO PASSADO, EU TINHA UM BOM EMPREGO, MAS NÃO TINHA TEMPO PARA FICAR COM A MINHA FAMÍLIA’
BETSABÉ SAAVEDRA,
ESTUDANTE, 22 ANOS
“A pandemia me ajudou a me conhecer melhor, a ser uma pessoa mais paciente e a ficar mais próxima da minha família. No ano passado, eu tinha um bom emprego, mas não tinha tempo para ficar com a minha família, com meu pai, minha mãe e meu irmão. Moro com eles, mas estava o tempo todo fora de casa. Então, eu agora tenho mais tempo para ficar com eles e comigo mesma, para ter momentos de introspecção.”
Uma palavra com a qual eu descreveria 2020 seria consciência, muita consciência”
Betsabé Saavedra, 22 anos
‘TINHA PLANEJADO CONSEGUIR UMA OCUPAÇÃO QUE ME GERE ALGUM TIPO DE RENDA’
MARTÍN ALONSO TOCTO BENITES,
ESTUDANTE DE JORNALISMO, 23 ANOS
“Na realidade, a pandemia mudou muito as minhas perspectivas. Eu tinha planejado começar a trabalhar neste ano, terminar meu estágio e conseguir uma ocupação que me gere algum tipo de renda. Mas, devido à pandemia, parece que isso não será possível, uma vez que o mercado de trabalho diminuiu bastante. Eu queria me formar e terminar meus estudos. Vou conseguir fazendo aulas a distância, mas não sei se terei como arrumar emprego, porque no meu país muitas pessoas foram demitidas.”
2020 em uma palavra, para mim, significa ‘caos’, porque este ano trouxe muito caos à vida das pessoas. Espero que melhore”
Martín Alonso Tocto Benites, 23 anos
PORTO RICO
‘SOCIALMENTE, A PANDEMIA NOS AFETOU, JÁ QUE GOSTAMOS DE ESTAR COM AMIGOS’
SEBASTIAN MARCANO SANTIAGO,
ESTUDANTE, 20 ANOS
“A pandemia vai mudar a forma como penso. Agora mesmo, estou pensando duas vezes se sair de casa é mesmo uma necessidade. Não acredito que a minha geração seja a mais afetada economicamente, uma vez que muitos de nós ainda somos estudantes. Mas, sim, posso dizer que socialmente a pandemia nos afetou, já que gostamos de estar com amigos. E isso é muito difícil com o distanciamento social.”
Para resumir: caótico. Todos os planos que eu tinha tomaram rumos diferentes do que eu havia imaginado”
Sebastian Marcano Santiago, 20 anos
REPÚBLICA DOMINICANA
‘A VIDA SEGUE, NÃO DÁ PARA FICAR PARADO’
ISAIAS FIGUERA,
COMUNICADOR AUDIOVISUAL E FOTÓGRAFO, 24 ANOS
“Meus planos de futuro se modificaram muito. Eu planejava casar. Minha noiva mora na Venezuela e eu precisava ir lá acertar alguns papéis. Muitos aeroportos fecharam e provocaram a mudança dos planos que eu tinha. Agora, é esperar o ano que vem, esperar que isso passe. Não se dar por vencido. Ter em mente que é preciso continuar. A vida segue, não dá para ficar parado. É preciso buscar uma maneira de concretizar o que queremos. O futuro não tão a longo prazo é tão incerto que não sabemos o que pode acontecer. Não podemos fazer mais nada a não ser viver o presente.”
Uma palavra para esse 2020, de forma muito clara e precisa, é a esperança. É o que todos temos. É algo que não tiraram de nós”
Isaias Figuera, 24 anos
URUGUAI
‘NÓS SOMOS MAIS JOVENS, TEMOS MAIS OPORTUNIDADE E TAMBÉM MAIS TEMPO PARA NOS DEDICAR’
FACUNDO DIAZ,
PRODUTOR AUDIOVISUAL, 26 ANOS
“Não sei se a minha geração vai ser a mais afetada não. Penso na geração do meu pai, de pessoas que ainda não se aposentaram e seguem trabalhando, mas são mais velhas e têm menos oportunidades de trabalho. Para elas, vai afetar mais. Nós somos mais jovens, temos mais oportunidade e também mais tempo para nos dedicar. Não acredito que nossa geração vai sofrer tanto.”
Truncado. Essa para mim é a palavra do ano. Nem havíamos iniciado e já tivemos de parar toda a máquina por causa da pandemia”
Facundo Diaz, 26 anos
VENEZUELA
‘VAMOS TORCER PARA QUE SEJA UM MUNDO MENOS CONSUMISTA, MENOS EGOÍSTA E QUE SEJA BASICAMENTE MAIS HUMANO’
JUAN MEDINA,
ENGENHEIRO CIVIL, 23 ANOS
“Considero que algumas coisas vão mudar em meu país. Principalmente, no ânimo das pessoas. O meu país vive uma crise política importante, uma grave crise econômica e uma crise social que é, de fato, a pior do continente. Esta crise faz com que uma população já bastante fraca ou bastante desassistida se veja precisando continuar desempenhando atividades precárias para poder subsistir. Em âmbito mundial, acho que definitivamente haverá mudanças. O mundo será mais rigoroso com as migrações, vai fechar fronteiras e talvez comece a impedir a livre circulação por um ano, um ano e meio. O mundo definitivamente vai mudar, mas espero que também mude para melhor. Vamos torcer para que seja um mundo menos consumista, menos egoísta, que seja basicamente mais humano e que entenda o quão frágil somos como sociedade e como humanidade. E que um simples vírus, indetectável à vista, pode causar muitos estragos. Não é a primeira vez que a humanidade passa por algo assim, mas é a primeira da história recente. E isso nos deve fazer refletir um pouco. As pandemias mudam a humanidade, definitivamente.”
Inacreditável. Acho que no começo do ano ninguém, absolutamente ninguém, poderia imaginar que isso se tornaria uma pandemia”
Juan Medina, 23 anos
‘ISSO VAI NOS ENSINAR A DEIXAR DE LADO O DESEJO DE CONTROLAR, DE QUERER PODER E TER AMBIÇÃO’
AIXA MEDINA,
ESTUDANTE DE MEDICINA, 24 ANOS
“Sempre pensei que seria difícil uma pessoa se conhecer totalmente como ser humano porque nunca temos muito tempo para nos ver realmente, nunca temos tempo para ter um momento introspectivo. Agora, acho que temos tempo livre de sobra. A pandemia me fez ver muitas coisas sobre mim mesma, o que eu estava fazendo de errado. Também me ensinou que não há razão para correr contra o tempo, que realmente a única coisa que determina se o tempo é desperdiçado ou não é o que você faz com ele. Então, é importante que você aproveite todos os momentos para melhorar e fazer algo de que gosta, estar com sua família, parar um segundo e escutar seus pais, seus amigos, seja o que for. Faz parte do seu crescimento e não é desperdício de tempo. Acho que todos devemos ser menos agressivos com a vida em geral, ou seja, com o meio ambiente, com nossos vizinhos e amigos, conosco. Eu percebi que a pessoa que mais exige de qualquer um de nós somos nós mesmos. Acho que isso vai nos ensinar a, talvez, deixar de lado o desejo de controlar, de querer poder e ter ambição. Penso que é preciso fazer uma pausa nessa vida cotidiana, que realmente fica permeada por coisas que, por assim dizer, não são assim tão puras.”
Serenidade. Porque é muito difícil permanecer sereno quando você se sente de mãos atadas”
Aixa Medina, 24 anos
EXPEDIENTE
Reportagem Ana Carolina Sacoman, Bianca Gomes, Carla Miranda, Iolanda Paz, Marina Cardoso (especial para o Estado), Roberta Picinin (estagiária sob supervisão de Carla Miranda) / Editora de Conteúdos Premium Ana Carolina Sacoman / Editora de Inovação Carla Miranda / Editor multimedia executivo Fabio Sales / Editora de infografia multimídia Regina Elisabeth Silva / Editores assistentes multimídia Adriano Araujo, Carlos Marin, Glauco Lara e William Marioto / Designers multimídia Bruno Ponceano, Lucas Almeida e Vitor Fontes / Coordenador de Produção Multimídia Everton Oliveira / Edição de Vídeos Bruno Nogueirão, Everton Oliveira, Gabriel Sayão e Iolanda Paz / Agradecimentos Abel Molina (Bolívia), Aline Fabre (Brasil), Carla Minet (Porto Rico), Carlos Fernando Laterça Barroso (Brasil), Daniel Medina (Brasil), Evandro Almeida Jr (Brasil), Francisca Rodrigues (Brasil), Isabel Mercado (Bolívia), Larissa Gaspar (Brasil), Liza Higuera Rubio (Colômbia), Maria Camila Mendez (Espanha), Milton Quintana Junior (Brasil), Paula Martín Raposo (Espanha), Rodrigo Marcelino (Brasil), Sandra Romandía (México) e Thais Durand (Brasil)