Homem, 42 anos e ‘qualificado’: o retrato do motorista de Uber no Brasil
De Tilt, em São Paulo | UOL*
Um levantamento mostra qual o perfil do motorista de Uber no Brasil: a maioria é homem, com idade na casa dos 40 anos e “qualificado” (com curso superior ou mais de dez anos de estudo). A pesquisa foi feita em vários países da América Latina, como Chile, Colômbia, México, Argentina e Costa Rica.
O que aconteceu
Levantamento divulgado ontem diz que o Brasil tem 1,4 milhão de motoristas ativos. É a maior quantidade de condutores da Uber fora dos Estados Unidos. No que diz respeito a usuários, Uber e 99 somam juntas 28 milhões de usuários no país. A pesquisa foi feita pelo BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) em parceria com a empresa de app de transporte, que diz ter cedido dados.
Boa parte dos motoristas de Uber tem formação superior. O levantamento diz que 45% dos condutores brasileiros declararam ter concluído o curso superior ou além e 46% têm entre 10 anos e 12 anos de estudo, o que equivale ao ensino médio completo.
“Esses resultados sugerem que a Uber tem atraído indivíduos mais qualificados, possivelmente devido a mudanças nas condições econômicas ou às preferências de emprego em evolução.” – Estudo Bid-Uber 2024
Homem e idade média de 42,1 anos. Do total, 90,6% dos entrevistados são do sexo masculino. No quesito idade, o Brasil está bem próximo da média dos outros países da América Latina, cuja média dos condutores varia entre 39 e 42 anos.
O motorista brasileiro gasta 24 horas semanais online no app, em média. O levantamento menciona que motoristas com menos escolaridade (com 0 a 9 anos de educação formal) ficam mais tempo conectados na plataforma, com médias semanais de 29 horas.
Pouco mais da metade dos motoristas é responsável pela renda familiar. 56% dos respondentes disseram arcar com todas ou a maior parte das despesas domésticas.
Motorista brasileiro é o que mais aluga carro. No Brasil, 17% dos condutores disseram alugar veículo de agências —a maioria diz usar veículo próprio ou de familiares (64%). Na Colômbia, por exemplo, a taxa é de 1%.
O Brasil é o país em que os motoristas são menos fiéis à Uber. Metade dos entrevistados disse que usa as outras plataformas, sendo que a maioria deles relatou usar a 99.
País foi onde houve o maior crescimento de mulheres motoristas. De 2019 (quando a Uber fez a primeira pesquisa do tipo) para 2024, houve aumento de 4,4% de condutoras, o maior entre os países pesquisados. A título de comparação, na Colômbia o crescimento foi de 2,3%; no México, de 1,5%; e no Chile, de 0,9%.
“Muitas vezes, os motoristas da Uber são apresentados como um símbolo do futuro do trabalho. Na América Latina e no Caribe, talvez sejam algo diferente: um reflexo do presente. Suas experiências mostram como milhões de pessoas já enfrentam rendas instáveis, redes de proteção frágeis e a necessidade constante de se adaptar.” – Oliver Herrera e Maria Guilen, em blog post, no site do BID sobre o estudo
Pesquisa foi realizada pela Ipsos a pedido do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento). Foram entrevistadas, ao todo, 2.069 pessoas no Brasil. O levantamento foi feito de forma online entre agosto e setembro de 2024, mas os resultados só foram divulgados ontem. Ao todo, foram ouvidas 13.722 pessoas do Chile, Colômbia, México, Equador, Costa Rica, República Dominicana e Argentina, além do Brasil.
*Portal Uol, https://www.uol.com.br/tilt/noticias/redacao/2026/02/26/perfil-motorista-uber-brasil.htm, 27/02/2026