Professores japoneses são mais insatisfeitos que os brasileiros; veja ranking
Dados do relatório anual de educação indicam que, apesar da diferença salarial, Brasil e Japão têm poucos docentes realizados com seus trabalhos
Por Renata Cafardo e Paula Ferreira | OESP*
Os resultados brasileiro e japonês, no entanto, são ruins nas duas dimensões analisadas pelo relatório anual do órgão, o “Education at a Glance”. Apenas 22,3% dos professores brasileiros estão satisfeitos com o salário que recebem, o que coloca o País em 34º lugar entre 38 países analisados. No Japão, são 28,6%.
Em alguns países, a diferença entre as duas percepções é grande, como na Polônia, onde 80% dos professores estão satisfeitos com o trabalho, excluindo o salário, mas apenas 21% estão felizes com a remuneração. Na Lituânia, os índices são de 77% e 28%; e na Estônia, 73% e 30%, respectivamente.
No início da carreira, um professor dos anos finais do ensino fundamental da rede pública brasileira recebe, segundo o relatório, US$ 25,7 mil por ano (R$ 134 mil, em valor bruto anual). É um dos piores salários entre os países analisados pela OCDE. A média da União Europeia é de US$ 47,7 mil (R$ 248 mil) e dos países da OCDE, de US$ 49,71 (R$ 259 mil), quase o dobro do valor brasileiro. No topo da tabela está Luxemburgo, com US$ 109 mil (R$ 568 mil).
Já o Japão está no meio da tabela, com US$ 43 mil (R$ 224 mil) – quase 70% acima do brasileiro. Outra diferença é o desempenho dos alunos. Enquanto o Brasil fica nas últimas colocações do Pisa, a avaliação de estudantes de 15 anos, também da OCDE, os japoneses obtiveram 538 pontos em Matemática, 503 em Leitura e 525 em Ciências, todos bem acima das médias dos países desenvolvidos.
Entre as possíveis razões para a insatisfação dos professores no Japão, o relatório da OCDE mostra que eles passam menos de 500 horas por ano em sala de aula, mas têm a jornada semanal total a mais longa entre os países analisados. São 6,3 horas por semana a mais do que a de outros profissionais com ensino superior. Uma parte importante desse tempo é dedicada a tarefas que não são propriamente dar aulas.
No Japão, professores do ensino secundário dedicam 10% de todo o seu tempo efetivo de trabalho à gestão de clubes e outras atividades extracurriculares, a maior proporção entre os países da OCDE. Mais de 9% do tempo de trabalho também é consumido por tarefas administrativas, ante 6% na média da organização, segundo o relatório.
Além disso, entre 2018 e 2024, a parcela de professores que relatou estresse relacionado ao trabalho aumentou 7,2 pontos porcentuais no país. No mesmo período, cresceu em 14 pontos porcentuais a parcela dos que disseram precisar frequentemente interromper as aulas para lidar com problemas de comportamento dos estudantes.
Já o Brasil tem um dos índices mais elevados de indisciplina escolar entre os países analisados: 89% dos professores do ensino fundamental 2 relatam que precisam frequentemente ou sempre de conter comportamentos de indisciplina dos alunos.
O relatório da OCDE também aponta que, no mundo, a escassez de professores deixou de ser apenas uma questão de vagas não preenchidas. Ela também aparece na dificuldade de substituir profissionais, na contratação de docentes sem qualificação, nas diferenças entre regiões e disciplinas, no envelhecimento da categoria, na saída de professores no início da carreira e na dificuldade de manter profissionais experientes.
Cita ainda que, entre 2018 e 2024, aumentou de 30% para 45% a parcela de professores dos anos finais do ensino fundamental que trabalhavam, nos países da OCDE, em escolas onde mais de 10% dos alunos tinham necessidades educacionais especiais.
*Estado de São Paulo, https://www.estadao.com.br/educacao/professores-japoneses-sao-mais-insatisfeitos-que-os-brasileiros-veja-ranking/?srsltid=AU7gw4VUH0tYos6wEgjqWfv0pwLQEs0RqUCPD1rD1aDfRPJWHLSAdprE, 29/09/2026