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The New York Times, Folha de São Paulo, segunda-feira, 29 de
junho de 2009


Robótica ultrapassa novo
limiar, literalmente

Por JOHN MARKOFF

A notícia é um pequeno passo para um robô e um passo não gigantesco, mas
importante, para a robótica. O grupo Willow Garage, do vale do Silício (EUA),
que faz pesquisas em robótica, anunciou que seu robô experimental PR2, dotado de
rodas e capaz de mover-se a 2km/h, consegue abrir dez portas, passar por elas e
plugar-se em dez tomadas de parede padronizadas em menos de uma hora. Em um
teste diferente, o mesmo robô completou uma maratona no escritório da empresa,
percorrendo 42 km.

O PR2 ainda não está pronto para competir com atletas humanos —levou mais
de quatro dias para completar o percurso. Mas, para os construtores de robôs e
para uma nova geração de tecnólogos do vale do Silício, trata-se de um passo à
frente no caminho que conduz à indústria de robôs pessoais.

A Willow Garage tenta desenvolver uma nova geração de assistentes pessoais
robóticos. Especialistas em robôs dessa e de outras empresas visualizam criar
algo de escala comparável à indústria dos computadores pessoais, com assistentes
pessoais mecanizados assumindo boa parte das tarefas cansativas do dia a dia,
desde a faxina até buscar comida na geladeira.

Não é uma ideia recente, e tampouco é a primeira vez que robôs tentam abrir
portas, passar de uma sala a outra e recarregar-se. A Besta, um robô construído
na Universidade Johns Hopkins em meados dos anos 1960, era capaz de localizar
tomadas de parede padronizadas para recarregar-se. E artefatos como o aspirador
de pó iRobot Roomba são capazes de localizar e acoplar-se a uma estação de
recarga especialmente projetada.

Mas especialistas em robótica disseram que o robô da Willow Garage é o
primeiro a integrar a capacidade de realizar várias operações diferentes num
ambiente do mundo real.

“Há outros grupos de robôs que já abriram portas”, disse Andrew Ng,
especialista em robótica da Universidade Stanford. Mas, segundo Ng, o PR2 parece
ser o primeiro robô capaz de abrir portas e plugar-se em tomadas de maneira
repetida e confiável.

O laboratório da Willow Garage fica a menos de dois quilômetros de
distância de outro projeto pioneiro de robôs móveis desenvolvido pela SRI
International no final dos anos 1960.

O robô da SRI, chamado Shakey, tinha pouca capacidade de computação própria
e era controlado à distância por uma combinação de minicomputador e computador
mainframe.

“Em 40 anos houve muitos avanços, mas não avanços que se notam facilmente”,
disse Nils Nilsson, pioneiro nas pesquisas com inteligência artificial e um dos
criadores de Shakey.

No teste recente feito com o robô PR2, uma das tomadas estava atrás de uma porta
trancada, de modo que o robô precisava ter inteligência suficiente para abortar
esse esforço e passar para a porta seguinte. Um dos cientistas resumiu a
impressão que teve diante do marco conquistado: “Agora eles [os robôs] já podem
fugir e se virar sozinhos”.


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