Revista Isto É,
CIÊNCIA,
|  N° Edição:  2398 |  13.Nov.15

Einstein ainda absoluto

A Teoria da Relatividade
Geral completa 100 anos sem que nenhum cientista tenha conseguido encontrar
sequer uma falha nas descobertas do físico alemão

Quando o físico alemão
Albert Einstein e o comediante inglês Charles Chaplin se encontraram pela
primeira vez, eles já haviam se transformado em dois dos mais populares homens
do mundo. O encontro se deu em janeiro de 1931, em Los Angeles. Chaplin soubera
que o cientista que ficara mundialmente famoso 16 anos antes com Teoria da
Relatividade Geral tinha vontade de conhecê-lo e o convidou para a pré-estreia
do filme Luzes da Cidade, um dos maiores sucessos de sua vasta carreira. Chaplin
recebeu Einstein na porta do Los Angeles Theater e os dois foram saudados por
centenas de pessoas que estavam na porta do cinema. Enquanto acenavam para a
plateia, Chaplin puxou Einstein pelo braço e disse: “Eles nos aplaudem por
razões diferentes. A mim porque entendem tudo o que faço sem que eu nada diga e
a você porque não entendem nada do que você diz”.

Passados 100 anos desde
que Einstein apresentou ao mundo os estudos que complementaram de forma
definitiva a sua revolucionária Teoria da Relatividade, a frase de Chaplin ainda
se mantém mais atual do que nunca. Ainda são poucos os leigos que, de fato,
compreendem a teoria que prova que tanto o espaço quanto o tempo não são
absolutos e fixos, mas sofrem influência direta da velocidade e da gravidade de
corpos com grandes massas, como planetas e estrelas. Para a maioria dos mortais,
trata-se de fórmulas complexas cujos resultados levam a conclusões quase
abstratas.

A própria Teoria da
Relatividade Geral, apresentada por Einstein em 1915, só foi, de fato, aceita
pela comunidade científica em 1919. Naquele ano, um grupo de astrônomos ingleses
foi à ilha africana de São Tomé e Príncipe e à cidade cearense de Sobral para
observar a posição de uma estrela durante um eclipse solar. De acordo com a
teoria de Einstein, a posição aparente da estrela, aquela que é vista da Terra,
iria variar por conta da influência do campo de gravidade do Sol (confira
quadro). O físico alemão, concluíram os astrônomos, estava certo e Einstein foi
alçado ao posto de uma das primeiras figuras pop do século 20, mesmo com quase
ninguém sendo capaz de entender suas ideias.

Desde então, milhares de
experimentos científicos têm sido realizados em todo o planeta na tentativa de
encontrar um erro, uma falha mínima que seja, na teoria desenvolvida por
Einstein. Mesmo com todo o avanço tecnológico, novos equipamentos de precisão ou
telescópios super poderosos, ninguém ainda foi capaz de encontrar buracos
significativos na Teoria da Relatividade Geral. É um feito impressionante. E é
importante lembrar que a busca por experimentos que contrariem as descobertas de
Einstein é um processo normal no mundo científico. A partir deles, seria
possível identificar novas possibilidades, cenários ainda não imaginados.

Há quem garanta que se
aproxima cada vez mais o momento em que a teoria finalizada por Einstein há um
século será, finalmente, “quebrada”. O principal campo onde isso deve ocorrer é
na física quântica, área em que Einstein também foi um dos precursores. O nome
desta ciência que estuda os eventos que acontecem nas camadas atômicas e
subatômicas – ou seja, entre as moléculas, átomos e partículas ainda menores –
foi dado exatamente pelo físico alemão em estudos que ele desenvolveu logo após
a criação da Teoria da Relatividade Restrita, ainda na primeira década do século
20.

Quando e se isso
ocorrer, o brilhantismo das conclusões de Einstein não será abalado. Sua teoria
é considerada uma das mais perfeitas da história científica e só com base nas
descobertas deste alemão que gostava de mostrar a língua será possível realizar
achados tão fascinantes quanto os dele.Einstein estava certo. 

 

 

Categorias: Física

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