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, 23/10/2017
Ciências contábeis é igual economia e não falta emprego? Saiba o que é fato
na carreira
Toda empresa precisa de um contador – e isso aumenta as chances de conseguir um
emprego.
Por Luiza Tenente, G1
Guia de carreiras – Ciências Contábeis
De acordo com a Fundação Brasileira de Contabilidade, o Brasil possui 530.373
profissionais da área – sendo 65,8% graduados e outros 34,2%, técnicos. Só em
2015, 42.483 pessoas se formaram nesse curso em universidades particulares e
públicas do Brasil. No mesmo ano, foi a 10ª carreira mais procurada no Sistema
de Seleção Unificada (Sisu).
Mesmo assim, a profissão ainda é cercada de mitos – confundida com administração
e economia, por exemplo. Para discutir o que costuma ser dito sobre as ciências
contábeis, o G1 entrevistou
os seguintes especialistas:
·
Selma Alves Dios,
professora da Universidade Federal Fluminense (UFF)
·
Clésia Camilo Pereira,
do departamento de ciências contábeis e atuariais da Universidade de Brasília
(UnB)
Confira a seguir:
O curso de ciências contábeis é muito semelhante aos de economia e
administração?
Não. É comum que candidatos façam inscrição no vestibular e coloquem “ciências
contábeis” como segunda opção e “economia” como primeira, por exemplo. Mas é
preciso ter cuidado: os cursos têm focos muito diferentes.
Em ciências contábeis, a área principal é registrar e analisar contas. É
concentrado no funcionamento dos agentes econômicos – sejam empresas, órgãos
públicos ou terceiro setor. “A contabilidade foca na entidade que atua no
mercado: no registro das operações dela e na prestação de informação sobre o
patrimônio, por exemplo”, explica Selma Alves Dios, professora da Universidade
Federal Fluminense (UFF).
Já a graduação em economia é voltada para a chamada “macroeconomia”. “O
profissional dessa área aprende a ter uma visão do funcionamento do mercado e da
economia como um todo, no qual estão inseridas as instituições”, completa Selma.
E, em administração, o foco é na gestão da empresa – questões estratégicas,
recursos humanos, marketing, etc. “A contabilidade vai avaliar justamente os
efeitos econômicos dessas ações aplicadas pelos administradores”, explica a
professora.
Toda empresa precisa de uma pessoa formada em ciências contábeis?
Sim. “As empresas de pequeno porte não precisam necessariamente de um economista
ou de um administrador, mas obrigatoriamente de um contador”, afirma Clésia
Camilo Pereira, do departamento de ciências contábeis e atuariais da
Universidade de Brasília (UnB). “O controle e a prestação de contas são
imprescindíveis a todas as organizações, independentemente do tamanho ou da
finalidade delas”, completa a professora Selma.
Isso faz com que o mercado da profissão seja amplo e que a oferta de empregos,
satisfatória. Além de atuar especificamente nas empresas, é possível também
trabalhar em escritórios que prestem o serviço de contabilidade para quem os
contratar. “As firmas individuais, por exemplo, podem preferir contratar o
escritório. O serviço encomendado por elas começa já na abertura dela, na
legalização de todo o processo”, afirma Selma.
É preciso ser muito bom em matemática?
Não. A área da contabilidade não exige conhecimentos profundos de matemática
pesada ou fundamentos mais densos dela. Embora o curso aborde tópicos como
estatística e cálculo, não são demandadas habilidades complexas na profissão. É
possível contar também com os avanços tecnológicos para fazer as operações
matemáticas no dia a dia. “Atualmente, temos muitos sistemas informatizados que
nos auxiliam”, afirma Clésia.
No entanto, apesar de não ser necessário ter conhecimentos tão aprofundados, é
interessante que o estudante tenha prazer em lidar com números. Afinal, boa
parte das tarefas da contabilidade os envolve.
A rotina da profissão é insana?
Depende. “A carga de trabalho é grande e demanda tempo”, afirma Selma. As
tarefas envolvem questões de responsabilidade, como prestação e fechamento de
contas. A necessidade de sempre fornecer dados corretos e de cumprir os prazos
faz com que o profissional trabalhe sob pressão. Apesar disso, a existência de
recursos tecnológicos para auxiliar na tabulação de dados pode facilitar a
execução das tarefas.
É importante entender também que a demanda de trabalho é sazonal. Em início de
ano, por exemplo, as declarações de imposto de renda podem sobrecarregar as
equipes.
É necessário ter conhecimentos além da contabilidade?
Sim. “É uma área muito disputada por profissionais de economia, de direito e de
administração. Se a pessoa mantiver somente a formação nos números e no registro
de contas, ela vai perder a oportunidade de ampliar sua participação no
mercado”, afirma a professora da UFF. Ela avalia que é importante ter visão de
negócios, habilidade de planejamento e conhecimentos do cenário econômico.
Especializações, por exemplo, podem aprofundar questões como controladoria,
auditoria, mercado e finanças.
Clésia reforça a necessidade de ir além da formação básica. “Embora existam
muitos profissionais no mercado, há a procura por aqueles que não se limitam às
questões fiscais, que tenham também noções de gerência, por exemplo”, afirma.
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