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Após a residência, novo desafio dos médicos é montar rede de contatos e garantir o ‘ganha-pão’
Depois de seis anos de graduação, dois de residência geral e dois de residência específica, cirurgião fala sobre os próximos passos da carreira.
Por Ana Carolina Moreno e Tatiana Regadas, G1
Embora a afirmação tenha um tom de brincadeira, Barreto, que faz residência em cirurgia do aparelho digestivo, explica que, após concluírem a residência, os médicos começam uma fase completamente nova na carreira.
“Quando acaba tudo, você começa realmente a pensar: ‘não, não sou mais residente, sou um cirurgião formado, trabalhando para me sustentar’. O primeiro caminho natural é que todo mundo entre em um convênio. Os convênios são muito fortes no Brasil, se não entrar em um convênio, você acaba perdendo cliente. E o repasse dos convênios para os médicos é indigno, é muito pouco. Não condiz com a formação que o cara teve”, afirmou ele, em entrevista ao G1.
Enquanto isso não acontece, os médicos precisam se dedicar a conseguir pacientes, montar consultórios ou conseguir empregos em hospitais públicos e privados, ou em empresas. Miller afirmou que é comum os ex-residentes continuarem frequentando os hospitais, acompanhando cirurgias e tentando formar uma rede de contatos para seguir avançando na profissão.
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Miller Barreto, de 29 anos, está terminando o último semestre de residência em cirurgia do aparelho digestivo na Faculdade de Medicina da USP — Foto: Tatiana Regadas/G1
Bolsa de especialização
No caso de Barreto, isso deve acontecer no ano que vem. Fazendo um retrospecto da carreira, ele afirma que passou a última década dentro de um percurso que envolveu uma série de estágios e rodízios em áreas diferentes, mas com uma certa estabilidade que, após o fim da residência, chega ao fim.
Uma opção possível, também, segundo ele, é buscar uma bolsa de “fellow”, como são conhecidas as outras especializações que os médicos fazem após a residência. “É como se fosse o ápice da residência: acabou a residência e o ‘fellow’ é um ano para você realmente se especializar no que quer.”
Em geral, porém, o cirurgião explica que a tendência é que os médicos mantenham vínculos informais à universidade, em grupos das áreas nas quais pretendem focar sua carreira. “Aqui na USP, quando você acaba a residência, escolhe uma área de mais afinidade e se junta àquele grupo. Não com vínculo direto, você fica acompanhando, aprofundando mais naquela área ali, sempre estudando e tudo mais. Não é uma residência propriamente dita, mas concomitantemente a isso você vai levando a vida de cirurgião.”
No caso de um especialista em cirurgia do aparelho digestivo, Barreto afirma que é possível se aprofundar em técnicas específicas da área, mas o “ganha-pão” da vida do profissional são as cirurgias de vesícula e hérnia, “cirurgias mais simples e com frequência maior”. Outras áreas possíveis dentro dessa residência são cirurgias de obesidade, no fígado, pâncreas e cólon, entre outros. Ele lembra ainda que o câncer do intestino grosso é o segundo mais comum na população, atualmente.
Os cirurgiões do aparelho digestivo também se beneficiam da tecnologia, que tem facilitado cada vez mais a vida dos médicos com o desenvolvimento de técnicas cada vez menos invasivas.
“Não é só mais um exame diagnóstico, é cada vez mais um exame terapêutico”, explica ele sobre técnicas como a endoscopia e a colonoscopia. “Você acaba conseguindo fazer procedimentos em que antigamente era necessário fazer cirurgia. Você consegue fazer vários exames durante o dia. Chega, faz e vai embora.”
Vida tranquila x altos ganhos
Para Barreto, que está prestes a entrar de vez neste mercado, atualmente há uma tendência nos médicos a optarem por especialidades que permitem uma qualidade de vida maior, principalmente em termos de tempo livre. Ele diz que o mercado de trabalho acaba influenciando a escolha da residência.
“O pessoal está priorizando muito a questão da qualidade de vida. O cirurgião tem aqueles horários malucos, às vezes tem que operar o paciente de madrugada. Então é uma especialidade difícil de conciliar com a vida pessoal, realmente é uma rotina meio massacrante”, diz ele.
“Atualmente a gente está percebendo que as pessoas estão tentando especialidades que são mais tranquilas. Claro, se puder conciliar com um ganho financeiro grande, é ideal. Tem muita gente buscando áreas como dermatologia, psiquiatria, coisas relativamente tranquilas. Cirurgia plástica continua sendo bastante procurada, porque são cirurgias relativamente rápidas, pequenas, que dão poucas complicações, e o retorno financeiro é bem bom, porque geralmente são pacientes com alto status financeiro e dispostos a pagar por aquilo. A urologia também é muito procurada, porque tem uma demanda grande e cirurgias rápidas.”
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