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Folha de São Paulo, Empregos, domingo, 30 de julho de
2006

Atenção
farmacêutica desenha novo perfil de profissional clínico

Entre as novas funções estão atuar
mais próximo ao paciente e orientar dosagem e tratamento corretos

O cliente entra na farmácia com a receita prescrita pelo médico
em mãos. Ainda zonzo com o diagnóstico da doença, não entende muito bem como
tomar o remédio. Percebendo a insegurança do paciente, o farmacêutico oferece
orientação sobre o fármaco, o tratamento e os eventuais efeitos colaterais.

A cena parece coisa de Primeiro Mundo? E é. Chama-se atenção
farmacêutica e já é realidade nos Estados Unidos, onde surgiu, e na Europa. Em
breve, será comum no Brasil.

Mudanças no exercício profissional do farmacêutico estão
ocorrendo em todo o mundo. No Brasil, a discussão é embrionária, embora algumas
iniciativas já possam ser notadas.

"No meu segmento é mais comum: quem é dono de farmácia de
manipulação acaba praticando a atenção farmacêutica por ideologia", afirma
Belinda Giannella, 39,
responsável pela Vitalis. "O maior problema das
pessoas é tomar remédios de forma errada."

De fato, relatório de um grupo gestor para promover a atenção
farmacêutica no Brasil com representantes da Organização Mundial da Saúde,
entre outros, aponta que, por ano, 44 mil pessoas morrem nos EUA por erros de
medicação.

"Para o paciente, é mais fácil pedir pequenas orientações
na farmácia que retornar ao médico", diz Hugo Guedes de Souza, da
Associação Nacional dos Farmacêuticos Magistrais.

Na vanguarda dessa tendência, José Vanilton
de Almeida oferece o serviço há dez anos em sua farmácia de manipulação, em Sorocoba (100 km de São Paulo). Segundo ele, seu trabalho
segue "alguns aspectos" da atenção farmacêutica. "Para que fosse
completo, deveria ter as fichas dos pacientes. Mas é difícil fazer com que haja
essa cultura no Brasil", diz.

Formação acadêmica

A necessidade de reformulação no ensino de farmácia no Brasil
vem sendo discutida há quase duas décadas.

O ponto-chave é a delineação de um perfil de profissional que,
além da qualificação técnica, desempenhe um papel social. Hoje, as faculdades
formam generalistas. Mas, para quem opta pela área de serviços, por exemplo, o
conhecimento clínico é importante.

Algumas escolas já oferecem pós-graduação em atenção
farmacêutica. É o caso do Instituto do Coração, ligado à USP, onde trabalha o
farmacêutico Leonardo Cezar Tavares, 29, responsável por
pacientes participantes de estudos clínicos
.

Sua tarefa é avaliar a farmacocinética
(conduta do medicamento no corpo) e sua interferência na farmacodinâmica
(ação). "Se preciso, reporto-me à equipe médica e sugiro alterações na
prescrição", explica.

A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) ainda não tem a
disciplina de atenção farmacêutica. Durante o estágio obrigatório na farmácia
universitária, porém, os alunos têm contato com o conceito, que deverá ser incluido na grade curricular. "Hoje, não temos
docentes para atender a esse novo currículo", explica a professora Naira Villas Boas. (RGV)

O MERCADO

Salário inicial: R$
2.800 (trainee de indústria)

Salário médio: R$
4.000 (analista de pesquisa clínica)

Salário executivo: R$
26 mil a R$ 30 mil (diretor)

Piso: R$ 1.341
(farmácia e drogaria); R$ 1.159 (hospitais)

Categoria: 28,7 mil
profissionais atuam no Estado

Fontes: Conselho Regional de Farmácia de São Paulo e consultoria W/Pharhma


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