Folha de São
Paulo, Fovest, quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Biomedicina
foca a modernidade

Diferencial
do curso que começa em 2012 na USP será a
ênfase em áreas como genômica e
bioinformática

PATRÍCIA
GOMES,DE SÃO PAULO 

A
USP
vai lançar, em 2012, o bacharelado em ciências
biomédicas. Com duração de
quatro anos, o curso terá 40 vagas e será dado em
horário integral pelo ICB
(Instituto de Ciências Biológicas), na Cidade
Universitária, no Butantã (zona
oeste de SP).

Segundo
Lourdes Isaac, responsável pela comissão de
graduação do ICB, apesar de não ser
um curso novo no mercado, a intenção da USP
é oferecer uma graduação com o
diferencial de aliar uma formação
básica sólida ao que há de mais atual
no
estudo da área biomédica.

“O
curso terá caráter inovador e pretendemos
enfatizar várias áreas modernas do
conhecimento, como genômica, bioinformática,
terapia gênica e terapia
celular”, diz Lourdes.

De
acordo com a professora, o instituto já possui os
laboratórios necessários para
oferecer a graduação, inclusive os das
áreas de ponta.

“Temos
tudo para formar profissionais capacitados nas áreas
básicas, mas também nas
que são consideradas áreas de fronteira hoje, que
vão ser importantes para as
próximas décadas”, disse.

O
ICB,
que faz 40 anos em 2010, oferece disciplinas a mais de 4.500 alunos por
ano,
servindo como apoio a graduações da
área de saúde e biológica na
universidade.

Além
das disciplinas para outros cursos, o instituto oferece uma
graduação própria
(leia mais na página 5).

Para
Silvio José Cecchi, presidente do Conselho Federal de
Biomedicina, o curso da
USP chega em boa hora porque atende à crescente demanda dos
alunos.

“Em
comparação com outros da saúde, esse
curso é oferecido em poucos lugares.
Certamente o da USP será um dos mais procurados do
vestibular da Fuvest.”

DEMANDA 

EM
SÃO PAULO, CURSO É MUITO CONCORRIDO
 

Nas
públicas de São Paulo onde o curso de
ciências
biomédicas é oferecido, a concorrência
é alta. Na Unifesp, que criou a
graduação na década de 60, 42,2
candidatos disputam uma vaga neste vestibular.
Na Unesp, o curso oferecido em Botucatu tem 26,9 candidatos para cada
vaga.

Instituto
seleciona para curso de saúde só por
transferência interna

DE
SÃO PAULO
 

O
ICB (Instituto de Ciências Biológicas) oferece,
desde
2005, o curso de ciências fundamentais para a
saúde.

Embora
seja uma graduação tradicional, com quatro anos
de
duração, seu ingresso não se
dá pela prova da Fuvest, mas por uma espécie de
transferência interna.

Todo
ano, no início do segundo semestre, o ICB abre dez
vagas.

Podem
concorrer alunos que estejam matriculados nos
cursos de graduação da USP, em qualquer
período. Os candidatos são submetidos a
prova e entrevista.

O
exame versa sobre assuntos do ensino médio, normalmente
situações-problema envolvendo biologia,
química, física e matemática,
além de
questões de inglês.

No
momento em que é admitido na graduação
do ICB, o aluno
deve deixar a sua de origem. Ao terminar o curso de ciências
fundamentais, se
quiser, ele pode voltar a cursar sua primeira
graduação.

Segundo
Maria Tereza Nunes, coordenadora do bacharelado,
o curso é fruto de uma demanda dos alunos de outras unidades
que iam fazer
disciplinas no ICB, descobriam que gostavam de pesquisa e queriam ficar.

“Os
alunos são muito novos quando fazem
opções [de
curso]. Passavam por nós pessoas brilhantes, mas
insatisfeitas.”

A
graduação é voltada para a
formação de pesquisadores e
professores nas área de ciências fundamentais para
a saúde humana e animal.

Saúde
pública se volta para o coletivo

Curso
que a USP lança no ano de 2012 retoma
tradição do
início do século 20

DE
SÃO PAULO
 

Entre
o final do século 19 e o início do 20, alguns
sanitaristas de renome, como Carlos Chagas e Oswaldo Cruz, fizeram
história no
processo de urbanização brasileiro.

Mas
no século 20, enquanto outras áreas da
saúde ganhavam
espaço e importância, a profissão de
sanitarista quase caiu em desuso e o
estudo desse segmento, diz Helena Ribeiro, diretora da FSP (Faculdade
de Saúde
Pública da USP), só era oferecido em cursos de
pós-graduação.

“A
medicina começou a se voltar mais para aspectos
individuais e esqueceu os coletivos. Antes, grandes campanhas, como o
controle
da tuberculose, foram muito importantes no país”, diz.

Mas
essa realidade está mudando. No cadastro do
Ministério da Educação, há
seis graduações em saúde
pública ou coletiva,
nenhuma tem turma formada.

Um
dos bacharelados que, em breve, vai aumentar essa
lista é o da USP. Anunciado na semana passada pela Faculdade
de Saúde Pública,
em Pinheiros (zona oeste de SP), o curso terá 40 vagas no
turno vespertino a
partir do ano letivo de 2012.

Segundo
Helena, a intenção é formar
profissionais aptos a
pensar a saúde como um fenômeno coletivo.

“O
bacharel em saúde pública faz análises
estatísticas, verifica a distribuição
de doenças no território, faz a
vigilância epidemiológica, promove a
saúde”, afirma.

A
professora cita o exemplo dos EUA, onde a obesidade é
um problema disseminado na população.

Para
tentar contornar a situação, sanitaristas de Nova
York propuseram ações educativas em escolas,
adequação de parques a pessoas
acima do peso e acordos com restaurantes de grandes cadeias para que
diminuíssem a quantidade de gordura usada e o tamanho das
porções.

“São
ações interdisciplinares e multiprofissionais.
No parque, agimos com pessoas de educação
física. Nos restaurantes, de
nutrição.”

Por
esse caráter multidisciplinar, o curso da USP
será
dividido em cinco grandes eixos, voltados às
áreas de gestão, saúde, ambiente,
humanas e exatas (veja quadro).

De
diferente com relação aos cursos que

são oferecidos, Helena destaca a
atenção que será dada às
ciências sociais e ao
ambiente.



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