Portal G1, (http://g1.globo.com/Noticias/0,,MUL9564-5599-6823,00.html), 08/03/2007 – 07h33m
Conheça as
carreiras mais requisitadas na produção do etanol
Agrônomos,
engenheiros químicos e administradores especializados em agronegócios
estão entre elas.
Usinas procuram
profissionais bilíngües.
Fernanda Bassette,
Iris Russo e Luísa Brito Do G1,
A visita do presidente
americano, George W. Bush, nesta sexta-feira (9) ao Brasil deve avançar as
negociações de um acordo para a produção de etanol para
exportação. O G1 ouviu especialistas da área para identificar quais
as profissões com maior tendência de crescimento, caso haja aumento na
produção desse biocombustível.
Na opinião dos
profissionais consultados, o grande impacto será nas carreiras dos engenheiros
agrônomos, de produção, mecânicos e químicos, além de biólogos, biotecnólogos, administradores e advogados.
O etanol, no Brasil, é
feito a partir da cana-de-açúcar. Segundo a engenheira agrônoma Catarina
Rodrigues Pezzo, coordenadora de projetos do Plano
Nacional de Biocombustíveis, com sede na Escola
Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP), o
engenheiro agrônomo e o biólogo trabalham no plantio da cana. “São eles
que vão selecionar o melhor solo, fazer o controle de pragas e doenças,
cuidar da adubação adequada e organizar a rotação da cultura”, disse.
Para o professor do curso
de álcool e açúcar da Esalq, André Ricardo Alcarde, nessa etapa, o agrônomo especializado em
cana-de-açúcar ficará em evidência. “Esse engenheiro é especialista em tudo o
que envolve cana-de-açúcar. Hoje o Brasil tem seis milhões de hectares de
cana e até 2012 deve aumentar para dez ou 12 milhões de hectares”, diz. De
acordo com Alcarde, muitos estudantes já estão de
olho no mercado de trabalho do etanol. “Dos 200 que se formam a cada ano
na Esalq, cerca de 80 fizeram as optativas de álcool
e açúcar. E muitos já entram na faculdade querendo trabalhar com biocombustível“, explica.
O biólogo e o biotecnólogo atuam na fase de modificação genética da
planta para que ela possa melhorar suas qualidades e produzir mais
açúcar. O professor Matheus Kfouri Marino, do
Programa de Estudos dos Negócios do Sistema Agroindustrial (Pensa), destaca
o geneticista nesta etapa. “Hoje a produção da cana é voltada
para o açúcar e agora será direcionada para a produção de energia. O
desafio da engenharia genética é muito forte. Você precisa estudar
maneiras de melhorar a produtividade da cana modificando-a geneticamente”,
afirmou.
Usinas
O processo industrial
envolve engenheiros agrônomos, de produção, mecânicos e químicos. “Com o
aumento na produção nacional [o mercado tem crescido 10% ao ano], a tendência é
que empresas multinacionais invistam no Brasil. Para isso, eles vão precisar
dos engenheiros, todos bilingües, e que conheçam
muito bem o mercado brasileiro”, avaliou Marino.
A gestão dos negócios
Outras carreiras que
devem se destacar são as de administradores especializados em agronegócios e as de advogados, que
vão cuidar da parte de planejamento tributário das usinas, contrato
com fornecedores, da garantia das questões trabalhistas, estabalecimento de patentes (especialmente de
tecnologias industrial e genética) e, acima de tudo, das questões ambientais.
“É preciso ter um resguardo jurídico considerável”, disse Marino.
De acordo com o professor
Marcelo Menossi, do Instituto de Biologia da
Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), no futuro, o físico
também deve ser requisitado pelo mercado. “É ele que faz a conversão
do etanol em hidrogênio, que vai abastecer a próxima geração de carros”,
diz. “Isso [o mercado de etanol] vai explodir. Já existe uma demanda muito
boa”, acrescentou.
Fabricante
Maior fabricante de
equipamentos e tecnologia para usinas de açúcar e destilarias, a empresa Dedini prevê aumento na contratação de engenheiros
mecânicos, elétricos e químicos caso haja aquecimento no mercado. Segundo
o vice-presidente executivo, Sergio Leme, será dada
preferência para quem tiver especialização na área de fabricação de
equipamentos para a indústria sucroalcooleira.
Anualmente, a empresa já
vem aumentado seu quadro de funcionários em 15%.
“Isso pode crescer para 20%, 25% [caso haja investimento no setor]”,
avalia Leme. A Dedine possui quatro mil
funcionários entre diretos e indiretos. Desses, cerca de 400 são de nível
superior.
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