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Portal G1, 
http://g1.globo.com/educacao/guia-de-carreiras/noticia/enfermagem-e-para-quem-nao-passou-em-medicina-sabe-fazer-curativo-e-nao-teme-cenas-fortes-veja-o-que-e-fato-na-carreira.ghtml
, 14/08/2017

Enfermagem é para quem não passou em medicina, sabe fazer curativo e não
teme cenas fortes? Veja o que é fato na carreira


Profissionais podem atuar como auxiliares, técnicos e enfermeiros graduados;
carreira foi a sexta com maior número de inscritos no Sisu do ano passado.

Por Vanessa Fajardo, G1



Guia de carreiras enfermagem: só 23% dos enfermeiros têm formação superior


Os enfermeiros são essenciais quando a tarefa é cuidar e proporcionar bem-estar.
Eles podem ser auxiliares, técnicos ou graduados. Dentro do Sistema Único de
Saúde (SUS), 65% dos trabalhadores da área de saúde têm pelo menos uma dessas
formações, segundo o Conselho Federal de Enfermagem (Cofen).


Na edição 2016 do Sistema de Seleção Unificada (Sisu) do Ministério da Educação,
a carreira foi a sexta com o maior número de inscritos, ficando atrás de
administração, pedagogia, direito, medicina e educação física.


Para ser auxiliar de enfermagem é preciso ter nível fundamental e concluir um
curso de um ano. No nível técnico, o curso dura dois anos, mas para fazê-lo é
necessário já ter concluído o ensino médio formal. Já a faculdade tem duração de
quatro ou cinco anos, dependendo da instituição.


É a formação que vai definir os ramos de atuação do enfermeiro, principalmente
na área assistencial. Enquanto os auxiliares e técnicos estão habilitados a
fazer o atendimento básico como aplicar injeções, administrar medicamentos e dar
banho nos pacientes, os enfermeiros graduados podem fazer procedimentos mais
complexos, como a implantação de cateter.


Para atuar, todos os profissionais da enfermagem precisam estar registrados em
seu conselho regional. O registro é um processo burocrático, não há necessidade
de fazer uma prova. Basta apresentar documentos e pagar uma taxa anual que varia
de acordo com a regional. O custo máximo para o auxiliar é de R$ 240; para o
técnico R$ 278 e para o enfermeiro R$ 375, segundo o Cofen.


O que é fato na carreira


A carreira ainda é cercada de mitos, como o que aponta que o enfermeiro é médico
frustrado. O G1 selecionou
cinco questões ou ideias normalmente associadas ao curso e ao mercado para
descobrir com especialistas o que é fato na carreira:


·        


Quem cursa enfermagem, na verdade, queria mesmo é uma vaga em medicina?


·        


Quem faz enfermagem vai precisar entrar em contato com cenas fortes de sangue e
morte?


·        


O enfermeiro precisa ter habilidade manual para fazer curativos?


·        


Vale mais a pena fazer um curso técnico do que uma faculdade?


·        


O mercado de trabalho se resume aos hospitais e postos de saúde?


G1 ouviu
os seguintes profissionais e estudantes da área para responder às questões
acima:


·        


Lucia Marta Giunta da Silva, coordenadora do curso de enfermagem da Escola
Paulista de Enfermagem da Unifesp


·        


Claudia Laselva, gerente de enfermagem do Hospital Israelita Albert Einstein


·        


Helen Benito, gerente de enfermagem do Hospital Sírio Libanês


·        


Cassia Guerra, gerente de enfermagem do Hospital Sírio Libanês


Quem cursa enfermagem, na verdade, queria mesmo é uma vaga em medicina?


Não. Este é um comentário comum, mas não condiz com a realidade, segundo Lucia
Marta Giunta da Silva, coordenadora do curso de enfermagem da Escola Paulista de
Enfermagem da Unifesp. “Enfermagem não é prêmio de consolação, requer muita
dedicação e diversas competências técnicas, relacionais, conceituais, entre
outras”, diz.


Claudia Laselva, gerente de enfermagem do Hospital Israelita Albert Einstein,
lembra que apesar de ambas as profissões serem da área da saúde, são muito
distintas. “A essência da enfermagem é cuidar. O foco da carreira médica é
diagnóstico e a cura. Cuidar é muito amplo e exige habilidades no
relacionamento, exige que o profissional seja empático e seja capaz de ver a
pessoa, sua família e seu meio e não apenas a doença”, afirma.


Para Helen Benito e Cassia Guerra, gerentes de enfermagem do Hospital Sírio
Libanês, quando uma pessoa que quer estudar medicina começa a estudar
enfermagem, por qualquer que seja o motivo, não se encontra e acaba desistindo.


Quem faz enfermagem vai precisar entrar em contato com cenas fortes de sangue e
morte?


Depende do segmento de atuação. Na área hospitalar, é mais frequente, porém,
esse tipo de situação vai ser trabalhada na graduação.


“Não chega a ser um mito, pois há momento em que presenciamos cenas como essas.
Mas também presenciamos muitas cenas de alegria. Afinal, estamos ao lado de
nossos pacientes e suas famílias do nascimento até a morte, acompanhamos seus
momentos de felicidade e de luto”, diz a professora Lucia Marta Giunta da Silva,
da Unifesp.


O enfermeiro precisa ter habilidade manual para conseguir aprender a fazer
procedimentos de curativo?


Sim, essa é uma das habilidades necessárias. No entanto, faz parte do processo
de aprendizagem do estudante e pode ser desenvolvida durante o curso e ao longo
da carreira. “Curativos, por sinal, demandam muitos conhecimentos em diferentes
áreas como anatomia, fisiologia, patologia, processo de cicatrização,
farmacologia, medidas de prevenção e controle de infecção, para citar alguns”,
afirma a professora Lucia Marta.


Vale mais a pena fazer um curso técnico do que uma faculdade?


Depende dos objetivos e das oportunidades de cada um. Porém, a faculdade traz um
conhecimento mais aprofundado e é mais vantajosa, segundo Helen Benito, do Sírio
Libanês. “A graduação é mais abrangente, o estudante aprende sobre fisiologia,
anatomia e farmácia. Há um grau bem nítido de diferenciação entre os
profissionais com nível técnico e superior.”


Apesar disso, um estudo feito pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em 2015,
mostrou que a enfermagem no Brasil é composta por um quadro de 77% de técnicos e
auxiliares e 23% de enfermeiros.


O curso técnico possibilita uma formação mais rápida. Mas para atuar como
enfermeiro, que lidera a equipe multidisciplinar, avalia o paciente, faz seu
plano de cuidados, é necessário fazer uma faculdade de enfermagem. A equipe de
técnicos e auxiliares realiza atividades de cuidado menos complexas, sempre sob
supervisão e responsabilidade técnica do enfermeiro.


As gerentes de enfermagem do Sírio Libanês lembram que hoje em dia a própria
graduação por si só já é insuficiente para o mercado de trabalho. “85% dos
enfermeiros do Sírio têm pós- graduação. A residência, com duração de dois anos,
é uma das formas de pós-graduação, não é obrigatória, mas é desejável, faz com
que o profissional se diferencie.”


O mercado de trabalho se resume aos hospitais e postos de saúde?


Não, este é um grande mito. O profissional formado em enfermagem pode trabalhar
na área de pesquisa, de educação, na área administrativa como gestor, em
homecare, empresas de consultoria, clínicas e consultórios.


“O ramo hospitalar e de serviços de atenção primária, em que a atuação é direta,
são apenas a “ponta do iceberg”, a face mais conhecida. Além disso, o enfermeiro
é um profissional autônomo que pode realizar suas atividades de forma
independente”, diz a professora Lucia Marta.

 

 

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