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Folha de São Paulo, Ombudsman, domingo, 20 de
novembro de 2011

Folhateen (1991-2011)

OMBUDSMAN

SUZANA SINGER  ombudsman@uol.com.br @folha_ombudsman

Fim do suplemento, que terá última edição
amanhã, é sintoma da dificuldade em atrair o jovem ao jornal


Aos 20 anos, mal saído da adolescência, morreu o suplementoFolhateen. Seu
falecimento será anunciado amanhã, numa edição derradeira, que remeterá os
leitores para uma página semanal na Ilustrada.

Concebido sob o signo da
dúvida, depois de outras tentativas frustradas de falar com o leitor mais jovem,
o Folhateen 
nasceu provocativo, com uma pauta inquieta e um nome anglófilo que enfureceu os
nacionalistas e troçava com o "Folhetim", influente suplemento literário que a Folha publicou
até 1989.

A causa mortis não foi
revelada. A Secretaria de Redação diz apenas que "cadernos jornalísticos têm
vida útil". "OFolhateen foi
criado em 1991, em outro contexto, para outro leitorado, e num Brasil diferente
do de hoje. Muitos suplementos importantes para a história da Folha tiveram
começo e fim, como o Mais! "

O Folhateen nasceu
gordo e grande, em formato standard, como o resto do jornal. Morreu pequeno (tabloide)
e minguado (poucas páginas). A ideia inicial era prender o leitor crescido que
não se via mais na Folhinha,
mas que ainda era cru para abraçar a Ilustrada.

Era oferecida a esses
adolescentes uma soma de serviço para vestibular + cultura (com ênfase em
música) + comportamento (com bastante sexo). A primeira edição, de 18 de
fevereiro de 1991, trazia na capa um teste com os aprovados na Fuvest ("Calouro
da USP lê até 9 livros por ano, mas não sabe quem foi Proust") e, na última
página, um perfil da atriz Winona Rider, então com 19 anos.

Ao longo de sua vida, o caderno
lançou colunistas -Álvaro Pereira Júnior, Gustavo Ioschpe, Jairo Bouer e Marcelo
Rubens Paiva, entre outros-, abordou assuntos delicados, abriu espaço para novos
talentos dos quadrinhos (Chiquinha, Allan Sieber, André Dahmer, Danilo Zamboni)
e levou outros jornais a criar produtos semelhantes. Seu legado mais importante
foi provar que é possível falar para os jovens sem subestimá-los.

Sua morte sinaliza que a Folha não
acredita mais na fórmula de suplemento para atrair jovens ao meio jornal. O
Perfil do Leitor deste ano mostrou que apenas 11% dos nossos leitores têm até 22
anos -no ano 2000, eram 20%.

O principal meio de informação
dos jovens das classes A, B e C deixou de ser a TV aberta (35%), ultrapassada
pela internet (39%), segundo a pesquisa "Hábitos de Mídia", feita pelo
Datafolha. O impresso aparece com 6%.

Quem convive com jovens sabe
que é mais fácil encontrar ararinhas-azuis do que um bando de adolescentes que
suje os dedos todos os dias para se informar. A geração do computador pessoal
estranha o impresso, como seus pais se intimidam diante de tablets.

Além de sugar leitores, a
internet desmantelou boa parte da pauta do Folhateen.
Há 20 anos, ainda se precisava do jornal para entender o som de Seattle ou para
dirimir dúvidas sobre a primeira transa. Hoje, todas essas e muitas outras
informações estão na rede. "O Perfil do Leitor nos mostrou que os interesses do
jovem estão mudando. Carreiras e investimentos, por exemplo, são mais
importantes do que há uma década", afirma a Secretaria de Redação.

A extinção do Folhateen não
pode significar resignar-se com o envelhecimento do leitor. A Folha -e
todos os jornais do mundo- precisam encontrar novas formas de convencer a atual
geração de que o "noticiário miojo" da internet (ainda) não é suficiente.
Ninguém está bem nutrido com toneladas de informações instantâneas e insossas. O
desafio é abrir o apetite desses comensais.

PÁGINA SOBRE EDUCAÇÃO VAI
ACABAR

Será anunciada amanhã também a
extinção da página de educação, publicada às segundas-feiras em Cotidiano.
Os dois colunistas que se revezavam serão reaproveitados, segundo a Secretaria
de Redação. Ricardo Semler manterá sua colaboração na Folha.com e
Fernando Veloso escreverá análises sobre educação.

"Saber" foi
criada há dois anos, na esteira do sucesso da seção "Saúde",
mas não atingiu seus objetivos. Com uma pauta que variava demais, sem uma
preocupação em ser útil ao pai ou mãe de aluno e sem espaço para aprofundar
discussões sobre educação, a página não deixará saudades.


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