Folha de São Paulo, Especial, domingo, 17 de setembro de 2006

Matemáticos e físicos atuam em informática

Curso de engenharia mecatrônica também tem espaço garantido

Quem quer atuar na área de tecnologia e se sente pouco atraído
por cursos como sistemas de informação, engenharia da computação ou análise de
sistemas tem pelo menos outros dois setores para abrigar sua graduação: os
cursos científicos, como física e matemática, ou as engenharias de automação e
mecatrônica.

Uma das vantagens de quem parte da área científica para a
tecnológica deve-se ao fato de que há uma proximidade crescente das empresas
com os cientistas e, por isso, os profissionais da área precisam ter formação
cada vez mais ampla.

“Cada vez mais as empresas percebem a importância de ter
profissionais com formação científica sólida”, explica José D Albuquerque e Castro, 54, professor do Instituto de
Física da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro).

Ainda segundo Castro, setores do governo e do
empresariado estão
se conscientizando da necessidade de investir na
tecnologia nacional. Isso faz com que a demanda por profissionais capazes de
atuar tanto na criação quanto na confecção de novos produtos seja cada vez
maior.

O físico Rubens Abbud de Campos, 34, não precisou analisar
tantos fatores para se decidir pela informática. “Muita política e pouco
dinheiro.” Essa é a resposta dele para quem lhe pergunta por que não
seguiu a carreira acadêmica de física.

Campos, que se formou na USP em 2000 e desde
a época da faculdade trabalha
com informática, diz que dois terços de
seus colegas acabaram indo para essa área. Sobre a habilidade dos físicos em
resolver problemas, Campos concorda com o professor da UFRJ e diz que o que
mais utiliza da faculdade é o “raciocínio
lógico”.

Mecatrônica

Quem se forma na área de automação, geralmente, tem funções
diferentes de quem estuda informática. Com formação básica em engenharia, os
profissionais da área atuam em linhas de produção industrial, programam braços
mecânicos, sensores e dispositivos que diminuem o tempo que os mais diversos
artigos levam para ser produzidos, empacotados e distribuídos. Na construção
civil e na mineração, os engenheiros de mecatrônica também são bastante
requisitados. Programam máquinas capazes de executar ações como explodir e moer
rochas, carregar caminhões, içar vigas e lançar cabos de alta-tensão.

Segundo o chefe do Departamento de Engenharia Mecânica e
Mecatrônica da PUC de Minas, Tarcísio José de Almeida, 47, a automação do
processo produtivo só deve aumentar com o avanço tecnológico e isso faz com que
os profissionais da área sejam cada vez mais valorizados. “A automação
veio para ficar e vai avançar cada vez mais”, afirma o professor. (TC)

AN
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