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Folha de São Paulo, New York Times, TERÇA-FEIRA, 5 DE NOVEMBRO DE
2013

Museus apostam na nudez para atrair público

Por DOREEN CARVAJAL

PARIS – Nas últimas semanas, o programa cultural
mais popular da capital francesa tem sido uma exposição no Museu d”Orsay que
confronta os espectadores com imagens de um homem nu sobre uma laje fria em um
necrotério e do rapper Eminem nu segurando um fogo de artifício diante do sexo.

As multidões estão vindo, mais de 4.500 pessoas
por dia em média, o triplo de uma exposição na mesma época no ano passado,
segundo números do museu.

A exposição -que inclui obras de Picasso e
Edvard Munch, assim como nus mais contemporâneos de David Hockney, Andy Warhol e
Robert Mapplethorpe -, provocou um amplo leque de reações dentro e fora da
França.

“Uma exposição confusa”, avaliou o jornal
francês “Le Monde”, “despida de qualquer reflexão histórica”. A revista de
beleza feminina “Marie Claire” a declarou o “evento mais quente” do outono.

Badalação é o que várias grandes instituições
europeias buscam neste outono, esperando que um foco sobre sexo estimule
visitantes e amplie sua atração.

O Museu Jacquemart-André também está provocando
os viajantes de trem em Paris com cartazes de um nu feminino nebuloso, rotulado
“desejo”. Ele apresenta uma exposição de pinturas inglesas intitulada “Desejo e
Prazer na Era Vitoriana”.

Do outro lado do canal, o Museu Britânico
organizou uma exposição inédita de shunga japonesas do século 17, antes
proibidas: xilografias eróticas de homens e mulheres copulando.

A exposição, “Shunga: Sexo e Prazer na Arte
Japonesa”, adverte os visitantes: “Aconselha-se orientação paterna”.

Durante anos, os objetos ficaram escondidos em
um armário secreto de artigos provocantes, mas hoje o Museu Britânico os
considera tão rentáveis que criou uma linha de mercadorias “shunga”: creme para
as mãos Kabuki, velas de soja e brilho para lábios de chá verde. As exposições
tiveram ingressos esgotados no primeiro fim de semana de outubro.

O Museu d”Orsay, como outras instituições
culturais com subsídios estatais cada vez menores, quis expandir sua base para
pessoas mais jovens e visitantes além de Paris com exposições mais arriscadas.
Além dos cartazes no metrô, o museu contratou um diretor para criar videoclipes.

A direção do museu ficou surpresa quando soube
que seu vídeo promocional da exposição havia virado tabu para alguns
espectadores a milhares de quilômetros de distância. O YouTube colocou nele o
equivalente a uma proibição para 18 anos, e os espectadores menores que tentaram
vê-lo por meio de suas contas no Google não tiveram acesso.

Gareth Evans, porta-voz do YouTube, escreveu em
um e-mail: “Temos de realizar um equilíbrio delicado com os espectadores mais
jovens para que eles não consigam acessar vídeos que poderiam ser inadequados”.

Mais tarde, o YouTube abrandou sua posição e
tornou o vídeo, que atraiu mais de 110 mil visitas, acessível a todos. (Ele
inclui uma mensagem sobre imagens potencialmente ofensivas.)

Quanto à exposição em si, “nosso objetivo não é
provocar, ser militante ou gerar um escândalo”, disse Amélie Hardivillier,
porta-voz do Museu d”Orsay. “Temos de procurar pessoas de maneiras diferentes e
começamos com “Masculin/Masculin”. É uma exposição arriscada.”

Categorias: Museologia

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