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O Estado de São Paulo, ECONOMIA & NEGÓCIOS,
Quinta-feira, 30 março de 2006

Na briga pelo mercado, design ganha
mais espaço

Empresas investem
cada vez mais em equipes de pesquisa, que incluem até antropólogos, para tentar
conquistar o consumidor pela forma

Marina Faleiros

Imagine assistir na televisão a um programa sobre animais
marinhos e se sentir no fundo do mar. Ou ter um barbeador que mapeia o rosto e
sabe exatamente onde cortar, sem encostar na pele. Invenções como estas,
carregadas de tecnologia e design, já estão ao alcance de consumidores no mundo
todo, até mesmo no Brasil.

Empresas como a Philips, por exemplo, apostam alto nos times
que cuidam da criação destes produtos: “Temos uma divisão especial focada em
design, com 460 funcionários espalhados pelo mundo, de 30 nacionalidades
diferentes”, conta Oscar de La Peña, diretor de Criação da Philips Design.

Neste setor, além dos engenheiros e designers, compõem a
equipe psicólogos, sociólogos e antropólogos. “Queremos pesquisar o
comportamento das pessoas e ver como a tecnologia pode se adaptar e interagir
com o seu cotidiano, pois é isso que define a compra.”

Entre os produtos que La Peña acredita estar em linha com esse
cenário estão lançamentos como a TV de plasma Ambilight, que projeta luzes nas
laterais do aparelho, combinando com as imagens da tela. “Também temos o
barbeador SmartTouch, que segue o contorno da face e no qual é possível
programar o barbear. É uma linha de produtos em que temos muita tradição, mas
sempre procuramos inovar e trazer novos materiais para dar impacto”, diz.

A Siemens é outra que acredita no poder das formas
diferenciadas e investe cerca de 2% do seu faturamento em design. As tendências,
segundo Élcio Moura, diretor de marketing para telefonia, são as linhas mais
retas e redução de tamanhos. “A tecnologia contribuiu com o design, o que nos
permitiu criar telefones residenciais sem fio iguais a um celular, com tela
colorida e sem antena.”

A empresa tem procurado, desde o ano 2000, segmentar a área de
criação por região, para atender o gosto correto de cada lugar. “Coletamos dados
na Europa, Ásia e América Latina, pois o que agrada um pode não ser o melhor
para o outro”, diz.

A divisão de celulares da Siemens foi vendida no ano passado
para a BenQ, empresa taiwanesa que também acredita no poder das formas para
ganhar mercados. “O celular é um objeto de uso pessoal e que a pessoa carrega
com ela sempre, então todo o design do segmento precisa estar ligado à atitude e
ao comportamento, pois é um aparelho que reflete a personalidade da pessoa”,
explica Regina Macedo, diretora de Marketing da BenQ Mobile.

Por isso, ela explica que o trabalho constante com cores e
formas faz toda a diferença neste segmento. “Estamos trazendo para o Brasil o
modelo SL75, cujo ponto forte é a mecânica de abertura e cores diferentes, como
a branca, que é considerada fashion agora.”

Já a coreana Samsung quer inovar tanto no design quanto nos
produtos que oferece por aqui. Mais conhecida pelos televisores e celulares, a
empresa também quer ser conhecida pela sua linha de eletrodomésticos. A grande
aposta da empresa é, claro, no design. No caso da geladeira, o branco comum vira
preto em uma das linhas da marca. “É algo que nem se imaginava antes para a
cozinha, mas já virou objeto de desejo de muitos decoradores”, diz Eduardo
Mello, diretor de Produtos de Consumo Eletrônicos da Samsung.

Para mostrar as novidades mais tentadores, a empresa abriu no
ano passado a Samsung Experience, loja em São Paulo onde os clientes podem
conferir e testar lançamentos, além de encomendar produtos exclusivos. “É um
investimento que tem como objetivo aumentar a exposição da marca, mostrando
produtos como máquinas de lavar roupa, cujo design é o principal diferencial.”


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