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PORVIR – 17/03/2015 – SÃO PAULO, SP

O design pode estimular o senso comunitário

FERNANDA KALENA

As técnicas de design
estão cada vez mais próximas da educação e sendo usadas para levar um novo
modelo de pensamento para as instituições de ensino. Recentemente, o Instituto
Península e a agência de design Tellus desenvolveram um projeto chamado Aprender
a Aprender que, além de fazer um diagnóstico de como o design poderia impactar o
aprendizado dos estudantes, reúne propostas de atividades que podem ser
realizadas por toda a comunidade escolar.

Para o desenvolvimento
do projeto, foi realizada uma pesquisa em escolas municipais de São Paulo, que
ouviu professores, gestores e alunos para identificar suas principais
necessidades e ver como o design poderia contribuir com aquele ambiente. Nessas
visitas, ficou evidente a falta de um senso de comunidade nas escolas, a falta
de engajamento dos alunos e de estímulo dos professores, segundo a consultora da
Tellus e uma das responsáveis pelo projeto. “Alunos, professores e gestores
estão em um sistema muito hierarquizado, cada um em seu quadrado, com pouca
articulação e troca”, ressaltou.

Após esse entendimento,
a proposta era pensar como o design poderia entrar neste cenário para
transformá-lo e ser um facilitador para resgatar o espírito comunitário, sempre
tendo como foco os três pilares da técnica: empatia, colaboração e
experimentação. “Ao garantir que todos os atores da escola sejam escutados,
criem coisas juntos e experimentem coisas diferentes, estamos colocando em
prática as técnicas de design”, explica a consultora.

Para garantir que a
teoria desse certo na prática, o projeto criou o Lab Aprender a Aprender, onde
durante um mês cinco professores da rede pública da capital paulista se
encontraram semanalmente para vivenciar a abordagem do design, experimentá-la e
testá-la. Funcionou assim: cada docente escolheu um desafio que enfrenta em sua
escola para explorar durante os encontros. Fizeram uma rodada de conversa com
seus alunos sobre o tema, para exercitar a escuta e a empatia. Com o aprendizado
desse papo, redefiniram o desafio e com ajuda dos outros professores criaram
soluções práticas para os problemas, que pudessem ser testadas de uma semana
para outra (para levarem o resultado para o próximo encontro). Com o aprendizado
dos testes, tiveram a oportunidade de repensar suas posturas, pensar em
ferramentas para ajuda-los e descobrir novas formas de ensinar e engajar os
estudantes.

No final deste processo,
Adriana conta que foram identificadas seis atitudes que podem ser praticadas
para que esse novo modelo de pensamento seja parte do seja parte do cotidiano do
educador e de toda a comunidade escolar. São elas: relacionar-se, facilitar,
organizar, colaborar, experimentar e criar. “Acreditamos que por meio do
exercício dessas competências, a comunidade escolar terá mais potencial para
inovar e buscar outras soluções para seu dia a dia”.

Faça você mesmo

Para estimular
educadores e gestores a realizar atividades que exercitem essas competências, o
material conta com uma parte instrumental, que sugere atividades a serem
realizadas com os alunos, ou servir de base e inspiração para outras. Elas são
divididas em três temáticas, relacionada com os pilares do design: escuta, chuva
de ideias e mão na massa.

Um exemplo de atividade
proposta é a Troca de Papéis, que inverte o jogo: professores são alunos e os
estudantes responsáveis pela aula. Além de divertida, possibilita que os alunos
criem uma aula do jeito que eles gostariam de ter. O que para o professor, será
interessante entender. Pode trazer novas ideias para os docentes, além de
mostrar aos estudantes os desafios que os professores enfrentam.

Para Adriana, o
principal objetivo do projeto é aproximar as pessoas que frequentam a escola,
mudar a relação entre elas. “Esperamos que o aluno seja mais autônomo, que tenha
voz e seja ouvido. Que a gestão enxergue o professor com toda sua importância e
lhe de autonomia e apoio. E que o professor seja mais empático e menos
impositivo em sala de aula”, completa.


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