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Revista Isto é, MEDICINA &
BEM-ESTAR, |  N° Edição:  2184 |  16.Set.11 – 21:00 |  Atualizado
em 19.Set.11 – 15:42

 

Onde nascem os remédios de ponta


A presença de importantes universidades e hospitais atrai as indústrias
farmacêuticas para a região de Boston, nos Estados Unidos. E é lá que estão
surgindo os mais modernos medicamentos da história da medicina

Rachel Costa,
enviada especial a Massachusetts (EUA)



CÉREBROS



 



No Broad Institute, cientistas de Harvard e do MIT trabalham juntos nas
pesquisas

 

A cidade americana de Boston tem
papel inconteste na história mundial. De lá partiu o movimento de independência
dos Estados Unidos, em 1773, iniciado com a Festa do Chá – movimento contra as
altas taxações impostas pela Inglaterra, da qual os EUA eram colônia. Dois
séculos mais tarde, entre 1989 e 1991, nos laboratórios do Instituto de
Tecnologia de Massachusetts (MIT), também localizado no município, foi criada a
rede mundial de computadores. Símbolo de mudança, a cidade prepara-se agora para
tornar-se referência em outra área: ser uma espécie de berço dos medicamentos de
ponta, o lugar mais importante do mundo no que se refere à criação de remédios
inovadores. Um passeio pela cidade e municípios vizinhos – como Cambridge,
Quincy, Framingham ou Waltham – explica o porquê. A região é repleta de prédios
ocupados por cientistas das principais empresas do ramo; Pfizer, Sanofi-Aventis
e Novartis são apenas algumas. 

 

Um exemplo recente de um produto
gerado no polo é o telaprevir. A droga é indicada para pacientes com hepatite C
crônica. Atualmente, as medicações existentes – pegainterferon alfa e ribavarina
– não são eficientes para metade dos pacientes. Com o telaprevir, a taxa de
sucesso do tratamento subiu para 79%. Outro medicamento que promete marcar a
história da medicina, e também vem dos laboratórios da região, é a vacina contra
a dengue. Uma das fórmulas candidatas, atualmente em teste em humanos, foi
criada na Sanofi Pasteur de Cambridge, braço da multinacional Sanofi-Aventis. 

 

A razão de as gigantes do mercado
farmacêutico terem tido tanto interesse nessa área do Estado de Massachusetts
está justamente em uma de suas características mais antigas: a grande
concentração de mentes geniais. Basta dizer que, além do MIT, ali estão Harvard,
primeira universidade americana, fundada em 1636, a Universidade de Tufts e a
Universidade de Boston. Calcula-se que, em Boston e Cambridge, a cada quatro
moradores, um seja estudante. “Ao ir para a região, a indústria tem acesso
imediato aos talentos desenvolvidos nas universidades, além de mão de obra
técnica especializada”, disse à ISTOÉ o brasileiro Fábio Thiers, diretor de
estudos clínicos do programa de pesquisa do MIT com o Bureau Nacional de
Pesquisa Econômica americano (NBER, em inglês). “Boston reúne os elementos
necessários para ser um conglomerado na área farmacêutica e de biotecnologia”,
falou à ISTOÉ Kenneth Kaitin, diretor do Centro para o Estudo do Desenvolvimento
de Medicamentos da Universidade de Tufts. 

 

Somam-se às cabeças pensantes
vultosas quantias oferecidas para o desenvolvimento de trabalhos científicos nas
instituições da região. Só por parte do Instituto Nacional de Saúde americano (NIH,
em inglês) são mais de US$ 2,5 bilhões por ano, distribuídos entre as
universidades e cinco importantes hospitais. “Nosso Estado é o que recebe o
maior valor per capita de investimentos do NIH para a pesquisa”, disse à ISTOÉ
Angus McQuicken, porta-voz do Massachusetts Life Sciences Center, órgão criado
em 2008 para incentivar a evolução científica no Estado. Além da verba federal,
o governo estadual criou em 2008 um fundo para investir, num período de dez
anos, um montante de US$ 1 bilhão.

 

Quem controla a saída de recursos é
o Massachusetts Life Sciences Center. Os objetivos são ousados. Com a verba,
pretende-se não apenas dar incentivos fiscais para as empresas fixarem-se na
região como ajudar a construir parcerias entre indústrias e universidades e
bancar parte dos investimentos necessários para fazer chegar ao mercado o que é
criado em laboratório. Essa é uma das etapas mais caras de desenvolvimento de
medicamentos, uma vez que inclui os estudos clínicos (calcula-se que eles
representem quase um quinto do valor total da pesquisa).

 

Entre as empresas farmacêuticas,
espera-se que o modelo de Boston dê uma resposta a um dos principais problemas
enfrentados pelo setor: os altos custos para criar novos fármacos. Dados do
Centro para o Estudo do Desenvolvimento de Medicamentos da Universidade de Tufts
indicam que, em média, gasta-se US$ 1,3 bilhão para gerar uma nova droga. De
cada dez remédios, apenas três conseguem cobrir esses custos. Isso tem acendido
o sinal vermelho para a área de pesquisas farmacêuticas. Quando os estudos são
feitos no modelo de parceria, porém, os gastos podem ser reduzidos a um terço. 


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