PORVIR – 01/11/2015 – SÃO PAULO, SP
“Ser físico é muito bom, mas poder ensinar é melhor ainda”
DA REDAÇÃO
O
universitário Danilo Flügel Lucas, 23, sempre estudou em escola pública. Com o
interesse em compreender o funcionamento das coisas, encontrou na física as
respostas para muitas das suas perguntas. Dessa identificação, veio a motivação
de se tornar um físico.
Quando ingressou na UEPG (Universidade Estadual de Ponta Grossa, no Paraná),
embora tivesse optado pela licenciatura, ser professor estava longe dos seus
planos. No entanto, durante o curso, as disciplinas pedagógicas e o contato com
a rotina escolar ajudaram a abrir sua mente. No quarto ano, prestes a concluir a
graduação, seu desejo é dar aulas na rede pública.
A
história de Danilo é reflexo do trabalho de fortalecimento da identidade das
licenciaturas na UEPG, apresentado pelo Porvir na última matéria da série
Formação de Professores.
Leia
o seu depoimento:
“Eu
não pretendia ser professor, queria ser físico. Quando entramos na universidade
ainda não temos muita certeza sobre o que queremos para a nossa vida. Optei pela
licenciatura porque sabia que, além da formação específica, também estaria
habilitado para dar aulas. Mas, no decorrer do curso, comecei a ter acesso à
disciplinas pedagógicas que me ajudaram a abrir a mente sobre o que realmente
era ser professor.
Desde
o começo do curso, o contato com as disciplinas voltadas para o ensino de física
ajudaram a refletir sobre a profissão e criar uma base para o estágio
obrigatório. Desenvolvemos uma visão de quem são os alunos e o que é a escola.
Essa noção facilita muito porque não temos um choque de realidade quando
chegamos no estágio.
Os
alunos normalmente têm muita dificuldade com a física. Se você não consegue
trabalhar isso, compromete muito o processo de aprendizagem deles. Muitas vezes,
o interesse pela disciplina parte do professor do ensino básico. Aquela cultura
de que é difícil é ocasionada porque os professores não se deram conta de como
despertar o interesse dos alunos.
Quando chega o estágio obrigatório, trabalhamos uma contextualização da
realidade do aluno. A partir disso, elaboramos um plano de aula que
contextualiza a física no cotidiano deles, utilizando instrumentos do dia a dia.
É muito produtivo trazer a física para a realidade do aluno.
Na
teoria, tudo costuma ser muito bonito, mas na prática não costuma ser bem assim.
O contato com o ensino público ajuda a perceber que existem muitas dificuldades.
Cada aluno tem uma característica diferente. Então, precisamos aprender a lidar
com diversos tipos de adolescentes e entender como despertar o interesse deles.
Trabalhar a parte prática ajuda a ter uma noção da importância que tem essa
profissão.
Com
as disciplinas articuladoras e o estágio, eu me sinto mais preparado para dar
uma boa aula para os meus alunos quando assumir uma sala de aula. Estou no
último ano da graduação e penso em trabalhar na rede pública. Ser físico é muito
bom, mas poder ensinar é melhor ainda.”
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