Portal Universia,
01/08/2006
Um atalho para o mercado de trabalho
Curso
seqüencial é alternativa.
Veja os prós e contras da modalidade
Três anos no Ensino Infantil, mais oito no Fundamental, depois
outros três no Médio e, quando você pensa que está tudo acabado, se depara com
mais quatro ou cinco anos no Ensino Superior. E só depois desta longa jornada,
ingressar no mercado de trabalho. Olhando para trás, dá até desânimo. Mas, nos
últimos anos, novas opções foram criadas para reduzir esta distância ente o
mundo acadêmico e profissional. Uma delas é o curso de curta duração, mais
conhecido como seqüencial, que oferece o diploma de terceiro grau em dois anos.
Esta é uma modalidade que, cada vez mais, tem despertado o interesse dos
pré-universitários. Para se ter uma idéia, segundo uma pesquisa realizada pelo Inep (Instituto Nacional de Estatísticas e Pesquisas da
Educação), de 2001 para 2002 o número de estudantes
matriculados em cursos seqüenciais aumentou 73%. A questão do tempo é um grande
atrativo, porém não é o único. A
busca por uma formação específica em um campo do saber também tem sido a
"menina dos olhos" de quem opta pelos cursos de curta duração. Este
foi o principal motivo que fez a estudante Carolina Rodrigues de Aquino, 18
anos, sair do Ensino Médio e ingressar no Superior. Sua opção não foi pela
graduação plena e sim pelo curso seqüencial de Tecnologia e Gestão de Pequenas
e Médias Empresas da UMESP (Universidade Metodista).
"A oportunidade que melhor se encaixou às minhas necessidades. Tenho
urgência em obter conhecimentos na área de administração, principalmente
enfatizando as pequenas e médias empresas, já que atuo neste segmento há alguns
anos", conta.
Mas, como diz o ditado popular: "nem tudo é um mar de
rosas". Vale ressaltar que os alunos formados em cursos seqüenciais não
terão acesso aos cursos de pós-graduação stricto-sensu,
ou seja, o mestrado e o doutorado. "O título do seqüencial é diferenciado
e não garante uma formação científica e acadêmica. É direcionado
especificamente ao mercado de trabalho", explica a representante da
Coordenação de Ensino, da Diretoria de Ensino, Pesquisa e Extensão da Unisul (Universidade do Sul de Santa Catarina), Mara Gomes.
Nada impede que depois de um curso de curta duração você ingresse em uma
graduação e dê continuidade a sua formação profissional. É possível, inclusive,
que as disciplinas, os conteúdos e, também, os créditos realizados nos
seqüenciais sejam aproveitados nesta modalidade, embora não exista garantia de
que isso vai acontecer. Assim, o caminho rápido de dois anos pode acabar se
tornando ainda mais longo do que o convencional. Por isso, é fundamental
identificar seus objetivos, antes de tomar qualquer decisão.
Mercado de trabalho
Ok, o curso seqüencial até pode ser
um caminho mais rápido para o ingresso no mercado de trabalho. Porém, como será
que o mundo dos negócios avalia esta modalidade? Será que é um diferencial para
o currículo? Ou, ainda, será que há um espaço para estes profissionais? Estas
questões ainda são delicadas, mas também relevantes. Ao mesmo tempo em que os
cursos de curta duração lutam por um espaço no meio acadêmico, o mercado de
trabalho tenta se adequar ao novo cenário. Que o diploma de terceiro grau, seja
ele obtido por meio de um curso de curta duração ou de uma graduação, não é
garantia de emprego, todo mundo já sabe. Mas, especialistas alertam que ainda
existem restrições contra profissionais formados por cursos seqüenciais,
principalmente por parte das grandes empresas. "Isso acontece porque a
modalidade é recente e o mercado não se adaptou
a esta nova realidade", afirma a gerente de Produto Efetivo da Gelre, Sidnei Palhares. O que não quer dizer que não há
espaços para estes profissionais. Quando vai contratar um funcionário, a Unilever, por exemplo, não faz distinção na modalidade de
ensino. "Em nenhum momento os candidatos são eliminados da seleção por
conta da origem de formação. A eventual eliminação sempre se dará por conta de
resultados apresentados nas diferentes etapas do processo", garante a
gerente de Recursos Humanos da intuição, Vera Durante. É importante ressaltar
que a inserção e o reconhecimento deste diploma no mercado de trabalho vai
depender da área de formação. Para as áreas de criação, de tecnologia e
administrativa esta modalidade é mais eficiente e não há restrições do mercado.
Mas existem outras em que a graduação é obrigatória para o exercício
profissional, como por exemplo Medicina, Engenharia, Direito, entre outras
carreiras regulamentadas. E se você pensa em utilizar o diploma do curso
seqüencial a fim de participar de concursos públicos, cuidado!
"Só será aceito naqueles que solicitarem como pré-requisito o curso
superior. Nos que vincularem a participação do candidato à graduação, o curso
seqüencial não será aprovado", aponta a coordenadora da Divisão de
Programas Especiais da UEPG (Universidade Estadual de
Ponta Grossa), Maria Etelvina Madalozzo
Ramos. Os cursos seqüenciais, na opinião de Sidnei, não substituem a graduação.
"Diria que são complementares. O mercado de trabalho quer um profissional especializado,
mas também alguém com uma visão global", aponta.
"Em início de carreira esta modalidade ajuda o profissional a se
estabelecer no mercado, mas há necessidade deste desenvolvimento na
graduação", acrescenta.
Para quem vale a pena?
Depois de conhecer as restrições do mercado e as dos diplomas
dos cursos seqüenciais, você deve estar se perguntando: os cursos seqüenciais
servem para quem, então? Segundo Maria Etelvina,
normalmente, os alunos que procuram esta modalidade são aqueles que já estão no
mercado de trabalho e buscam uma formação específica e, ao mesmo tempo, um
diploma de terceiro grau. "Um profissional que se interessa por um
conhecimento com aplicações imediatas, por
uma qualificação rápida e por novas perspectivas profissionais", descreve.
Este é o caso do assistente de criação de Design, Natan Lemke Gambier,
25 anos, que decidiu seguir por este atalho para obter o diploma de Ensino
Superior. "Na área artística, a experiência conta mais do que a formação.
Por isso, bastava o diploma de terceiro grau. Além disso, não tenho interesse
em seguir em uma pós-graduação. Tudo isso acrescido ao tempo e ao custo me fez
optar pelo seqüencial", conta. "E nunca tive problema com o mercado
de trabalho por ter feito esta escolha", completa. Além disso, os
especialistas recomendam os cursos seqüenciais para os pré-universitários que
querem ingressar no mercado de trabalho, mas que não têm condições de pagar uma
graduação. "Faz o curso, ingressa no mercado e a partir daí administra os
seus recursos para investir na graduação. Esta modalidade ainda faz diferença e
ainda é vista com outros olhos", conclui Sidnei.
1 comentário
Os comentários estão fechados.