Portal G1, https://g1.globo.com/educacao/guia-de-carreiras/noticia/vale-a-pena-fazer-mais-Portal G1, http://g1.globo.com/educacao/guia-de-carreiras/noticia/vale-a-pena-fazer-mais-tempo-de-cursinho-do-que-estudar-fora-professores-conversam-sobre-medicina.ghtml,
21/07/2017
Vale a pena fazer mais tempo de cursinho do que estudar fora: professores conversam sobre medicina
Docentes da USP alertam que a opção de estudar no exterior pode ser sedutora,
mas não compensa no momento da revalidação do diploma.
Por Luiza Tenente, G1
Dois professores de medicina na Universidade de São Paulo (USP) ouvidos pelo G1 garantem:
é preferível passar mais alguns anos no cursinho do que fazer a graduação em
outro país. A endocrinologista Camila Secches e o patologista Paulo Saldiva,
convidados do programa, discutiram os mitos e os caminhos que a profissão
oferece.
“Como nosso aluno põe a mão na massa, ele tem mais habilidade depois do curso do
que aqueles que vêm de fora. Eles só encostam em um doente depois da formatura.
Eu digo que o contrário vale a pena: fazer medicina aqui e residência no
exterior. Mas aí tem uma prova muito rigorosa, mas não diferente dos exames de
qualificação norte-americanos e europeus”, avalia o professor Paulo.
A transmissão ao vivo recebeu muitos comentários de vestibulandos que se
preocupam com o tempo gasto para conseguir a aprovação no curso de medicina:
muitos temem ficar velhos demais para passar pelos anos de curso, residência e
especialização. Os professores descartaram a possibilidade. Segundo eles, é até
melhor ter maturidade para enfrentar a graduação. “A medicina é muito bacana
porque parece que quanto mais velho o profissional fica, melhor sabe. Envelhecer
nessa carreira é muito bom”, garante a professora Camila.
“O médico acumula patrimônio e status, inspira mais confiança. Existe uma
longevidade profissional muito grande. Na minha experiência, alunos que entraram
mais tarde, em geral, se saem muito bem na faculdade.”
(Paulo Saldiva, professor de medicina da USP)
Os professores confirmam que é uma profissão com salários e empregabilidade
alta, mas alertam: a medicina exige horas de estudo, trabalho e dedicação, o que
acarreta em sacrifícios pessoais. “A medicina é a mais exata das ciências
humanas e a mais humana das ciências exatas. Tudo que interessa ao ser humano, à
dimensão humana, cabe quando se cuida de pessoas. É difícil o profissional não
encontrar uma tribo em que ele se enquadre. Se essa for a medida do sucesso, ele
tem muitas chances de ser feliz. Mas se escolher sem vocação, aí não tem um dia
em que ele vá motivado para o trabalho”, adverte o professor Paulo.
A mesma paciência exigida dos estudantes de cursinho é recomendada pelos
professores no momento de encarar a progressão profissional. Segundo eles, o
médico é um profissional cuja ascensão é lenta e gradual, e o formando deve ter
essa serenidade em mente no momento em que começar a trabalhar. “Em algumas
profissões, quando a pessoa se forma e é boa no que faz, consegue se empregar e
ter um retorno financeiro rapidamente. Na maioria das vezes, na medicina, isso
não acontece. Tem a perspectiva de um retorno, de uma carreira sólida, mas é
construída gradualmente”, descreve a professora Camila.
“Os doentes vão procurando o profissional, a cartela de pacientes vai
aumentando… É preciso se preparar para se formar e ter paciência planejamento
para contar com essa progressão profissional acontecer aos poucos.”
(Camila Secches, endocrinologista especialista em nutrologia)
Questionados sobre a necessidade de lidar com a morte, os professores foram
categóricos: isso faz parte da profissão. “O difícil da profissão é lidar com a
complexidade das diversas formas de vida que nos procuram. O médico vai ter
medo. Mas nessa profissão, o contrário do medo é a fé de que o paciente vai
melhorar. O profissional deve lidar com as expectativas do doente, dentro das
limitações da medicina. É preciso fazer com que as pessoas descubram formas de
viver nas condições que elas têm. Hoje, eu digo que o maior mistério da
profissão não é lidar com a morte, mas com a complexidade do viver”, comentou o
professor Paulo.
“É necessário saber lidar com a morte porque o médico precisa se proteger como
profissional. Também é importante mostrar para o paciente que não se trata de
evitar a morte, que é algo natural, mas garantir a qualidade de vida dele”
(Camila Secches)
1 comentário
Os comentários estão fechados.