O Estado de São Paulo, OPORTUNIDADES, Domingo, 11 março
de 2007
Atualização deve ser constante
Laboratórios
e grade curricular evoluem de acordo com novas soluções e tecnologias
Rafael Sigollo
Máquinas, robôs,
processos automatizados e muita tecnologia. Essa idéia de futuro, e que já
vivemos no presente, é a essência da Mecatrônica. O
nome surgiu no Japão, no final da década de 60, com o controle do movimento dos
motores e passou a designar uma nova ciência que integra Engenharia, Mecânica,
Computação e Eletroeletrônica.
E mesmo sendo de
importância vital para a sociedade, a área carece de profissionais
qualificados. “No mundo inteiro, o ser humano cada vez mais quer pensar menos”,
diz o coordenador técnico do Colégio Impacta de Tecnologia (Cit)
Karl Heinzklauser. Para ele, há atualmente um
desinteresse do jovem pela carreira técnica, uma vez que esta exige um
comprometimento muito grande. “A pessoa que atua nessa área nunca pára de
estudar pois são criadas soluções e tecnologias
constantemente”, explica.
PARCERIAS
A complexa estrutura e o
alto investimento exigido das instituições de ensino são
outra barreira para a formação de novos profissionais, pois os
laboratórios devem estar sempre atualizados e equipados com tecnologia de
última geração.
Para reduzir o problema,
cada vez mais as universidades fazem parcerias com empresas tanto brasileiras
como internacionais. “Elas são as maiores interessadas em terem profissionais
qualificados à sua disposição”, afirma o coordenador do curso de graduação
São Carlos, Glauco Augusto de Paula Caurin. A escola,
que é uma unidade Universidade de São Paulo (Usp), é parceira de empresas
alemãs. “Isso permite que os alunos tenham contato com tecnologias que ainda
não chegaram ao País”, afirma.
Outra parceria entre
Brasil e Alemanha na área resultou no Centro de Competência em Mecatrônica (CCM), que contou com o apoio da Câmara de
Comércio e Indústria que liga os dois países e com a Impacta, onde está
instalado. Heinzklauser, que também é coordenador do
CCM, explica que além de treinar e qualificar novos engenheiros, o centro, que
custou cerca de 1 milhão de , também certifica
profissionais que já estão no mercado. “As empresas nos procuram para melhorar
a qualificação do seu quadro de funcionários”.
DEMANDA
Quanto mais o mundo se
desenvolve tecnologicamente, mais os profissionais de Mecatrônica
são requisitados pelo mercado de trabalho. “A grande vantagem
da profissão é que você pode atuar em qualquer área, desde emissoras de TV até
indústria automobilística e de alimentos, por exemplo.
Onde
existe processo produtivo, existe espaço para automação e para os mecatrônicos”, diz Heinzklauzer.
Cuidar da manutenção dos
processos de produção, montagem, fabricação e automação de indústrias é uma das atividades de maior destaque do setor no Brasil. Caurin explica, porém, que desenvolver produtos também é
parte da profissão. “Não temos tanta tradição nisso, mas estamos evoluindo.
Muitos engenheiros já trabalham exclusivamente com criação e desenvolvimento e
podem abrir suas próprias empresas para comercializá-los”.
IDENTIFICAÇÃO
Fazer um curso técnico
antes mesmo da graduação pode ajudar quem ainda não está muito familiarizado
com a Mecatrônica. Karl Heinzklauzer
afirma que esta é uma etapa importante para os jovens que acabaram de sair do
ensino médio pois, com um curso técnico de dois anos,
terão contato com a área e ganharão experiência profissional antes mesmo da
faculdade.
Foi o que aconteceu com Luy Phelipe Hadich.
Fascinado pelo tema desde criança, quando desmontava e montava os aparelhos
eletrônicos de casa, Felipe costumava passar as tardes numa loja de eletrônica
mexendo em tudo e ajudando no conserto de eletroeletrônicos por puro prazer.
Matriculou-se no curso de Mecatrônica da Impacta e,
no segundo ano, começou a estagiar na Xerox, onde foi
efetivado.
Hoje, com apenas 19 anos
de idade, ele já tem uma profissão e a certeza de que irá cursar Mecatrônica na faculdade, graduação que geralmente leva
cinco anos para ser concluída.“Gostava muito dos trabalhos,
dos projetos que tínhamos que desenvolver usando o laboratório. É um
aprendizado muito rico”, conta.
OPORTUNIDADES
O caso de Felipe não é
exceção. Assim como ele, a grande maioria dos que fazem um curso técnico começa
a trabalhar antes mesmo de sua conclusão. Quem completa a graduação, então, tem
boas chances de ser requisitado para trabalhar até no exterior.
“As empresas que são
parceiras absorvem parte dos alunos e outros são praticamente convocados pelas
indústrias”, diz Caurin. “Todos os que estão nessa
área têm espaço garantido. O mercado é crescente e seguro”, afirma Heinzklauser.
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