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O Estado de São Paulo, Domingo, 6 abril de 2008 |
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A
moda mora aqui
A estilista Isabela
Capeto customiza seu apartamento de 200m2, na Lagoa
Suzy Dissat
A estilista Isabela
Capeto compra muito mais objetos para casa do que roupa. E gosta tanto de
decoração que pensa em produzir uma linha para casa. Trabalhando com moda há 15
anos, ela explodiu no mundo fashion há quatro – já está na sétima edição do São
Paulo Fashion Week. Mesmo em meio ao corre-corre da preparação do último
desfile, permitiu ao Casa& conhecer como vive no Rio de Janeiro.
Avista é de cartão
postal, a Lagoa Rodrigo de Freitas, e o apartamento de 220 m², originalmente com
quatro quartos e todo compartimentado, parece maior ainda com as mudanças feitas
pelo arquiteto Beto Figueiredo, que demoliu tudo e reposicionou os cômodos –
obra conduzida por João Pedro Bailly. “A idéia era ter a parte social integrada
e isolar somente a área de serviço. Fiz então paredes móveis, que podem criar ou
unir os ambientes”, explica Beto. “Assim, um dos quartos que faz parte do living
também é escritório: quando chega hóspede, uma porta-biombo transforma o espaço
em dormitório, com banheiro completo.”
A estilista conta que
levou dois anos procurando o imóvel e, quando encontrou, chamou o amigo para
fazer a reforma. “A cozinha aberta era indispensável, porque recebo muito e
gosto de cozinhar para os amigos.”
A grande e acolhedora
cozinha é, mesmo, cheia de detalhes. A começar pelo uso de materiais. O piso
anterior, que era de peroba-do-campo, foi retirado e reutilizado para revestir a
ilha central e os armários, além do banco que corre paralelo às janelas do
living. O piso atual é de tábua corrida de peroba-mica (7 cm de largura, cerca
de R$ 109,25 o m² sem colocação, na Serraria Boa Vista) e um tampo de mármore
branco cobre a ilha – onde fica o fogão – e serve de mesa para refeições ou bar,
rodeado de bancos que já tiveram outras funções (de bar, de piano e de
dentista). Para livrar o ambiente do cheiro de frituras, há um exaustor
profissional (Exaustar; de 1,40 m x 1 m, por cerca de R$ 5.175); e, para os
bifes do dia-a-dia, um outro fogão, na área de serviço. Mas é o acúmulo de
objetos (panelas, por exemplo, que estão penduradas em varal de aço feito com
ganchos – da Metalúrgica Sena, R$ 345 o m) e a maneira como são expostos que
encanta – uma característica de toda a decoração da casa.
Peças customizadas
Quando os amigos vão
para a sala de jantar, por exemplo, encontram peças cult: o quadro de Adriana
Varejão, de azulejos pintados (e plantas alucinógenas como tema); a mesa e as
cadeiras assinadas por Sergio Rodrigues; as peças herdadas que ficaram com outra
cara depois de customizadas pela estilista. E na estante que atravessa o living
há todo tipo de objeto. Detalhe: as folhas de um livro de moda coladas em papel
pluma, com estampas de roupas antigas (de 1490 a 1800), que Isabela transformou
em miniquadros.
O living tem sofás da
Wick Estofados, com capas cujas bainhas foram bordadas no ateliê de Isabela, e
uma grande cama, perfeita na hora de admirar a paisagem e/ou abrigar hóspedes.
Ainda nesse cômodo foi montado um microescritório, com cadeira de Charles Eames
(de Hetty Goldberg; em couro, R$ 2.652).
Por toda a parte, há
(boas) surpresas. No hall, um espelho veneziano ganha a companhia de pimentas e
do quadro espelhado de um hotel, do antiquário Duque, de Petrópolis. Os
irreverentes toy arts integram-se ao resto dos bonecos, objetos trazidos de
viagem e a memorabilia acumulada há anos. Os banheiros são praticamente iguais.
“Acho cafona cada um ser de um jeito”, diz a dona da casa. As portas com vidros
têm brise-brise de tecido bordado, outra criação de Isabela (e do seu ateliê). O
projeto de iluminação leva a assinatura de Inês Benévolo.
E já que o Casa&
invade o quarto do casal, é bom que se diga que ele tem um clima quase monacal
mais uns toques de fada: a colcha foi feita de retalhos de tecidos do Espaço
Multi e, acima da cama, há quadros comprados no México. Entre tantas cores, a
fantasia vai longe e chega mesmo a ouvir o coro de mariachis.
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