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Revista Isto é,
CULTURA,
|  N° Edição:  2208 |  02.Mar.12 – 21:00 |  Atualizado em
06.Mar.12 – 10:35

Memórias do arquiteto nazista



Albert Speer conta em entrevistas como seriam as cidades do III Reich e fala de
sua relação com o ditador Adolf Hitler

Marcos
Diego Nogueira



REQUISITADO


Projetos
de Speer despertaram o interesse de Josef Stalin e Benito Mussolini

Na cúpula do III Reich,
existia um alto funcionário que nunca foi alvo dos gritos autoritários do
ditador Adolf Hitler. Seu trabalho era sempre aprovado e não era menos
prioritário nas ambições nazistas: a transformação de Berlim em uma cidade
imperial. O nome dele era Albert Speer, arquiteto que cuidou dos projetos
megalômanos de Hitler inspirados nas edificações das cidades gregas e romanas.
Desde a sua filiação ao partido nacional socialista, em 1931, até a morte do
führer, foram 14 anos de convivência contados em detalhes no livro “Conversas
com Albert Speer” (Nova Fronteira), compilação de entrevistas dadas pelo
arquiteto ao especialista em nazismo Joachim Fest entre 1966 e 1981, ano da
morte de Speer. “Seguidas vezes Hitler afirmou que nada lembrava mais os grandes
períodos da história do que suas edificações”, diz ele sobre o gosto
arquitetônico do ditador.

Alguns dos projetos de
Speer saíram do papel, como a Chancelaria do Reich, que funciona até hoje em
Berlim. Outros, que faziam parte da Welthauptstadt Germania – a “capital do
mundo” sonhada por Hitler – ficaram nas maquetes. Caso da avenida inspirada na
parisiense Champs-Elysées, que teria cinco quilômetros de extensão e culminaria
em um arco de triunfo com o dobro do tamanho do original francês. Nessa via
ficaria também o Volkshalle, pavilhão com linhas copiadas do Panteão de Roma –
só que, naturalmente, muito maior. “Quando estive na Basílica de São Pedro, a
estrutura e a famosa coluna de Bernini me impactaram por parecerem minúsculas
diante dos projetos para Berlim e Nuremberg”, conta Speer a Fest. “Por alguns
instantes me perguntei se não tínhamos ido longe demais.”



CONVERSAS


Livro
sintetiza 15 anos de encontros entre o autor e o nazista

A fama de Speer não
ficou restrita à Alemanha: Josef Stalin e Benito Mussolini o procuraram para
projetar construções em seus países, o que despertou ciúmes no ditador alemão.
Foi quando presenciou um dos raros “acessos de raiva” do führer. Considerado um
“bom nazista” (conceito discutível), o arquiteto foi um dos poucos que escaparam
da pena de morte, sendo condenado a 20 anos de prisão. O mistério do
abrandamento de sua pena é explicado no livro, mas de forma não muito
convincente. Ele teria justificado que seu compromisso com a construção civil
estava acima da ideologia. E o júri engoliu.

Categorias: Arquitetura

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